Apenas 20 dias após o encerramento da edição anterior, iniciou-se o Campeonato Nacional de 1974. O torneio manteve o contingente de 40 equipes, contudo, o regulamento trouxe uma inovação bizarra: além dos dez melhores de cada um dos dois grupos de 20, as últimas quatro vagas para a segunda fase seriam decididas por critérios distintos: duas pela pontuação geral e duas pela maior média de público pagante, uma manobra para favorecer clubes de grandes massas que estivessem mal na tabela.
Neste cenário de estádios lotados, o Vasco despontava sob a liderança de um jovem centroavante que estava prestes a se tornar uma lenda: Roberto Dinamite. Dentro do Grupo A, o cruzmaltino manteve a consistência necessária para avançar sem depender dos critérios de público. Ao final das 19 rodadas da primeira fase, o time da Colina encerrou sua participação na sétima posição, somando 22 pontos, com sete vitórias, oito empates e quatro derrotas. O Grêmio liderou a chave, mas o Vasco já demonstrava ser um time talhado para confrontos decisivos.
Na segunda fase, os 24 classificados foram divididos em quatro grupos de seis. O Vasco sobrou no Grupo 2: invicto, eliminou adversários tradicionais como Atlético-MG e Corinthians, além de bater Nacional-AM, Vitória e Operário-MS. Com três vitórias e dois empates, o cruzmaltino carimbou sua vaga no quadrangular final com oito pontos, ao lado de Cruzeiro, Internacional e Santos.
A fase final foi um teste de nervos. O Vasco estreou batendo o Santos de Pelé (em seu último ano de Brasil) por 2 a 1 no Maracanã. Seguiu-se um empate contra o Cruzeiro no Mineirão e outro contra o Internacional. Ao fim das três rodadas, Vasco e Cruzeiro terminaram empatados com quatro pontos, exigindo um jogo de desempate para decidir o campeão.
Pelo regulamento, o jogo extra deveria ocorrer em Belo Horizonte, devido à melhor campanha geral da Raposa. No entanto, o Vasco acionou a justiça desportiva, utilizando como argumento a invasão de campo e a tentativa de agressão ao árbitro por parte de dirigentes cruzeirenses no confronto anterior entre as equipes. Em uma decisão polêmica, a CBD inverteu o mando de campo.
Diante de um Maracanã fervilhante, o Vasco confirmou sua força técnica. Com gols de Ademir e Jorginho, e uma atuação inspirada de Roberto Dinamite, o Vasco venceu por 2 a 1. A equipe comandada por Mário Travaglini impedia o título mineiro e celebrava, com justiça mas sob polêmica, o seu primeiro título de campeão brasileiro.

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