Atlético-GO Campeão Goiano 2020

Com 393.862 casos 8.480 mortes por Covid-19 até 27 de fevereiro, Goiás conheceu seu campeão estadual. Pelo segundo ano seguido, e pela 15ª vez na história, o Atlético-GO conquistou o título máximo de seu Estado. Foi um campeonato longo, de 14 meses de disputa e nove de paralisação (de março a janeiro) por causa da pandemia.

Na primeira fase, os 12 participantes foram divididos em dois grupos e atuaram em dois turnos, embora a tabela de classificação fosse unificada. O Dragão ficou no grupo A, e das 12 partidas que fez venceu oito, liderando a etapa com 26 pontos.

A fase final foi programada para ser executada em jogos de ida e volta, mas a longa parada a transformou em disputas de jogo único, na casa de quem possuía melhor campanha. Nas quartas de final, no Antônio Accioly, o Atlético goleou o Anápolis por 5 a 1. Na semifinal, foi a vez de receber a Aparecidense (que eliminou o Goiás) e vencer por 3 a 1.

A final foi contra o Goianésia, também em casa. Mas o Dragão não venceu nos 90 minutos, ficando apenas no empate por 1 a 1. O alívio veio nos pênaltis, ao vencer por 5 a 3.

A campanha do Atlético-GO:
15 jogos | 10 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 35 gols marcados | 11 gols sofridos


Foto Heber Gomes/Atlético-GO

Flamengo Campeão Brasileiro 2020

Um exercício de resistência e de paciência. Disputado sob a sombra da pandemia de Covid-19, o Campeonato Brasileiro de 2020 começou com três meses de atraso, em agosto, e terminou apenas em fevereiro de 2021. Em estádios vazios, o Flamengo conquistou seu oitavo título nacional, superando trocas de técnicos e uma perseguição implacável ao Internacional para levar mais um título.

Após a saída de Jorge Jesus, antes mesmo do início do Brasileirão, o Flamengo buscou no espanhol Domènec Torrent a continuidade do estilo europeu. O início, porém, foi desastroso, com derrotas por 1 a 0 para o Atlético-MG no Maracanã, e por 3 a 0 para o Atlético-GO em Goiânia. O time sofria para encontrar o equilíbrio defensivo, alternando momentos de brilho, como o massacre de 5 a 1 sobre o Corinthians em Itaquera, na 17ª rodada, com quedas inexplicáveis, como a goleada por 4 a 1 sofrida para o São Paulo no Maracanã, na 19ª partida.

Ao fim do primeiro turno, a tabela era um quebra-cabeça de jogos adiados, mas o Flamengo se mantinha no pelotão de frente, observando o São Paulo e o Atlético-MG na liderança do campeonato. 

A goleada de 4 a 0 sofrida para o Atlético-MG na abertura do returno, em Belo Horizonte, selou o destino de Torrent. Rogério Ceni assumiu com a missão de ajustar o sistema defensivo e recuperar a confiança do elenco. Enquanto o São Paulo desmoronava tecnicamente, o Internacional engatou uma sequência recorde de vitórias e assumiu a ponta na 31ª rodada.

O Flamengo, porém, não desistiu. Com Gabriel Barbosa, Pedro, De Arrascaeta e Bruno Henrique decidindo jogos apertados, o rubro-negro manteve a distância mínima. O confronto direto na penúltima rodada tornou-se a "final real": no Maracanã, o Flamengo venceu o Inter por 2 a 1, de virada, assumindo a liderança pela primeira vez no campeonato a apenas um jogo do fim.

A última rodada foi um teste para o coração dos torcedores. No Morumbi, o Flamengo foi derrotado pelo São Paulo por 2 a 1 e precisou esperar, dentro de campo, o apito final em Porto Alegre. No Beira-Rio, o Internacional pressionava o Corinthians em busca de um gol que lhe daria o título após 41 anos. 

Em um final cinematográfico, o Internacional teve um gol anulado nos acréscimos e parou na defesa corinthiana. Com o empate em 0 a 0 no Sul, o Flamengo celebrou o octacampeonato com 71 pontos, apenas um de vantagem sobre os gaúchos.

A campanha do Flamengo:
38 jogos | 21 vitórias | 8 empates | 9 derrotas | 68 gols marcados | 48 gols sofridos


Foto Alexandre Vidal/Flamengo

Brasiliense Campeão da Copa Verde 2020

A Copa Verde de 2020 não aconteceu em 2020. Exatamente isso que você leu. A pandemia de Covid-19 atrasou tanto os preparativos da competição que ela acabou postergada para o início de 2021, durante 34 dias entre janeiro e fevereiro.

O regulamento foi semelhante ao da temporada anterior, com pequenas mudanças para encaixar no calendário curto, como a primeira fase e oitavas de final ocorrendo em mão única. As 24 equipes participantes mantiveram-se. E o campeão foi um velho conhecido, mas que anda longe das principais divisões nacionais: o Brasiliense, do Distrito Federal.

Vice estadual, o Jacaré precisou começar pela fase preliminar. Jogando em casa contra o Vitória-ES, goleou por 4 a 0 e mostrou logo de cara que chegava para assustar. Nas oitavas de final, venceu o Luverdense por 2 a 1 no Mato Grosso. As quartas foram disputadas contra o Atlético-GO, e o Brasiliense venceu as duas partidas, por 2 a 1 em Goiânia e por 3 a 1 em Taguatinga.

Na semifinal, outro goiano: o Vila Nova. Desta vez os candangos tiveram mais dificuldades. Na ida, vitória por 2 a 0 em pleno OBA. Na volta, o time foi surpreendido na Boca do Jacaré e perdeu por 3 a 1. Nos pênaltis, vitória por 5 a 3 e vaga na final conquista.

A final foi contra o Remo, e o primeiro jogo foi marcado para o Mané Garrincha, em Brasília. De virada, o Brasiliense venceu por 2 a 1. Os gols foram marcados por Sandy e Aldo, este segundo faltando dez minutos para o fim.

A segunda partida aconteceu no Mangueirão, em Belém. O Jacaré tentou segurar a vantagem, saiu atrás no placar e empatou no começo do segundo tempo com Zé Love, mas os paraenses venceram também por 2 a 1. Outra vez nos pênaltis, o Brasiliense alcançou a glória ao vencer por 5 a 4. O título coloca um fim em algumas sinas do clube, como a de perder todas as finais que disputou desde 2018, e a de não vencer algo fora do Distrito Federal desde a Série B de 2004.

A campanha do Brasiliense:
8 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 2 derrotas | 17 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Fernando Torres/CBF

Palmas Campeão Tocantinense 2020

Com 107.163 casos e 1.455 mortes por Covid-19 até 14 de fevereiro, o Tocantins conheceu seu campeão estadual. Pela oitava vez na história e pela terceira seguida, o Palmas chegou ao título de um campeonato que ficou longo por muitas circunstâncias.

Primeiro, pela pandemia do coronavírus, que paralisou tudo em março de 2020 e fez a retomada acontecer apenas em janeiro de 2021. Segundo, pelo acidente aéreo ocorrido em 24 de janeiro com parte do grupo tricolor, e que levou embora as vidas do presidente Lucas Meira, dos atletas Lucas Praxedes, Guilherme Noé, Ranule e Marcus Molinari, além do piloto Wagner Machado.

Em campo, o Palmas liderou a primeira fase com seis vitórias em sete partidas, marcando 19 pontos. Na semifinal, eliminou o Araguacema em dois jogos, vencendo por 1 a 0 a ida fora e empatando sem gols a volta em casa.

Na final, contra o Tocantinópolis, tornou-se campeão invicto ao empatar a primeira partida por 3 a 3 e vencer a segunda por 1 a 0.

A campanha do Palmas:
11 jogos | 9 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 23 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Divulgação/Palmas

Bayern de Munique Campeão Mundial 2020

O ano de 2020 foi maluco para todas as pessoas, em todos os setores, e para o futebol não foi diferente. Entre março e junho, tudo parou devido à pandemia de Covid-19. O calendário futebolístico ficou apertado, e a solução encontrada foi estender as finais das competições: as previstas para o meio do ano foram transferidas para o fim, e as do fim para o início de 2021. Foi exatamente o que aconteceu com o Mundial de Clubes.

Era necessário cumprir o contrato de duas edições do torneio no Catar. Assim, o Mundial foi realizado inteiramente em fevereiro, revivendo uma situação que havia ocorrido pela última vez em 1980 e 1981. Essa mudança não foi a única implicação do atraso: o novo Mundial planejado pela FIFA, em formato quadrienal com 24 clubes, foi adiado por tempo indeterminado.

Longe do torneio há sete anos, o Bayern de Munique voltou a brilhar fora da Alemanha, vencendo a Liga dos Campeões da Europa sobre o PSG. Com Robert Lewandowski eleito o melhor jogador do planeta, o clube bávaro enfrentou um adversário inédito em finais: o Tigres UANL, do México, campeão da Concacaf diante do Los Angeles FC. Os demais participantes foram: Palmeiras, campeão da Libertadores; Al-Ahly, representante africano; Ulsan Hyundai, campeão asiático; e Al-Duhail, vencedor da Stars League do Catar.

O único clube sem título que entrou na lista foi o Auckland City, que tinha a melhor campanha no momento em que a Liga dos Campeões da Oceania foi encerrada. Porém, a equipe abriu mão da vaga para não correr o risco de levar a Covid-19 de volta à Nova Zelândia, país que praticamente erradicou o vírus. Dessa forma, sua partida contra o Al-Duhail foi considerada W.O., resultando em vitória de 3 a 0 para os catarianos.

Nas quartas de final, o Tigres venceu o Ulsan por 2 a 1, enquanto o Al-Ahly derrotou o anfitrião por 1 a 0. Na semifinal, a expectativa em torno do Palmeiras desmoronou com a derrota por 1 a 0 para os mexicanos. Do outro lado, o Bayern bateu os egípcios por 2 a 0. Na disputa pelo quinto lugar, o Al-Duhail superou o Ulsan por 3 a 1. Já na briga pelo terceiro posto, o Palmeiras voltou a decepcionar: empatou sem gols contra o Al-Ahly e perdeu por 3 a 2 nos pênaltis.

A grande final foi disputada no dia 11 de fevereiro de 2021, no Education City Stadium, em Doha, com público reduzido em razão do distanciamento social. O Bayern dominou a maior parte da partida, mas o gol decisivo saiu apenas aos 14 minutos do segundo tempo, quando Benjamin Pavard aproveitou uma sobra após dividida de Lewandowski com o goleiro Nahuel Guzmán. O lance ainda foi revisado pelo VAR, mas confirmado, garantindo a vitória por 1 a 0 e o tetracampeonato mundial para o clube alemão.


Foto David Ramos/Getty Images

Mirassol Campeão Brasileiro Série D 2020

A Série D do Brasileirão de 2020 passou por uma nova mudança de regulamento que deixou a competição ainda mais atrativa. Ao invés dos 17 grupos com quatro equipes, os 68 participantes passaram a ser divididos da seguinte forma: oito disputaram uma fase preliminar, avançando quatro para juntar-se a outras 60, que foram separadas em oito chaves de oito clubes cada. Com mais calendário, a imprevisibilidade foi maior, mas o final mostrou mais uma vez um bom planejamento e estrutura nunca podem ser superados.

Vindo do interior de São Paulo e com apenas um título estadual de Série A3 e outro de Série B, o Mirassol, entrou na Série D pelo grupo 7, mas o início não foi legal. Comandado por Eduardo Baptista sua estreia foi com empate em casa, por 1 a 1 diante do Bangu, e na segunda rodada perdeu por 3 a 1 fora de casa para a Cabofriense.

A primeira vitória aconteceu na terceira partida, e compensou os tropeços: 6 a 0 sobre o Toledo no José Maria de Campos Maia. A campanha melhorou, e o Leão da Alta Araraquarense foi acumulando vitórias algumas goleadas, como os 8 a 0 sobre o Nacional-PR e os 5 a 2 sobre o FC Cascavel, e casa, e os 4 a 0 sobre o Toledo fora. A equipe encerrou a fase na vice-liderança com 26 pontos.

Na segunda fase, o Mira eliminou o Caxias nos pênaltis por 3 a 0, após perder por 1 a 0 fora e vencer pelo mesmo placar em casa. Nas oitavas de final, passou pelo Brasiliense ao golear por 5 a 2 em São Paulo e perder por 2 a 1 no Distrito Federal. Nas quartas, conseguiu o acesso ao derrubar a Aparecidense, fazendo 2 a 1 no seu estádio e 3 a 2 em Goiás. Na semifinal, eliminou o Altos com duas vitórias, por 4 a 0 na ida no interior paulista e por 1 a 0 na volta no Piauí.

A decisão foi contra o Floresta, que bateu na semi o Novorizontino. O primeiro jogo aconteceria no Castelão, em Fortaleza, mas um incêndio no estádio transferiu a disputa para o Vovozão, campo da base do Ceará. A mudança de última hora não afetou o Mirassol, que derrotou o adversário por 1 a 0.

A segunda partida foi no José Maria de Campos Maia, e o Leão voltou a fazer 1 a 0, gol de João Carlos. O resultado enfim colocava um ponto final na edição pandêmica Série D, que proporcionou mais um título para o sempre tradicional futebol do interior paulista.

A campanha do Mirassol:
24 jogos | 15 vitórias | 5 empates | 4 derrotas | 49 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Célio Messias/CBF

Londrina Campeão da Primeira Liga 2017

A segunda e última edição da Primeira Liga, realizada em 2017, teve um cenário ainda mais conturbado que o de sua estreia. Embora o número de participantes tenha saltado para 16, a competição sofreu baixas de peso: Athletico-PR e Coritiba, fundadores da liga, desistiram do torneio devido a divergências internas. Para suprir as ausências, Londrina e Paraná foram integrados ao certame, juntamente com novos membros como Chapecoense, Joinville, Brasil de Pelotas e Ceará. No entanto, o torneio já nascia desgastado pela péssima relação entre os dirigentes e pela falta de apoio das federações.

Apesar dos bastidores caóticos, a Primeira Liga de 2017 tornou-se um capítulo glorioso na história do Londrina. O Tubarão ignorou o favoritismo dos gigantes do eixo Rio-Minas-RS e trilhou uma campanha invicta e irretocável, erguendo um troféu que hoje figura na galeria do clube com o mesmo peso de seus títulos estaduais e da Série B do Brasileiro de 1980.

Sorteado no Grupo D, ao lado do Paraná e da dupla catarinense Avaí e Figueirense, o Londrina demonstrou sua força logo cedo. O time paranaense venceu todos os seus compromissos da primeira fase: bateu o Figueirense por 1 a 0 no Orlando Scarpelli, superou o Avaí por 1 a 0 na Ressacada e derrotou o Paraná por 2 a 1 no Estádio do Café. Com 100% de aproveitamento e nove pontos somados, o Tubarão avançou como líder absoluto da chave.

Nas quartas de final, o sorteio colocou o Fluminense, então campeão defensor, no caminho paranaense. Beneficiado pelo regulamento de jogo único e por ter a segunda melhor campanha geral, o Londrina teve a vantagem de mandar o confronto em casa. Com autoridade, despachou os cariocas por 2 a 0.

A semifinal reservou um duelo dramático contra o Cruzeiro, de novo no Estádio do Café. Após sair atrás no placar, o Londrina buscou o empate por 2 a 2 de forma heroica aos 51 minutos do segundo tempo. Nos pênaltis, o goleiro César brilhou e o Tubarão venceu por 3 a 1, garantindo a vaga na final.

A decisão foi contra o Atlético-MG, que chegava embalado após eliminar Internacional e Paraná. Com o Estádio do Café completamente lotado por uma torcida esperançosa, as duas equipes travaram um duelo de muita marcação, e o placar permaneceu em 0 a 0 durante os 90 minutos. A definição do campeão então foi para as penalidades máximas. Sob o peso da responsabilidade, o Londrina converteu suas cobranças com precisão e triunfou por 4 a 2. A conquista coroou a competência do clube em meio ao colapso de uma liga nacional.

A campanha do Londrina:
6 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 8 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Gustavo Oliveira/Londrina