Ferroviário Campeão Cearense 1970

O Campeonato Cearense é mais um dos vários casos de estadual polarizado por dois clubes. Ceará e Fortaleza conquistaram mais de 80% dos títulos já postos em jogo no estado. São poucas taças que sobram para os demais clubes.

O principal time entre os outros é o Ferroviário, a eterna terceira força cearense. Por vezes, o Tubarão da Barra conseguiu fazer frente aos dois irmãos maiores e faturou algumas conquistas. Em 1970, a equipe foi campeã pela quinta vez, repetindo o feito de 1945, 1950, 1952 e 1968.

A edição de 1970 do estadual contou com oito clubes na disputa de três turnos. O líder de cada terço do campeonato garantiu vaga no triangular final. O Ferroviário teve como adversários Ceará, Fortaleza, Guarany de Sobral, Quixadá, Calouros do Ar, Tiradentes e América de Fortaleza.

No primeiro turno, o Tubarão fez sete jogos. Venceu três, empatou três e perdeu um, somando nove pontos e ficando em terceiro na classificação, dois pontos atrás do líder Guarany. Faltou pouco para o time obter um lugar no triangular decisivo logo na primeira chance, mas a goleada por 6 a 1 sobre o Tiradentes deu mostras do que viria a acontecer no segundo turno.

Nas sete partidas seguintes, o Ferroviário emplacou sete vitórias e foi líder da segunda fase com 14 pontos, dois a mais que o vice Ceará. Na ordem, a equipe fez 2 a 1 no Tiradentes, 6 a 0 no América, 5 a 0 no Quixadá, 1 a 0 no Calouros do Ar, 3 a 1 no Ceará, 2 a 1 no Guarany e 1 a 0 no Fortaleza. 

Garantido na final, o Ferroviário baixou o ritmo no terceiro turno e voltou a ficar em terceiro lugar, com quatro vitórias, um empate, duas derrotas e nove pontos, dois a menos que o líder Ceará.

O triangular decisivo contou com Guarany de Sobral, Ferroviário e Ceará, em três confrontos no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. Na primeira partida, Ferroviário e Ceará empataram por 0 a 0. Na segunda, os alvinegros voltaram a empatar sem gols com Guarany e sepultaram a chance do título. Na última partida, o Tubarão fez 3 a 1 no time de Sobral e foi campeão estadual com três pontos.

A campanha do Ferroviário:
23 jogos | 15 vitórias | 5 empates | 3 derrotas | 45 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto Arquivo/Ferroviário

Ferroviário-SC Campeão Catarinense 1970

O Campeonato Catarinense é um dos mais equilibrados do Brasil, com vários campeões ao longo dos anos. Também é um dos raros casos de estadual em que o interior tem mais títulos que a capital. A maior concentração de conquistas está no quinteto Avaí, Figueirense, Criciúma, Chapecoense e Joinville.

Em 1970, Chapecoense e Joinville ainda não existiam, Criciúma se chamava Comerciário e tinha apenas um título, e Avaí e Figueirense não venciam desde a década de 1940. O interior de Santa Catarina fazia a festa frequentemente, e em 1970 foi a vez da cidade de Tubarão faturar o título. O Esporte Clube Ferroviário, clube que existiu entre 1944 e 1992, levou seu único estadual naquele ano.

O torneio vencido pelo "Rubro-negro da Vila Oficinas", ou "Ferrinho", contou com 15 participantes e teve um regulamento simples, de pontos corridos. Ou melhor, de pontos perdidos. O primeiro critério de desempate na tabela de classificação era o de menos derrotas. Na estreia, o Ferroviário bateu por 1 a 0 Caxias de Joinville, no Estádio Domingos González, em Tubarão. Nos 14 jogos do primeiro turno, o time venceu dez, empatou dois e perdeu dois, se colocando na disputa do título no segundo turno.

O returno iniciou novamente contra o Caxias, com empate por 0 a 0 em Joinville. Na sequência, o Ferroviário goleou por 4 a 1 o Palmeiras de Blumenau em casa. A campanha foi grandes momentos para o rubro-negro, como a goleada por 6 a 1 sobre o Carlos Renaux em Tubarão, embora ainda houvessem duras derrotas, com a de 4 a 0 para o principal concorrente a taça, o Olímpico, em Blumenau.

Na última rodada, o Ferroviário era o líder do estadual com 38 pontos e cinco derrotas. Em segundo, vinha o Olímpico com 37 pontos e seis derrotas. Em terceiro, estava o América de Joinville com 36 pontos e três derrotas. Em quarto, o Próspera tinha 36 pontos e seis derrotas. Eram os quatro times com chances de ser campeão. O Ferrinho jogava por um empate, independentemente dos outros resultados.

Quis o destino que o título fosse conquistado no clássico contra o Hercílio Luz, no Domingos González. No primeiro turno, o Ferroviário venceu por 2 a 1 fora de casa, no Aníbal Costa. Em casa, nem precisou da vitória, muito menos de gols. O empate por 0 a 0 serviu a conquista do Catarinense, com 39 pontos e cinco derrotas. O Olímpico até venceu sua partida na rodada e igualou os 39, mas com seis derrotas.

A campanha do Ferroviário-SC:
28 jogos | 16 vitórias | 7 empates | 5 derrotas | 44 gols marcados | 27 gols sofridos


Foto Orestes Araújo

Santa Cruz Campeão Pernambucano 1970

O ano de 1970 foi um marco histórico para o Santa Cruz. Não apenas por causa da conquista do bicampeonato pernambucano, seu 11º título estadual, mas também por conta da abertura do Estádio José do Rego Maciel, o Arruda. A casa da Cobra-coral estava sendo construída desde 1965 e seria concluída em 1972, porém o clube passou a mandar seus jogos no local em 1970, ainda em obras.

O estadual teve o mesmo regulamento do ano anterior, com oito participantes. Na primeira fase, Sport, Náutico, Central, América de Recife, Santo Amaro, Ferroviário de Recife, Íbis e Santa Cruz se enfrentaram em dois turnos. O campeão se garantiu na final e os seis primeiros colocados passaram à segunda fase. Na etapa seguinte, os enfrentamentos também aconteceram em turno e returno, o com o líder ocupando a outra vaga na decisão.

Se em 1969 o Santinha só conseguiu chegar na final na disputa da segunda fase, em 1970 as coisas foram diferente. Em 14 partidas na primeira etapa, o time venceu 11, empatou duas e perdeu uma. Com 24 pontos, o Santa Cruz foi líder com um de vantagem sobre o Sport e dois sobre o Náutico. A classificação à decisão veio de maneira antecipada, ao derrotar o rival Náutico por 2 a 0 fora de casa, na penúltima rodada. Sport, Náutico, Central, América e Santo Amaro foram os outros que avançaram

Na segunda fase, o Santa Cruz entrou podendo até ser campeão sem precisar da final, caso também fosse líder. Mas a equipe ficou na segunda posição, com 15 pontos em dez jogos. Foram sete vitórias, um empate e duas derrotas na continuação da campanha. Na última rodada, o Santa empatou por 1 a 1 com o rival Sport na Ilha do Retiro, enquanto o Náutico fez 1 a 0 no Central e encerrou em primeiro lugar com 17 pontos.

O título foi definido no Clássico das Emoções. A primeira partida entre Santa Cruz e Náutico não foi nos Aflitos, e sim na Ilha do Retiro, terminando empatada por 0 a 0. O segundo jogo foi realizado no Arruda e o Santa venceu por 2 a 1, encaminhando a conquista. Bastava não perder a terceira partida, também no Arruda. Dito e feito: com vitória por 2 a 0, o Santa Cruz levantou de novo a taça estadual.

A campanha do Santa Cruz:
27 jogos | 20 vitórias | 4 empates | 3 derrotas | 61 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Arquivo/Santa Cruz

Bahia Campeão Baiano 1970

O Campeonato Baiano é um caso de estadual que é dominado por apenas dois clubes, mas que tem o maior vencedor a dezenas de taças de distância para o segundo colocado. No caso, o clube que leva em seu nome o do próprio estado, o Bahia. Fundado em 1931, o Tricolor de Aço ascendeu ao posto de maior campeão já na década de 1940. Em 1970, o clube chegou na 22ª conquista.

O Baianão daquele ano tinha tudo para ser tranquilo, mas o final foi confuso. O regulamento reuniu 16 times em grupo único e dois turnos, com o ganhador de cada turno classificado à decisão. O Bahia estava sem ganhar desde 1967, vendo as taças de 1968 e 1969 irem para Galícia e Fluminense de Feira, respectivamente. Junto com o Vitória, eles eram de início os maiores obstáculos do Tricolor.

O Bahia iniciou o primeiro turno com triunfos por 1 a 0 sobre o Feira e por 3 a 1 sobre o Ypiranga, no Campo da Graça, em Salvador. Nas 13 partidas restantes, o Tricolor teve mais sete triunfos, cinco empates e uma derrota, conquistando o primeiro lugar e vaga na final com 23 pontos, um a mais que o vice Jequié. A confirmação veio na última rodada, no empate por 1 a 1 com o Monte Líbano.

No segundo turno, o Bahia foi atrás do título em definitivo, mas em seu caminho cruzou o Itabuna. O clube do interior surpreendeu a todos e foi vencedor do segundo turno com 24 pontos. Com 10 triunfos, três empates e duas derrotas, o Tricolor somou 23 pontos e ficou em segundo. Contudo, o clube entrou na justiça pedindo os dois pontos da partida contra o próprio Itabuna, que ficou empatada por 1 a 1.

A história extracampo não deu em nada. Itabuna e Bahia já haviam feito suas 15 partidas e estavam na final estadual. Tanto que os clubes que ainda tinham jogos a fazer no returno pediram à Federação Bahiana o cancelamento dos mesmos. Contudo (de novo), outro problema apareceu, a disputa do Campeonato Brasileiro por parte do Bahia, que fez com que a decisão fosse adiada em três meses.

Assim, Bahia e Itabuna, que deveriam ter feito a final em setembro, só atuaram em dezembro, em melhor de três jogos no Campo da Graça. Vindo de atividade no Brasileiro, o Bahia faturou o título estadual com facilidade e dispensando a necessidade do terceiro jogo, com triunfos por 3 a 0 e por 6 a 0 em cima de um adversário que estava parado, com diretoria nova e elenco remontado às pressas.

A campanha do Bahia:
32 jogos | 21 triunfos | 8 empates | 3 derrotas | 63 gols marcados | 18 gols sofridos


Foto Arquivo/Revista Manchete

Athletico-PR Campeão Paranaense 1970

O Campeonato Paranaense é dividido majoritariamente entre duas forças, Athletico e Coritiba. Ainda assim, houve épocas em que outros clubes apareceram, como Londrina, Paraná e seus ancestrais que mudaram de nome ou se fundiram (Britânia, Ferroviário, Pinheiros e Colorado).

Também resultado de uma fusão, entre América e Internacional, o Athletico surgiu em 1924 e logo em seguida venceu seu primeiro estadual, em 1925. Os títulos foram frequentes até 1949, quando o time entrou em uma fila que durou nove anos, até 1958. Depois, o jejum seria ainda maior, de 12 temporadas, até 1970, quando foi campeão pela 11ª vez. Mas esta também foi uma conquista esporádica.

O Paranaense de 1970 foi composto por 14 times. Na primeira fase, eles se enfrentaram em turno e returno, mas com a classificação dividida em dois grupos. Os três melhores de cada chave passaram à fase final, um hexagonal também em disputado dois turnos e que apontou o campeão. O Furacão compôs o grupo B e teve como adversários de tabela Grêmio Maringá, Seleto de Paranaguá, Ferroviário de Curitiba, Paranavaí, Operário de Ponta Grossa e Cianorte.

Nas 26 partidas que fez na primeira fase, o Athletico conseguiu 12 vitórias, sete empates e sete derrotas, que lhe confirmou a classificação em segundo lugar da chave e com a quarta campanha no geral. Com 31 pontos, o Furacão marcou três a menos que o líder Grêmio Maringá e um a mais que o terceiro colocado Seleto. Essas equipes juntaram-se à Coritiba, Grêmio Oeste de Guarapuava e União Bandeirante no hexagonal decisivo.

Não dava para errar na fase final. O Athletico estreou com empate por 0 a 0 com o Grêmio Oeste fora de casa. A primeira vitória veio em Curitiba, por 1 a 0 sobre o Grêmio Maringá. Nos sete jogos seguintes, o time venceu mais quarto, empatou mais dois e perdeu um. Com 14 pontos até a penúltima rodada, o clube era líder com um de vantagem sobre o rival Coritiba. Ou seja, era só vencer o Seleto na última partida para confirmar o título. Mas o Furacão foi além e comemorou goleada por 4 a 1 sobre o adversário no Estádio Orlando Mattos, em Paranaguá, litoral paranaense.

A campanha do Athletico-PR:
36 jogos | 18 vitórias | 10 empates | 8 derrotas | 61 gols marcados | 37 gols sofridos


Foto Sérgio Sade/Athletico-PR

Argentina Campeã da Copa América 2024

Um novo caminho pode ter começado na Copa América de 2024. A começar pelo alinhamento da competição aos anos pares, algo que era para ter acontecido em 2020, mas que a Conmebol adiou a edição daquele ano para 2021, devido a pandemia de covid-19. Por fim, o aumento para 16 seleções, repetindo a fórmula adotada na disputa do centenário, em 2016, com as dez equipes sul-americanas e seis convidadas.

A Conmebol escolheu os Estados Unidos como anfitrião para a edição de 2024. Inicialmente, acreditava-se que seria seguido o velho rodízio de países-sede iniciado em 1987, que zerou o primeiro ciclo em 2007 e abriu o segundo em 2011. Seria a vez do Equador, mas o país recusou a organização. Então, a entidade aproveitou a oportunidade para refazer a parceria com a Concacaf, que usou sua Liga das Nações para classificar os seis times a mais do regulamento: Estados Unidos, México, Jamaica, Panamá, Costa Rica e Canadá (estreante).

Foi nos gramados reduzidos da NFL que a Argentina chegou ao 16º título sul-americano, o segundo consecutivo e oito anos depois do traumático vice no mesmo território. Em outro contexto, foi uma conquista que coroou de vez a trajetória de Ángel Di María com a camisa azul e branca. As seleções que disputaram o torneio foram divididas em quatro grupos na primeira fase. La Albiceleste ficou no grupo A, contra Canadá, Chile e Peru. Na estreia, venceu os canadenses por 2 a 0. Depois, bateu os chilenos por 1 a 0 e os peruanos pelo mesmo placar. Com nove pontos, os argentinos passaram em primeiro na chave.

O adversário da Argentina nas quartas de final foi o Equador. Lisandro Martínez abriu o placar albiceleste no primeiro tempo, mas os equatorianos buscaram o empate por 1 a 1 nos acréscimos da  segunda etapa e levaram aos pênaltis. Nas cobranças, Emiliano Martínez defendeu duas e os argentinos venceram por 4 a 2. Na semifinal, foi a vez de reencontrar o Canadá e vencer novamente por 2 a 0, gols de Julián Álvarez e Lionel Messi.

A final foi entre Argentina e Colômbia, que eliminou Costa Rica, Paraguai, Panamá e Uruguai. A partida foi realizada no Estádio Hard Rock, em Miami. Em uma partida complicada, o La Albiceleste só foi conseguir a vitória após mais de 100 minutos de futebol. E sem Messi em campo, saído com lesão no tornozelo durante o segundo tempo normal. Aos sete minutos do segunda etapa da prorrogação, o artilheiro Lautaro Martínez, vindo do banco de reservas, fez 1 a 0 e confirmou o título argentino. 

A campanha da Argentina:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 9 gols marcados | 1 gols sofridos


Foto Omar Vega/Getty Images

Espanha Campeã da Eurocopa 2024

O principal campeonato de seleções depois da Copa do Mundo, a Eurocopa, teve mais uma edição em 2024, três anos depois da disputa adiada de 2020/2021. Esse foi o menor tempo de espera entre um torneio e outro, pois o normal é aguardar quatro temporadas. Normal também é o uso de um ou dois países-sede, e não 11 como aconteceu na última vez. Nesta oportunidade, a UEFA optou por colocar a competição inteiramente na Alemanha. 

Em solo alemão, foi vista uma Eurocopa que começou com jogos abertos e de muitos gols, ficou amarrada e econômica na metade, e terminou com viradas e fortes emoções. O título ficou nas mãos da Espanha, que repetiu 1964, 2008 e 2012 e chegou ao tetra do campeonato, sendo a equipe de melhor futebol apresentado. No grupo B da primeira fase, iniciou a campanha vencendo a Croácia por 3 a 0. Na segunda rodada, derrotou a Itália por 1 a 0. Por fim, os espanhóis fizeram 1 a 0 na Albânia e encerraram a etapa no primeiro lugar da chave, com nove pontos.

La Roja chegou para as oitavas de final para enfrentar a Geórgia. De virada, venceu por 4 a 1. Depois, encarou a Alemanha nas quartas. Na prorrogação, a equipe passou pela anfitriã do torneio ao vencer por 2 a 1. Na semifinal, foi a vez de eliminar a França com os mesmos 2 a 1, de virada, com gols marcados por Lamine Yamal, de apenas 17 anos, e Dani Olmo.

Na decisão, a Espanha enfrentou a Inglaterra. Para chegar lá, os ingleses superaram Sérvia, Eslováquia, Suíça e Holanda. O estádio que recebeu a partida foi o Olímpico de Berlim, na capital alemã. Mais de 70 mil torcedores assistiram à final. No primeiro tempo, os espanhóis foram ao ataque e os ingleses atuaram esperando um erro adversário, mas nada aconteceu.

Os gols só surgiram no segundo tempo. Aos dois minutos, Nico Williams abriu o placar para La Roja. Os ingleses até empataram o jogo aos 28, mas os espanhóis tinham mais time e mais vontade de vencer. Aos 43 minutos, Mikel Oyarzabal saiu do banco de reservas para fazer 2 a 1 e confirmar um tetracampeonato único na história da Eurocopa. Afinal, a Espanha desempatou o ranking de títulos com a Alemanha e se tornou a maior vencedora de todos os tempos na Europa, com 100% de aproveitamento.

A campanha da Espanha:
7 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Stu Forster/Getty Images