Rompendo qualquer limite existente, a Copa do Mundo de 2026 voltou a ancorar na América do Norte. Sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, esta foi a primeira edição da história a abrigar 48 seleções, transformando o torneio em uma maratona de sobrevivência física e mental ao longo de quase quarenta dias de disputa. Cruzar distâncias entre Vancouver, Cidade do México e Miami sob o calor do verão norte-americano exigiu dos atletas uma resiliência sem precedentes.
No extracampo, as críticas ficam para a interferência política direta na gestão do torneio, que incluem a proibição da entrada de muitos torcedores e até mesmo um de árbitro nos Estados Unidos, as restrições logísticas impostas à participação do Irã, e a anulação do cartão vermelho do atleta estadunidense Folarin Balogun no jogo contra a Bósnia, após um pedido do presidente Donald Trump.
Para a Espanha, no entanto, os desafios serviram como palco para a consagração definitiva de sua identidade tática. Coroando um trabalho que uniu a posse de bola à precisão, tanto ofensiva quanto defensiva, de uma geração de jovens predestinados, a Roja conquistou seu segundo título mundial, desenhando uma era de ouro que já havia faturado a Eurocopa de 2024, tal qual feito em 2008 e 2010.
Apontada com uma das candidatas ao título desde o início, a campanha da Espanha começou no Grupo H. Na estreia, a equipe parou na defesa do estreante Cabo Verde e ficou apenas no empate em 0 a 0. Na segunda rodada, os gols apareceram e os espanhóis a Arábia Saudita por 4 a 0. Na última partida, a Roja garantiu a liderança da chave com sete pontos ao bater o Uruguai por 1 a 0, sem empolgar muito.
Por ser o primeiro Mundial com 48 times, a Espanha precisou passar pela inédita fase de 16 avos de final. O adversário foi a Áustria e a classificação veio com uma vitória por 3 a 0 e a seleção começou a evoluir de fato. Nas oitavas de final, a Espanha enfrentou Portugal e venceu por 1 a 0, gol marcado por Mikel Merino aos 46 minutos do segundo tempo.
Nas quartas de final, a Espanha encarou a Bélgica. Mantendo a frieza, a Roja venceu por 2 a 1, com os gols anotados por Fabián Ruiz, e outra vez por Merino nos minutos finais. Na semifinal, o teste de fogo foi contra a França, que vinha embalada e era a principal favorita ao título. Porém, tudo foi resolvido com maturidade: um incontestável 2 a 0, construído com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro.
A consagração final aconteceu no Estádio Metlife, em Nova York/Nova Jersey. Diante da Argentina, defensora do troféu que passou por Jordânia, Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra, a Espanha precisou flertar com a perfeição. E conseguiu, com domínio absoluto desde o primeiro minuto, mesmo que o gol tenha teimado em não sair. Permitindo apenas duas finalizações do adversário, contra 20 das suas, a seleção espanhola empilhou chances e viu o goleiro argentino fazer várias defesas nos 90 minutos. Na prorrogação, Ferran Torres saiu do banco de reservas para aproveitar a boja ajeita por Nico Williams de cabeça e fazer o gol do bicampeonato, no primeiro minuto do segundo tempo extra.
Com a vitória por 1 a 0, a Espanha provou que a juventude, quando aliada à disciplina tática, é capaz de dominar o planeta, coroando um trabalho que foi construído pelo técnico Luís de La Fuente desde as categorias de base. Por fim, a taça foi erguida pelo capitão Rodri, voltando a ficar sob domínio europeu.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Proibido spam e sugestões. Permitido correções na identificação de fotos ou nos textos.