Flamengo Campeão Carioca 2020

Saiu o primeiro campeão estadual de 2020. O Flamengo conseguiu sua 36º taça no Cariocão, em uma disputa onde o futebol ficou em planos menores. Primeiro, por conta da pandemia de Covid-19, que forçou o futebol brasileiro a paralisar por quatro meses (e o Rio de Janeiro foi o primeiro Estado a retornar).

E segundo, por conta da "guerra" com a televisão, pois o Fla não se acertou com a Globo e passou a ter domínio sobre seu próprio direito de transmissão após o Governo Federal assinar a MP 984/2020, que determina que somente o clube mandante tem poderes sobre as imagens das partidas de futebol (antes os direitos pertenciam também ao visitante). Assim, o time rubro-negro passou a fazer suas próprias transmissões pela internet e vendeu os direitos da volta da final para o SBT.

Teve bola rolando no meio disso tudo. Antes da paralisação, o Flamengo conquistou a Taça Guanabara vencendo o Boavista na decisão, por 2 a 1. Com meio caminho andado e no retorno das atividades, o clube foi vice da Taça Rio para o Fluminense, perdendo nos pênaltis por 3 a 2 depois de empatar o tempo normal por 1 a 1.

Na final geral, outra vez contra o Fluminense, duas partidas em um Maracanã de portões fechados e com um hospital de campanha montado ao lado do estádio. O título carioca veio com duas vitórias, por 2 a 1 na ida e por 1 a 0 na volta.

A campanha do Flamengo:
17 jogos | 14 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 34 gols marcados | 11 gols sofridos


Foto Marcelo Cortes/Flamengo

Real Madrid Campeão Mundial 2002

Tóquio agora fazia parte do passado. A partir de 2002, a Copa Intercontinental desembarcava de vez no século 21. Sequer cogitado para uma reforma, o Estádio Nacional não foi um dos escolhidos para sediar a Copa do Mundo naquele ano, pois o Japão preferiu construir praticamente tudo do zero.

Quatro anos antes, surgira o Estádio Internacional, em Yokohama. Com 73 mil lugares de capacidade e muito mais moderno que a sede olímpica de 1964, a casa do local F. Marinos foi escolhida para receber a final do torneio de seleções. Diante da nova realidade, Toyota, UEFA e Conmebol viram no novo estádio uma oportunidade de elevar ainda mais o nível do Mundial Interclubes, tanto no aspecto financeiro quanto no espetáculo em si. Assim, a disputa mudava de sede pela primeira vez em 22 anos.

O primeiro clube europeu a pisar em Yokohama foi também o primeiro a jogar um Mundial, e um dos últimos a atuar em Tóquio: o Real Madrid. O nono título da Liga dos Campeões foi o início da “Era Galácticos” do time madridista, ainda que nem todos estivessem no elenco na época da decisão, vencida por 2 a 1 sobre o Bayer Leverkusen. Antes disso, o Real já havia superado Porto, Bayern de Munique e Barcelona pelo caminho. A conquista ainda marcava os 100 anos de história do clube.

Pela América do Sul, o Olimpia também coroava seu centenário com o tricampeonato da Libertadores. O clube paraguaio eliminou Cobreloa, Boca Juniors e Grêmio, até fazer história na final contra a surpresa São Caetano: depois de perder a ida em casa por 1 a 0 e sair atrás na volta, conseguiu virar para 2 a 1 no segundo tempo e venceu nos pênaltis por 4 a 2.

Campeão da Europa com Zinedine Zidane e Luís Figo no comando do meio-campo, além de Raúl no ataque, Roberto Carlos e Fernando Hierro na defesa, o Real Madrid seguia a construção dos Galácticos com as chegadas de Esteban Cambiasso e Ronaldo — que seis meses antes do Mundial havia marcado os dois gols do Brasil na final da Copa contra a Alemanha. A história do Fenômeno em Yokohama não se restringiria ao penta. Em 3 de dezembro, ele voltou ao Estádio Internacional para ser o nome do jogo contra o Olimpia, que sentiu a pressão de enfrentar uma verdadeira seleção mundial.

Aos 14 minutos do primeiro tempo, Roberto Carlos lançou para Ronaldo, que, na entrada da área, driblou um zagueiro e abriu o placar após tocar na saída do goleiro Ricardo Tavarelli. O Fenômeno ainda teve outras chances de ampliar a vantagem espanhola, mas foi o reserva Guti quem marcou o 2 a 0, aos 38 minutos do segundo tempo, ao escorar de cabeça uma bola cruzada por Figo. Sem sofrer riscos ao longo da partida, o Real Madrid conquistava seu terceiro título mundial — o primeiro na nova casa japonesa.


Foto Masahide Tomikoshi

Bayern de Munique Campeão Mundial 2001

Os torcedores conviveram com a disputa de duas competições mundiais entre clubes na virada para o século 21. O torneio da FIFA de janeiro de 2000 foi muito criticado, mas a entidade seguiu em frente com a ideia. Para 2001, a proposta era a expansão: aumento de oito para 12 participantes, e de duas para três sedes (quatro estádios). Programado para julho e agosto, o Mundial teria os europeus Real Madrid, La Coruña e Galatasaray, e os sul-americanos Boca Juniors e Palmeiras.

A programação estava definida, porém tudo foi por água abaixo em maio, quando a ISL – maior parceira da FIFA – decretou falência. Outros problemas de patrocínio fizeram a competição ser adiada para 2003, mas as dificuldades persistiram e a entidade acabou cancelando tudo de vez. Na contramão disso, a Copa Intercontinental continuou em alta com sua simplicidade. A edição de 2001 ficou marcada pela despedida de um dos maiores personagens da jornada de 41 anos: o Estádio Nacional de Tóquio.

O Boca Juniors não ficou na mão com o adiamento da FIFA, conquistou o tetracampeonato da Libertadores e garantiu a vaga para a última decisão na capital japonesa. O time argentino eliminou Deportivo Cali, Junior Barranquilla, Vasco, Palmeiras e o Cruz Azul na final, vencendo nos pênaltis por 3 a 1, depois de triunfar na ida e perder a volta por 1 a 0.

Na Liga dos Campeões, o Bayern de Munique superou o trauma de 1999 e também levantou a taça pela quarta vez, passando por Lyon, Manchester United e Real Madrid antes de vencer o Valencia na decisão, igualmente nos pênaltis: 1 a 1 no tempo normal e 5 a 4 nas cobranças.

No dia 27 de novembro, mais de 51 mil pessoas testemunharam o 22º e último Mundial em Tóquio. Boca e Bayern fizeram um jogo de poucas chances de gol e muitas faltas. O trio Juan Román Riquelme, Guillermo Schelotto e Marcelo Delgado não conseguiu furar o gol de Oliver Kahn e ainda sofreu um desfalque nos acréscimos do primeiro tempo, quando Delgado foi expulso por simular um pênalti.

O ataque alemão, que na verdade era formado pelo brasileiro Élber e pelo peruano Claudio Pizarro, também não conseguiu superar Óscar Córdoba nos 90 minutos. O gol do título do Bayern de Munique saiu de forma chorada, aos quatro minutos do segundo tempo da prorrogação. Bixente Lizarazu bateu escanteio, Thorsten Fink cabeceou, a defesa argentina não conseguiu afastar e a bola sobrou para o ganês Samuel Kuffour, que fez 1 a 0 e confirmou o bicampeonato mundial para o clube bávaro. Com certas emoções, o maior dos palcos mundialistas recebeu um desfecho digno.


Foto Imago/HJS

Boca Juniors Campeão Mundial 2000

Nada mudou no planejamento de Conmebol, UEFA e Toyota em razão da criação do Mundial de Clubes da FIFA. A Copa Intercontinental seguiu sua programação normal e, no ano 2000, recebeu duas das camisas mais pesadas que o futebol já viu. O Japão falaria espanhol no final do século XX.

Terceiro lugar no Mundial do Brasil em janeiro, o Real Madrid conquistou sua oitava Liga dos Campeões meses depois. No mata-mata europeu, o time merengue derrubou Manchester United, Bayern de Munique e Valencia na decisão, vencendo por 3 a 0.

Na Libertadores, surgia uma nova dinastia sul-americana. O Boca Juniors alcançou seu terceiro título continental sob o comando técnico de Carlos Bianchi e com um jovem Juan Román Riquelme brilhando no meio-campo. O clube xeneize eliminou Universidad Católica, El Nacional, River Plate e América do México, antes de superar o Palmeiras na final em três atos: 2 a 2 na ida, 0 a 0 na volta e 4 a 2 nos pênaltis.

O Mundial mais famoso foi disputado em 28 de novembro. Os dois times chegaram ao Estádio Nacional de Tóquio com elencos repletos de estrelas. De um lado, Raúl, Fernando Hierro, Iker Casillas, Roberto Carlos e Luís Figo. Do outro, Riquelme, Martín Palermo, Óscar Córdoba e José Basualdo. O brilho em campo sugeria uma partida movimentada. Poucos, no entanto, imaginariam que ela seria decidida tão rapidamente.

Já aos três minutos do primeiro tempo surgiu o nome do jogo (e o futuro dono do carro). Palermo abriu o placar para o Boca após escorar cruzamento de Marcelo Delgado pela ponta esquerda. Foi seu primeiro toque na bola, na primeira chance argentina. Aos seis, Riquelme iniciou um contra-ataque com um lançamento do campo defensivo. A bola caiu nos pés de Palermo, que ganhou na corrida do lateral Geremi e tocou na saída de Casillas. Em seis minutos, dois gols de El Loco praticamente decidiram o rumo do Mundial.

O Real Madrid conseguiu descontar tão rápido quanto sofreu os golpes. Aos 12, Roberto Carlos aproveitou um corte errado de Hugo Ibarra e acertou um golaço da entrada da área pela esquerda. Depois do 2 a 1 relâmpago, muitos esperavam uma chuva de gols, mas as redes não balançaram mais até o apito final. Melhor para o Boca Juniors, que conquistou seu segundo título mundial e voltou à primeira fila do futebol após 22 anos. E foi um retorno para durar quase toda a década.


Foto Shaun Botterill/Allsport/Getty Images

Corinthians Campeão Mundial 2000

A Copa Intercontinental e seu êxito em apontar um campeão mundial sempre despertou na FIFA um tipo de “ciúme”. A entidade buscou, por diversas vezes, algum tipo de parceria e a inclusão de outras confederações no torneio. Só que nunca houve acordo com Europa e América do Sul.

Na virada do milênio, a FIFA resolveu criar sua própria competição, anual e paralela à UEFA, Conmebol e Toyota. A ideia, levantada em 1993 e aprovada em 1997, foi o último grande ato de João Havelange na presidência da entidade — e o primeiro de um ainda candidato à presidência Joseph Blatter, que viria a ser eleito em 1998.

O Mundial de Clubes estava previsto para o fim de 1999, e o Brasil acabou escolhido como sede, com grande lobby. Porém, como a temporada brasileira terminava somente na semana do Natal, a disputa foi postergada para janeiro de 2000.

Cada confederação indicou seu representante campeão. A UEFA convocou o Manchester United (vencedor da Liga dos Campeões); a Conmebol optou pelo Vasco (vencedor da Libertadores 1998); a Concacaf designou o mexicano Necaxa; a CAF trouxe o marroquino Raja Casablanca; a AFC enviou o saudita Al-Nassr; e a OFC teve o australiano South Melbourne. Para completar oito equipes, a FIFA convidou o Real Madrid, campeão mundial de 1998, e a CBF chamou o Corinthians, campeão brasileiro do mesmo ano, que viria a vencer também em 1999.

Embalado e com um ótimo time, o Timão jogou a fase de grupos no Morumbi. Sua estreia foi contra o Al-Nassr, vencendo por 2 a 0. No jogo seguinte, empate por 2 a 2 contra o Real Madrid, com Edílson brilhando e marcando os dois gols — o segundo com direito a janelinha nas pernas do volante Christian Karembeu. Por fim, 2 a 0 sobre o Raja Casablanca garantiu a classificação à decisão, com o Corinthians liderando a chave com sete pontos e quatro gols de saldo. O Real foi segundo, também com sete pontos, mas saldo três.

A final foi contra o Vasco, que vinha de ótimas vitórias sobre o Manchester United e os demais adversários. Em 120 minutos, nada de gols. Nos pênaltis, Freddy Rincón, Fernando Baiano, Luizão e Edu converteram para os corintianos, enquanto apenas três vascaínos acertaram. Marcelinho Carioca teve a chance de fazer o gol do título, mas perdeu a última cobrança.

A sorte do dia 14 de janeiro de 2000 estava do lado do Corinthians: Edmundo também errou o último chute carioca. Por 4 a 3, o Alvinegro conquistava seu primeiro título mundial, uma taça especial no coração da fiel torcida. E, apesar do sucesso da FIFA na organização, o Mundial de Clubes nascia com mais dúvidas do que certezas. Como seria em 2001?


Foto Alexandre Battibugli/Placar

Manchester United Campeão Mundial 1999

Inventores do futebol moderno, os britânicos se consideraram, durante muitos anos, importantes demais para disputar competições contra clubes e seleções de outros países — especialmente os ingleses, que se sobressaíam diante dos escoceses, galeses e irlandeses. Para eles, o mundo era composto apenas por suas duas ilhas. Esse cenário só mudou nos anos 1950, e o preço pela arrogância foi caro: na Copa Intercontinental, demorou quase quatro décadas para que um time do Reino Unido chegasse ao título.

O feito coube ao inglês Manchester United em 1999, após ter sido vice em 1968. Já com 13 anos de comando no clube, Alex Ferguson havia montado uma ótima equipe, com David Beckham, Ryan Giggs, Paul Scholes e Gary Neville. Mas o heroísmo no título da Liga dos Campeões daquela temporada coube a dois reservas: Teddy Sheringham e Ole Solskjaer, autores dos gols na histórica virada por 2 a 1 contra o Bayern de Munique, nos acréscimos do segundo tempo. Antes disso, os Red Devils já tinham deixado para trás Barcelona, Internazionale e Juventus.

O oponente inglês no Mundial veio do Brasil, que conquistava sua terceira taça consecutiva na Libertadores. O Palmeiras enfim alcançava seu primeiro título, após eliminações marcantes sobre Vasco, Corinthians e River Plate. Na decisão contra o Deportivo Cali, derrota na ida por 1 a 0 e vitória na volta por 2 a 1 levaram o Verdão à disputa de pênaltis, onde venceu por 4 a 3.

O Nacional de Tóquio recebeu o Mundial de 1999 no dia 30 de novembro. O Palmeiras não devia nada ao United, já que contava com grandes jogadores, como Alex, Zinho, Paulo Nunes, Francisco Arce e César Sampaio. O foco estava todo no time inglês, mas não houve facilidade para o lado brasileiro, que teve quase o dobro de finalizações durante os 90 minutos.

Dois lances decidiram o título em favor do Manchester United. Aos 35 minutos do primeiro tempo, Giggs fez boa jogada pela ponta esquerda e cruzou para a área. O goleiro Marcos saiu mal, não achou a bola, e ela sobrou para Roy Keane finalizar e abrir o placar. Aos nove minutos do segundo tempo, Evair lançou Alex em profundidade; ele saiu de trás da defesa, ficou cara a cara com Mark Bosnich e empatou o jogo. Ou quase isso, pois o lance acabou mal anulado pelo bandeirinha. Até hoje os palmeirenses reclamam, e com razão.

O fato é que o 1 a 0 permaneceu até o fim, apesar da pressão brasileira. E o United, que não mostrou muito brilho no Japão, ficou com o título inédito não só para si, mas também para toda a Inglaterra, que via, na quinta tentativa, um clube seu ser campeão mundial.


Foto Masahide Tomikoshi

Real Madrid Campeão Mundial 1998

Uma vida inteira pode ser colocada em quanto tempo? Talvez, em mais de 38 anos. Mas, para os torcedores do Real Madrid, 38 invernos foram mais do que suficientes para criar um sentimento nostálgico geral. Durou de 1960 a 1998 o período em que o clube merengue esteve fora do topo do futebol mundial.

Neste meio tempo, o Real co-dominou com o Barcelona o futebol espanhol e levou só três taças europeias: a longínqua Copa dos Campeões de 1996 e as Copas da UEFA de 1985 e 1986. Milionário, o clube formou um dos primeiros elencos mundiais da era pós-Lei Bosman. Só quatro espanhóis entraram em campo na final da Liga dos Campeões de 1998, contra a Juventus. O Real Madrid venceu por 1 a 0 e conquistou o sétimo título continental e a vaga ao Mundial. Antes, o time impôs eliminações sobre Feyenoord, Dínamo de Kiev e Mônaco.

Ao mesmo tempo em que o Real conseguia um retorno de 32 anos à Copa Intercontinental, um grande esquadrão brasileiro chegava ao primeiro título na Libertadores. O Vasco, que tinha uma remota aparição na Copa Rio de 1951 e o título sul-americano de 1948, venceu os dois jogos da decisão contra o Barcelona de Guayaquil, por 2 a 0 na ida e 2 a 1 na volta. Para chegar à conquista, o cruz-maltino bateu justamente os últimos três campeões do torneio: Cruzeiro, Grêmio e River Plate.

O encontro no Mundial aconteceu no dia 1º de dezembro. O Real Madrid possuía o favoritismo, mas o Vasco chegava com um grupo unido, que não daria sossego em campo. Diferentemente das três finais anteriores no Nacional de Tóquio, a partida foi lá e cá. Dois fatores foram determinantes para a decisão do título em favor do time espanhol: a sorte e a habilidade de um jovem ídolo.

Os dois times criavam oportunidades quando uma infelicidade vascaína levou ao primeiro gol do Real. Aos 25 minutos do primeiro tempo, Clarence Seedorf inverteu uma bola para Roberto Carlos, no lado esquerdo. O lateral avançou e arriscou a finalização de fora da área. A bola iria para fora, não fosse o desvio do volante Nasa, que tentou afastar de cabeça, mas atirou para dentro do gol defendido por Carlos Germano.

Aos poucos, a equipe brasileira equilibrou a partida, chegando ao empate aos 11 do segundo tempo, quando Juninho Pernambucano aproveitou um rebote dado pelo goleiro Bodo Illgner e soltou uma bomba na entrada da grande área. Mas o dia era espanhol. Aos 38, Raúl recebeu lançamento em velocidade, deixou Vítor e Odvan no chão com dois dribles e marcou 2 a 1, sem chances para a defesa de Germano. E, 38 anos depois, o Real Madrid conseguia ser novamente o campeão mundial.


Foto Arquivo/Associated Press