França Campeã da Eurocopa 2000

Começa um novo milênio, e a Eurocopa desembarca no ano 2000 com mais uma novidade: pela primeira vez, a sede ficou dividida entre dois países. Os escolhidos foram Holanda e Bélgica, cada um concedendo quatro cidades e estádios para as partidas. Os belgas ficariam com a abertura, e os holandeses com a final. Tudo foi pensado para reduzir os custos da organização, que aumentavam edição após edição.

No campo, as forças se reorganizavam. Defendendo o título, a Alemanha fez uma péssima campanha, empatando um e perdendo dois jogos. Holanda e Itália mantiveram-se em alta, e foram acompanhas pela nova ascensão de Portugal. Mas o centro das atenções era mesmo a França. Vinda da conquista inédita da Copa do Mundo, a equipe de Zinedine Zidane, Youri Djorkaeff e Thierry Henry era a grande favorita a vencer.

No grupo D da Euro, os Bleus estrearam com irreparável vitória por 3 a 0 sobre a Dinamarca. A classificação veio logo na segunda partida, ao fazer 2 a 1 sobre a República Tcheca. O último jogo foi para definir a liderança, mas a França perdeu por 3 a 2 para a Holanda e teve que ficar no segundo lugar, com seis pontos.

O adversário nas quartas de final foi a Espanha, a qual venceu por 2 a 1. Portugal estava no caminho da semifinal, em Bruxelas. Em jogo agônico, o time francês virou para 2 a 1 a três minutos do fim da prorrogação, quando Henry fez o gol de ouro.

A final da Eurocopa aconteceu no De Kuip, estádio na cidade de Roterdã. O adversário da França foi a Itália, que eliminou Romênia e Holanda no mata-mata, além da anfitriã Bélgica na fase de grupos. A decisão foi jogada com altas doses de emoção, para os dois lados. Os italianos abriram o placar aos dez minutos do segundo tempo e ficaram com a taça na mão até aos 48, quando Sylvain Wiltord - que saiu do banco de reservas - empatou.

A prorrogação entrou mais uma vez na vida francesa, e aos 13 do primeiro tempo, David Trezeguet - outro oriundo da reserva - emendou de primeira o cruzamento de Bixente Lizarazu e virou para 2 a 1. Mais um gol de ouro, agora o do título. Bicampeã, a França confirmava todas as previsões e se consolidava com a melhor seleção do momento.

A campanha da França:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 13 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/FFF

Alemanha Campeã da Eurocopa 1996

De 1992 para 1996 a UEFA encarou um boom de novos filiados. Das 35 seleções envolvidas na Eurocopa do começo da década de 90, o número na seguinte saltou para 48. Foi o reflexo das dissoluções de União Soviética, Iugoslávia e Tchecoslováquia. Foi esse o principal motivo que levou a entidade europeia a aumentar mais uma vez os participantes de sua competição de seleções, dobrando de oito para 16 países. O anfitrião da nova era do torneio foi a Inglaterra, e algumas novidades já pintaram por lá, como a Rússia independente, a República Tcheca e a Croácia, que ficou naquele momento com a melhor parte do antigo elenco iugoslavo.

Mas o campeão continental seria um velho conhecido, e que já dava as caras pela segunda vez como um país só: a Alemanha, que naquele momento passava por uma transição de gerações. No grupo C da Euro, a estreia alemã foi contra a República Tcheca, vencendo sem sustos por 2 a 0. A classificação antecipada veio na vitória por 3 a 0 sobre a Rússia. Tranquila na chave, bastou empatar sem gols com a Itália na última rodada, eliminando a rival e confirmando sete pontos na liderança.

As quartas de final foram jogadas contra a outra novata que faltava, a Croácia, vencida por 2 a 1 em Manchester.  A adversária da semifinal foi a Inglaterra. Praticamente em uma partida de xadrez, os alemães ficaram no empate por 1 a 1 com os ingleses, conseguindo a vaga na decisão ao vencer por 6 a 5 nos pênaltis.

Assim com na abertura de seus jogos na Eurocopa, o oponente na final foi a República Tcheca, que na outra ponta do mata-mata eliminou Portugal e França. O jogo foi antigo Wembley, em Londres, e não contou com a mesma facilidade vista anteriormente. Os tchecos abriram o placar aos 14 minutos do segundo, com Patrik Berger acertando pênalti, e o empate alemão só veio aos 28 minutos, quando Oliver Bierhoff marcou de cabeça.

A partida foi à prorrogação, e o reserva pé-quente fez o gol de ouro aos cinco minutos do primeiro tempo, ao receber cruzamento de Jürgen Klinsmann, girar com a bola e bater forte, contando com o desvio na zaga para enganar o goleiro Petr Kouba. Pela primeira vez a morte súbita decidia uma Euro, e foi para dar o tricampeonato à Alemanha.

A campanha da Alemanha:
6 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 10 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Stu Forster/Getty Images

Dinamarca Campeã da Eurocopa 1992

Se em 1988 a Eurocopa aconteceu no começo de um levante histórico para a humanidade, em 1992 ela ficou afetada diretamente pelas mudanças. Foi na disputa ancorada na Suécia que, pela primeira vez em mais de 50 anos, a Alemanha voltaria a jogar com seus dois territórios unificados, como um só país.

Foi também durante o ciclo da competição continental que a União Soviética deixou de existir, quando sua seleção já estava classificada. Sua vaga foi ocupada pela Comunidade dos Estados Independentes (CEI), organização que fez a transição para as 15 nações que surgiriam no ano seguinte. Ainda houve a última presença da Tchecoslováquia, que não conseguiu vaga e seria dividida em duas repúblicas em 1993.

Mas a principal história envolve outro país que entraria em processo de separação: a Iugoslávia. Sua seleção obteve a vaga pelas eliminatórias, mas uma guerra civil estourou no seu território 11 dias antes do início da Eurocopa. A FIFA então suspendeu o time de competições e a UEFA repassou a vaga à vice-líder da chave iugoslava, a Dinamarca. O time teve que ser mobilizado rapidamente, com os jogadores sendo convocado às pressas e abandonando as férias.

Quase sem treinar, a Dinamarca estreou contra a Inglaterra, com a qual empatou sem gols. Na sequência, derrota por 1 a 0 para a Suécia. Ainda com chances de classificação, a "Danish Dynamite" surpreendeu a França na rodada final, vencendo por 2 a 1 e encerrando o grupo A na segunda posição, com três pontos. Na semifinal, os dinamarqueses empataram por 2 a 2 com a Holanda, vencendo nos pênaltis por 5 a 4.

A final foi contra a Alemanha em Gotemburgo, no Estádio Ullevi. O time alemão não vinha fazendo ótima competição, mas ainda era o favorito. Só que não demorou para os dinamarqueses se imporem no campo. Aos 18 minutos do primeiro tempo, John Jensen abriu o placar. Após várias chances perdidas pelo adversário, Kim Vilfort matou o jogo ao fazer 2 a 0 aos 33 do segundo tempo. Contrariando todas as previsões iniciais, a Dinamarca chegava ao histórico título da Eurocopa, em roteiro que mais parece ter sido extraído de um filme.

A campanha da Dinamarca:
5 jogos | 2 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 6 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Allover Press

Holanda Campeã da Eurocopa 1988

A parte final da década de 80 foi marcada por alguns fatos que afetariam também o futebol. Um ano antes da queda do Muro de Berlim, em 1988, a Alemanha Ocidental sediava a oitava edição da Eurocopa. Entre os oito participantes dela, somente uma força vinda do lado socialista do mundo, a União Soviética, que ali viveria seu último grande momento como seleção. E uma ausência notável, esta do ocidente mesmo: a França, que falhou nas eliminatórias e não conseguiu defender seu título.

A taça ficou com um time que vinha ensaiando há quase 15 anos. Assim como na Copa do Mundo de 1974, a Holanda ressurgia em gramados alemães com uma geração no auge, agora liderada por Ruud Gullit, Marco Van Basten e Frank Rijkaard. Eles queriam um desfecho diferente de seus antecessores, e conseguiram. Antes foi preciso passar pelas eliminatórias, e o fizeram sem dificuldades contra Grécia, Hungria, Polônia e Chipre.

Já no grupo B da primeira fase, a estreia não foi boa contra a União Soviética, perdendo por 1 a 0. A recuperação foi tranquila nas partidas seguintes, ao vencer a Inglaterra por 3 a 1 - com hat-trick de Van Basten - e a Irlanda por 1 a 0. Com quatro pontos, a Laranja avançou na vice-liderança, ficando atrás dos russos.

A adversária da semifinal foi a Alemanha, revivendo as memórias da final mundialista de 14 anos antes. E tal qual aconteceu naquela decisão, o vencedor fez 2 a 1 de virada. A única diferença foram os vencedores, agora sendo os holandeses, que marcaram com Ronald Koeman e Van Basten, a 16 e dois minutos do fim, respectivamente.

A final foi marcada para acontecer no Olímpico de Munique, e reuniu Holanda e União Soviética, que passou pela Itália. Era o reencontro da estreia das seleções, e nada do que ocorreu 13 dias antes seria visto. A Laranja estava em alta e soube corrigir o que deu errado anteriormente. A equipe treinada por Rinus Michels abriu o placar aos 32 minutos do primeiro tempo, com uma cabeçada do capitão Gullit. Aos nove do segundo tempo, Van Basten fez 2 a 0 em um gols mais lindos já vistos, acertando um sem-pulo, quase sem ângulo, da direita da grande área no lado oposto do goleiro Rinat Dasayev. O resultado garantia, enfim, o título que a Holanda tanto perseguiu em duas décadas.

A campanha da Holanda:
5 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 9 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Pro Shots

França Campeã da Eurocopa 1984

A ideia de uma Eurocopa jogada com oito seleções e fases de grupos deu certo. A competição ficou com mais cara de Copa do Mundo, no que ajudou a popularizá-la como a segunda principal entre países do calendário. A edição de 1984 teve algumas pequenas e importantes modificações de regulamento, que perduram até os dias atuais: a disputa de terceiro lugar foi abandonada e a fase de grupos passaria a classificar líderes e vices para a semifinal, que voltava a acontecer após oito anos. Os vencedores da semi passam para a decisão e os perdedores voltam imediatamente para suas casas.

Quem não precisou sair do lar desde o começo foi a França. Sede do torneio, foi dispensada das eliminatórias e pôde trabalhar seu grupo com mais calma. Vindos da quarta posição no Mundial de 1982, Les Bleus atingiam o auge com a geração de Michel Platini, Jean Tigana, Manuel Amoros, Alain Giresse e Joël Bats. Um título seria questão de tempo para a seleção, e ele chegou na hora certa, diante do torcedor.

No grupo A, a estreia foi com difícil vitória por 1 a 0 sobre a Dinamarca. A dificuldade foi compensada no jogo seguinte ao golear por 5 a 0 a Bélgica. Na rodada final, a classificação foi garantida com o 3 a 2 sobre a Iugoslávia. Com seis pontos, a França liderou a chave, seguida pelos dinamarqueses.

A semifinal foi contra Portugal, em partida que vai ficar lembrada para sempre. Jogando em Marselha, o time francês cedeu empate por 1 a 1 no tempo normal e levou a virada portuguesa na prorrogação. A seis minutos do fim, Jean-François Domergue voltou a empatar, e no último minuto Platini revirou para 3 a 2, colocando a França na decisão.

Do outro lado chegava a Espanha, que antes de eliminar a Dinamarca derrubou a então campeã Alemanha Ocidental. O jogo foi no Parc des Princes, em Paris, que pela segunda vez era o palco de uma final de Eurocopa. Foi o dia da consagração de Platini. Aos 12 minutos do segundo tempo, ele bateu uma falta com perfeição para abrir o placar. Quando a torcida já celebrava, aos 45, Bruno Bellone fez 2 a 0 e garantiu, com 100% de aproveitamento, o primeiro de dois títulos europeus na história da França.

A campanha da França:
5 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 14 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/FFF

Alemanha Campeã da Eurocopa 1980

Chegam os anos 80, e a Eurocopa deu mais um grande passo para o seu crescimento. Ninguém queria ficar de fora da competição, e a UEFA resolveu expandir a fase final para oito seleções, introduzindo nela uma fase de dois grupos. A semifinal foi abolida: o líder de cada chave se classificava para a final e seus vices jogavam a disputa do terceiro lugar. As eliminatórias também foram modificadas, pois elas passariam a dar sete vagas (para os vencedores dos sete grupos). Mas a mudança mais significativa foi a escolha prévia do país-sede, que não precisaria mais passar pelas prévias. A primeira honra coube à Itália, que já havia abrigado a fase final em 1968.

Mas diferentemente de 12 anos antes, a anfitriã não conseguiu o bicampeonato. O título ficou com outra força, cada vez mais acostumada ao torneio continental e que via em campo uma nova geração de craques aparecer: a Alemanha Ocidental, sob a batuta de Karl-Heinz Rummenigge, Horst Hrubesch e Klaus Allofs. No banco de reservas, entrando apenas uma vez em jogos, um jovem Lothar Matthäus já marcava presença. Nas eliminatórias, o time alemão conseguiu a vaga ao bater Turquia, País de Gales e Malta.

Dentro da Eurocopa, no grupo A, a Alemanha teve a chance de estrear contra sua carrasca de quatro anos antes: a Tchecoslováquia. E a história foi bem diferente, com vitória por 1 a 0 para iniciar a campanha. Na segunda rodada, foi a vez da bater a Holanda por 3 a 2. Com 100%, bastou empatar sem gols com a Grécia na terceira partida para a Nationalelf conseguir a liderança e o lugar na final, com cinco pontos.

A adversária da Alemanha foi a Bélgica, que na outra chave superou Itália, Inglaterra e Espanha. O favoritismo era alemão, mas a experiência ruim de 1976 fazia com que os jogadores pregassem cautela. Jogando no Olímpico de Roma, os alemães saírem na frente aos dez minutos do primeiro tempo, com Hrubesch. A partida ficou controlada até os 30 do segundo tempo, quando a pressão belga deu resultado e, de pênalti, empatou a parada. A indefinição ficou no placar até aos 43 minutos, quando Hrubesch fez 2 a 1 e colocou as coisas nos seus devidos lugares: Alemanha bicampeã da Europa.

A campanha da Alemanha:
4 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 6 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Sportfoto Rudel/Imago

Flamengo Campeão da Supercopa do Brasil 2021

Está inaugurada a temporada de campeões no Brasil em 2021. A primeira taça a ser entregue foi a da Supercopa do Brasil, em partida que envolve os campeões do Brasileirão e da Copa do Brasil. O torneio existiu entre 1990 e 1991, retornando em definitivo em 2020. Seus participantes neste ano foram Flamengo e Palmeiras, que protagonizaram uma ótimo jogo na calorenta manhã de 11 de abril em Brasília, no Mané Garrincha.

Com apenas dois minutinhos de bola rolando, o Palmeiras abriu o placar com Raphael Veiga. Mas o Flamengo cresceu rápido, e aos 23 minutos veio o empate, quando Gabriel aproveitou o rebote de uma finalização de Filipe Luís que havia beijado a trave direita. Perto do apito para o intervalo, aos 49 minutos, De Arrascaeta virou a partida ao chutar forte no canto direito do goleiro Weverton. Agora com a vantagem, os rubro-negros permitiram que os alviverdes melhorassem novamente.

Aos 29 do segundo tempo, o time palmeirense conseguiu um pênalti, que foi convertido por Raphael Veiga. O 2 a 2 persistiu até o encerramento do jogo, e tudo ficaria decidido em uma longa disputa de pênaltis. Foram 18 cobranças para que entrassem 11 bolas. Diego Alves defendeu três, sendo fundamental para o título flamenguista. O resultado final foi 6 a 5, com Rodrigo Caio acertando a última batida.

O Fla repete a dose de 2020 e se torna bicampeão da Supercopa. Com três participações na história, o clube já cria uma hegemonia considerável no torneio, que abriu uma temporada de início tardio, em março. Aliás, o ano futebolístico de 2021 se encontra na mesma situação do anterior: sem público nos estádios e com fortes restrições de logística e nos horários dos jogos por causa da pandemia de covid-19, que já matou mais de 350 mil pessoas no Brasil.


Foto Lucas Figueiredo/CBF