Argentina Campeã da Copa do Mundo 1978

A Copa do Mundo de 1978 jamais saiu do imaginário dos torcedores sul-americanos, especialmente dos argentinos, misturando uma das maiores festas do esporte a um dos períodos mais sombrios da história política do continente. Após diversas tentativas frustradas e décadas de espera, a Argentina enfim ganhava o direito de ser o país-sede do Mundial, que entraria para a história também pelo fim de uma era: seria o último torneio realizado no formato clássico de 16 seleções. Conduzida pelo técnico César Luis Menotti, que tomou a controversa decisão de cortar o jovem Diego Maradona, de apenas 17 anos, a seleção Albiceleste carregou nos ombros uma imensa pressão popular e o peso de ser utilizada como ferramenta de propaganda pela ditadura militar de Jorge Rafael Videla. Aquela era a chance de ouro para o país erguer a sua primeira Copa.

A Argentina disputou toda a primeira fase no Estádio Monumental, em Buenos Aires. A caminhada começou com duas vitórias por 2 a 1, contra a Hungria e a França. O ponto fora da curva ocorreu na última rodada: uma derrota por 1 a 0 para a Itália. O tropeço custou caro aos argentinos, que acabaram na segunda posição do Grupo A com quatro pontos, forçados a jogar a segunda fase fora da capital.

A etapa seguinte da Argentina foi disputado em Rosário, no Gigante de Arroyito. A estreia no Grupo 2 se deu com uma vitória por 2 a 0 sobre a Polônia, com dois gols de Mario Kempes. Na segunda rodada, ocorreu o clássico contra o Brasil, na partida que foi nomeada como a "Batalha de Rosário" devido à violência e às poucas chances criadas, resultando em um empate por 0 a 0. Como os brasileiros haviam derrotado o Peru por 3 a 0 anteriormente, a Argentina chegou à última rodada sem depender apenas de si para avançar à final. Naquela época, a FIFA ainda não adotava a regra de jogos simultâneos na rodada decisiva, o que abriu margem para uma das maiores polêmicas da história do futebol.

O Brasil entrou à tarde de 21 de junho e venceu a Polônia por 3 a 1. Com esse resultado, os argentinos atuaram à noite sabendo que precisavam derrotar o Peru por uma diferença de pelo menos quatro gols para ultrapassar o saldo brasileiro e ir à final. O que se viu foi um atropelo: uma goleada impressionante por 6 a 0. Até hoje, pairam suspeitas de que a partida foi arranjada nos bastidores e que os jogadores peruanos, sobretudo o goleiro Ramón Quiroga, nascido na Argentina, teriam recebido suborno ou sofrido ameaças dos militares argentinos. Com ou sem interferência externa, a Argentina garantiu a liderança do grupo com cinco pontos e oito gols de saldo, contra contra cinco gols do Brasil.

A final colocou a Argentina diante da Holanda, que voltou à decisão ao superar Irã, Escócia, Áustria, Alemanha e Itália. No Monumental, em Buenos Aires, o tempo normal foi truncado. Mario Kempes abriu o placar aos 38 minutos do primeiro tempo. Quando o título parecia garantido, os holandeses empataram aos 37 minutos da etapa final. Nos segundos finais, a Holanda acertou a trave do goleiro Ubaldo Fillol. A definição do campeão estendeu-se a prorrogação.

Empurrados por 71 mil torcedores, os argentinos buscaram buscaram a vitória no último lance do primeiro tempo suplementar, quando Kempes marcou seu segundo gol do jogo. Faltando cinco minutos para o fim definitivo, Daniel Bertoni anotou 3 a 1 e, pela primeira vez em sua história, a Argentina sagrou-se campeã mundial. Debaixo de muitos confetes e da euforia popular que invadiu o gramado, o capitão Daniel Passarella finalmente erguia a taça que os argentinos podiam chamar de sua.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 15 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Paul Popper/Popperfoto/Getty Images

Um comentário:

  1. Mas se a Copa de 78 tivesse sido realizada na Europa, a Argentina teria ficado ainda na 1' fase, pois Holanda e Polonia eram as melhores naquele ano

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