Flamengo Campeão Brasileiro 2020

Um exercício de resistência e de paciência. Disputado sob a sombra da pandemia de Covid-19, o Campeonato Brasileiro de 2020 começou com três meses de atraso, em agosto, e terminou apenas em fevereiro de 2021. Em estádios vazios, o Flamengo conquistou seu oitavo título nacional, superando trocas de técnicos e uma perseguição implacável ao Internacional para levar mais um título.

Após a saída de Jorge Jesus, antes mesmo do início do Brasileirão, o Flamengo buscou no espanhol Domènec Torrent a continuidade do estilo europeu. O início, porém, foi desastroso, com derrotas por 1 a 0 para o Atlético-MG no Maracanã, e por 3 a 0 para o Atlético-GO em Goiânia. O time sofria para encontrar o equilíbrio defensivo, alternando momentos de brilho, como o massacre de 5 a 1 sobre o Corinthians em Itaquera, na 17ª rodada, com quedas inexplicáveis, como a goleada por 4 a 1 sofrida para o São Paulo no Maracanã, na 19ª partida.

Ao fim do primeiro turno, a tabela era um quebra-cabeça de jogos adiados, mas o Flamengo se mantinha no pelotão de frente, observando o São Paulo e o Atlético-MG na liderança do campeonato. 

A goleada de 4 a 0 sofrida para o Atlético-MG na abertura do returno, em Belo Horizonte, selou o destino de Torrent. Rogério Ceni assumiu com a missão de ajustar o sistema defensivo e recuperar a confiança do elenco. Enquanto o São Paulo desmoronava tecnicamente, o Internacional engatou uma sequência recorde de vitórias e assumiu a ponta na 31ª rodada.

O Flamengo, porém, não desistiu. Com Gabriel Barbosa, Pedro, De Arrascaeta e Bruno Henrique decidindo jogos apertados, o rubro-negro manteve a distância mínima. O confronto direto na penúltima rodada tornou-se a "final real": no Maracanã, o Flamengo venceu o Inter por 2 a 1, de virada, assumindo a liderança pela primeira vez no campeonato a apenas um jogo do fim.

A última rodada foi um teste para o coração dos torcedores. No Morumbi, o Flamengo foi derrotado pelo São Paulo por 2 a 1 e precisou esperar, dentro de campo, o apito final em Porto Alegre. No Beira-Rio, o Internacional pressionava o Corinthians em busca de um gol que lhe daria o título após 41 anos. 

Em um final cinematográfico, o Internacional teve um gol anulado nos acréscimos e parou na defesa corinthiana. Com o empate em 0 a 0 no Sul, o Flamengo celebrou o octacampeonato com 71 pontos, apenas um de vantagem sobre os gaúchos.

A campanha do Flamengo:
38 jogos | 21 vitórias | 8 empates | 9 derrotas | 68 gols marcados | 48 gols sofridos


Foto Alexandre Vidal/Flamengo

Brasiliense Campeão da Copa Verde 2020

A Copa Verde de 2020 não aconteceu em 2020. Exatamente isso que você leu. A pandemia de Covid-19 atrasou tanto os preparativos da competição que ela acabou postergada para o início de 2021, durante 34 dias entre janeiro e fevereiro.

O regulamento foi semelhante ao da temporada anterior, com pequenas mudanças para encaixar no calendário curto, como a primeira fase e oitavas de final ocorrendo em mão única. As 24 equipes participantes mantiveram-se. E o campeão foi um velho conhecido, mas que anda longe das principais divisões nacionais: o Brasiliense, do Distrito Federal.

Vice estadual, o Jacaré precisou começar pela fase preliminar. Jogando em casa contra o Vitória-ES, goleou por 4 a 0 e mostrou logo de cara que chegava para assustar. Nas oitavas de final, venceu o Luverdense por 2 a 1 no Mato Grosso. As quartas foram disputadas contra o Atlético-GO, e o Brasiliense venceu as duas partidas, por 2 a 1 em Goiânia e por 3 a 1 em Taguatinga.

Na semifinal, outro goiano: o Vila Nova. Desta vez os candangos tiveram mais dificuldades. Na ida, vitória por 2 a 0 em pleno OBA. Na volta, o time foi surpreendido na Boca do Jacaré e perdeu por 3 a 1. Nos pênaltis, vitória por 5 a 3 e vaga na final conquista.

A final foi contra o Remo, e o primeiro jogo foi marcado para o Mané Garrincha, em Brasília. De virada, o Brasiliense venceu por 2 a 1. Os gols foram marcados por Sandy e Aldo, este segundo faltando dez minutos para o fim.

A segunda partida aconteceu no Mangueirão, em Belém. O Jacaré tentou segurar a vantagem, saiu atrás no placar e empatou no começo do segundo tempo com Zé Love, mas os paraenses venceram também por 2 a 1. Outra vez nos pênaltis, o Brasiliense alcançou a glória ao vencer por 5 a 4. O título coloca um fim em algumas sinas do clube, como a de perder todas as finais que disputou desde 2018, e a de não vencer algo fora do Distrito Federal desde a Série B de 2004.

A campanha do Brasiliense:
8 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 2 derrotas | 17 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Fernando Torres/CBF

Palmas Campeão Tocantinense 2020

Com 107.163 casos e 1.455 mortes por Covid-19 até 14 de fevereiro, o Tocantins conheceu seu campeão estadual. Pela oitava vez na história e pela terceira seguida, o Palmas chegou ao título de um campeonato que ficou longo por muitas circunstâncias.

Primeiro, pela pandemia do coronavírus, que paralisou tudo em março de 2020 e fez a retomada acontecer apenas em janeiro de 2021. Segundo, pelo acidente aéreo ocorrido em 24 de janeiro com parte do grupo tricolor, e que levou embora as vidas do presidente Lucas Meira, dos atletas Lucas Praxedes, Guilherme Noé, Ranule e Marcus Molinari, além do piloto Wagner Machado.

Em campo, o Palmas liderou a primeira fase com seis vitórias em sete partidas, marcando 19 pontos. Na semifinal, eliminou o Araguacema em dois jogos, vencendo por 1 a 0 a ida fora e empatando sem gols a volta em casa.

Na final, contra o Tocantinópolis, tornou-se campeão invicto ao empatar a primeira partida por 3 a 3 e vencer a segunda por 1 a 0.

A campanha do Palmas:
11 jogos | 9 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 23 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Divulgação/Palmas

Bayern de Munique Campeão Mundial 2020

O ano de 2020 foi maluco para todas as pessoas, em todos os setores, e para o futebol não foi diferente. Entre março e junho, tudo parou devido à pandemia de Covid-19. O calendário futebolístico ficou apertado, e a solução encontrada foi estender as finais das competições: as previstas para o meio do ano foram transferidas para o fim, e as do fim para o início de 2021. Foi exatamente o que aconteceu com o Mundial de Clubes.

Era necessário cumprir o contrato de duas edições do torneio no Catar. Assim, o Mundial foi realizado inteiramente em fevereiro, revivendo uma situação que havia ocorrido pela última vez em 1980 e 1981. Essa mudança não foi a única implicação do atraso: o novo Mundial planejado pela FIFA, em formato quadrienal com 24 clubes, foi adiado por tempo indeterminado.

Longe do torneio há sete anos, o Bayern de Munique voltou a brilhar fora da Alemanha, vencendo a Liga dos Campeões da Europa sobre o PSG. Com Robert Lewandowski eleito o melhor jogador do planeta, o clube bávaro enfrentou um adversário inédito em finais: o Tigres UANL, do México, campeão da Concacaf diante do Los Angeles FC. Os demais participantes foram: Palmeiras, campeão da Libertadores; Al-Ahly, representante africano; Ulsan Hyundai, campeão asiático; e Al-Duhail, vencedor da Stars League do Catar.

O único clube sem título que entrou na lista foi o Auckland City, que tinha a melhor campanha no momento em que a Liga dos Campeões da Oceania foi encerrada. Porém, a equipe abriu mão da vaga para não correr o risco de levar a Covid-19 de volta à Nova Zelândia, país que praticamente erradicou o vírus. Dessa forma, sua partida contra o Al-Duhail foi considerada W.O., resultando em vitória de 3 a 0 para os catarianos.

Nas quartas de final, o Tigres venceu o Ulsan por 2 a 1, enquanto o Al-Ahly derrotou o anfitrião por 1 a 0. Na semifinal, a expectativa em torno do Palmeiras desmoronou com a derrota por 1 a 0 para os mexicanos. Do outro lado, o Bayern bateu os egípcios por 2 a 0. Na disputa pelo quinto lugar, o Al-Duhail superou o Ulsan por 3 a 1. Já na briga pelo terceiro posto, o Palmeiras voltou a decepcionar: empatou sem gols contra o Al-Ahly e perdeu por 3 a 2 nos pênaltis.

A grande final foi disputada no dia 11 de fevereiro de 2021, no Education City Stadium, em Doha, com público reduzido em razão do distanciamento social. O Bayern dominou a maior parte da partida, mas o gol decisivo saiu apenas aos 14 minutos do segundo tempo, quando Benjamin Pavard aproveitou uma sobra após dividida de Lewandowski com o goleiro Nahuel Guzmán. O lance ainda foi revisado pelo VAR, mas confirmado, garantindo a vitória por 1 a 0 e o tetracampeonato mundial para o clube alemão.


Foto David Ramos/Getty Images

Mirassol Campeão Brasileiro Série D 2020

A Série D do Campeonato Brasileiro de 2020 passou por uma reformulação em seu regulamento que tornou a competição ainda mais atrativa e equilibrada. Em vez das 17 chaves de quatro equipes, os 68 participantes foram distribuídos em novo formato: oito clubes disputaram uma fase preliminar em mata-mata, avançando quatro para se juntarem a outros 60 participantes. O grupo de 64 times foi então dividido em oito chaves com oito clubes cada. Porém, todas as partidas aconteceram sem público nos estádios, devido a pandemia de Covid-19. A disputa ainda atravessou a temporada de 2021.

Com mais datas no calendário e maior exigência de elenco, a imprevisibilidade aumentou, mas o desfecho provou mais uma vez que um bom planejamento e uma estrutura sólida são imbatíveis no futebol. Vindo do interior de São Paulo e exibindo até então em sua galeria títulos estaduais das Séries A3 e B, o Mirassol ingressou na Série D pelo Grupo A7. A largada, porém, foi hesitante: sob o comando do técnico Eduardo Baptista, a estreia rendeu um empate em 1 a 1 com o Bangu no Estádio José Maria de Campos Maia, seguido por uma derrota por 3 a 1 para a Cabofriense fora de casa.

A primeira vitória veio no terceiro compromisso e compensou os tropeços iniciais: um expressivo 6 a 0 sobre o Toledo no Maião. A partir dali, a campanha do Leão da Alta Araraquarense decolou, impulsionada por goleadas como os 8 a 0 sobre o Nacional-PR e os 5 a 2 sobre o FC Cascavel no Maião, além de um 4 a 0 sobre o Toledo no Paraná. O Mirassol encerrou a fase inicial na vice-liderança do grupo com 26 pontos, acumulados com sete vitórias, cinco empates e duas derrotas.

Na segunda fase, o Leão superou o Caxias nos pênaltis por 3 a 0, após devolver em casa a derrota por 1 a 0 sofrida no Rio Grande do Sul. Nas oitavas de final, despachou o Brasiliense ao aplicar 5 a 2 no interior paulista e administrar o a derrota por 2 a 1 no Distrito Federal.

Nas quartas de final, a vaga história na Série C foi garantida ao derrubar a Aparecidense: vitória por 2 a 1 em casa e novo triunfo por 3 a 2 em Goiás. Na semifinal, o Mirassol não deu chances ao Altos-PI, aplicando 4 a 0 no jogo de ida no interior paulista e confirmando a vaga na final com um 1 a 0 no Piauí.

O Mirassol encarou na decisão o Floresta, que havia eliminado Itabaiana, Juventude Samas, América-RN e Novorizontino. O primeiro duelo seria realizado no Castelão, em Fortaleza, mas um incêndio de grandes proporções no local transferiu o confronto para o Estádio Vovozão, no CT do Ceará. A mudança repentina não abalou os paulistas, que venceram por 1 a 0 longe de seus domínios. A segunda partida disputou-se no Estádio José Maria de Campos Maia. Mantendo a solidez defensiva e a eficiência, o Leão voltou a vencer por 1 a 0, com gol anotado pelo atacante João Carlos. Ao apito final, a vitória colocou um ponto final na longa e atípica edição pandêmica da Série D, acrescentando mais uma taça nacional à vitoriosa tradição do futebol do interior de São Paulo.

A campanha do Mirassol:
24 jogos | 15 vitórias | 5 empates | 4 derrotas | 49 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Célio Messias/CBF

Napoli Campeão Brasileiro Feminino Série A2 2020

A quarta edição do Brasileirão Feminino Série A2 manteve o mesmo regulamento da anterior. E o fator de imprevisibilidade, que já costuma ser forte na competição, ficou ainda mais evidente na versão pandêmica que foi vista em 2020.

Foram 36 as equipes participantes, e o título ficou com uma força que está fora do grande radar da mídia, mas que vem de uma região já conhecida pelo futebol feminino: o Napoli Caçadorense, rival do Kindermann, e que estreou em competições nacionais justamente nesta temporada. Aliás, foi a primeira conquista da história do clube.

O time, que homenageia o homônimo italiano e leva as cores azul, vermelha e branca, ficou no grupo F da primeira fase. Passou sem problemas pelos cinco adversários, começando pelo Athletico-PR, o qual goleou por 4 a 0. A abertura foi em março, mas a segunda partida aconteceu somente em outubro (culpa da covid-19), nos 5 a 0 sobre o Brasil de Farroupilha no Rio Grande do Sul. Por fim, em Caçador, o Napoli fez 2 a 0 na Chapecoense e 1 a 0 no Fluminense, e no Paraná, fez 5 a 2 no Toledo/Coritiba.

A classificação foi folgada, com 15 pontos e 100% de aproveitamento. Nas oitavas de final, as tricolores bateram o Real Ariquemes, de Rondônia, ao empatar a ida fora por 1 a 1 e vencer a volta em casa por 3 a 1.
Nas quartas, foi a vez de enfrentar a Juventus paulista. O primeiro jogo foi na Rua Javari, e  Napoli ganhou de virada por 4 a 2. Na segunda partida, empate por 2 a 2 no Estádo Carlos Neves garantiu o acesso do clube.

A semifinal foi contra o Real Brasília, e empates no Distrio Federal por 0 a 0 e em Santa Catarina por 1 a 1 levaram a contenda aos pênaltis. E com 5 a 4 a favor nas cobranças, as napolitanas avançaram à decisão.

A grande final da Série A2 Feminina foi entre Napoli e Botafogo, que um degrau antes passou pelo Bahia. A ida foi realizada no Carlos Neves, em Caçador. De virada, as catarinenses venceram por 2 a 1, ambos os gols marcados pela atacante Malu.

A volta aconteceu no Nilton Santos (ou Engenhão), no Rio de Janeiro. E já no primeiro minuto de jogo o Napoli abriu o placar, com Aninha. As cariocas empataram no fim da etapa inicial, mas a vantagem estava na mão tricolor. Faltando sete minutos para o fim, Soraya fez 2 a 1, e o resultado repetido valeu para a conquista invicta da equipe.

A campanha do Napoli:
13 jogos | 9 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 32 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto Thais Magalhães/CBF