O fim de uma era. Foram 44 anos de disputa entre América do Sul e Europa na Copa Intercontinental, com 42 edições quase ininterruptas: 18 em jogos de ida e volta e 24 realizadas no Japão. A edição de 2004, a 43ª, ficou marcada por ser a última organizada por Conmebol e UEFA, com apoio da Toyota. O namoro entre a montadora de carros e a FIFA virou casamento, e a partir de 2005 um novo Mundial entraria em seu lugar.
Antes da mudança definitiva, Liga dos Campeões e Libertadores definiram seus representantes para o fim do ano. Seus campeões não eram as equipes mais qualificadas dos continentes, sendo tratadas até como surpresas, mas o destino quis que fossem elas a protagonizar o último “c’est fini”. Pelo lado europeu, mesmo sem ser considerado favorito no início, o Porto conquistou o bicampeonato ao eliminar Manchester United, Lyon, La Coruña e vencer o Monaco na final por 3 a 0.
Na América do Sul, o quase desconhecido Once Caldas, da Colômbia, conquistou o inédito título continental eliminando apenas gigantes: Vélez Sarsfield, Santos, São Paulo e, na decisão, o Boca Juniors. Foram dois empates (0 a 0 e 1 a 1) e vitória nos pênaltis por 2 a 0.
As camisas podiam não ser as mais pesadas, mas tanto Porto quanto Once Caldas compreenderam bem o significado de estar presentes nesse último capítulo do velho Mundial. No dia 12 de dezembro, em Yokohama, entraram em campo para marcar a despedida. O público, porém, não contribuiu para abrilhantar a festa: apenas pouco mais de 45 mil torcedores compareceram ao Estádio Internacional, menos de dois terços da capacidade.
Com um elenco superior e nomes como Maniche, Luís Fabiano, Diego, Benny McCarthy e Ricardo Quaresma (que entrou no segundo tempo), o Porto dominou a partida. Os portugueses chegaram perto do gol em várias oportunidades, acertaram quatro bolas na trave, tiveram dois gols anulados e ainda pararam nas defesas de Juan Carlos Henao. O Once Caldas criou menos, mas também levou perigo quando pôde. A bola, no entanto, teimou em não entrar durante os 120 minutos, e o 0 a 0 levou a decisão para os pênaltis.
Então, foi a vez dos deuses do futebol prolongarem a emoção. Nas cobranças, quase todos converteram. Maniche errou a quarta batida, e Jonathan Fabbro teve a chance de dar o título aos colombianos, mas acertou a trave. McCarthy empatou em 4 a 4, levando a disputa para as alternadas. Na nona cobrança do Once Caldas, John García chutou para fora. A responsabilidade ficou para o zagueiro Pedro Emanuel, que marcou e decretou o 8 a 7, confirmando o bicampeonato dos Dragões.
Com 19 pênaltis, o destino empurrou até o limite a última Copa Intercontinental, que fechou suas cortinas com o mesmo brilho com que havia começado.






