Para o torcedor do Atlético-MG, o Campeonato Brasileiro de 2021 foi uma redenção histórica. Após 50 anos de espera e cinco vice-campeonatos que amarguraram gerações, o Galo finalmente soltou o grito de campeão nacional. Sob a batuta de Cuca e liderado pelo brilho avassalador de Hulk, o clube dominou a competição com uma campanha que aliou técnica e raça.
A diretoria atleticana não poupou esforços, montando um elenco estelar com nomes como Hulk, Diego Costa, Nacho Fernández e Matías Zaracho. No entanto, o início foi um choque: derrota por 2 a 1 para o Fortaleza no Mineirão. A reabilitação veio com vitórias magras, mas o verdadeiro divisor de águas ocorreu a partir da oitava rodada.
Com uma goleada de 4 a 1 sobre o Atlético-GO em Belo Horizonte, o Galo iniciou uma sequência de nove vitórias consecutivas. O time assumiu a liderança na 15ª rodada, ao vencer o Juventude por 2 a 1, de virada, em Caxias do Sul, e estabeleceu uma invencibilidade de 18 partidas que asfixiou qualquer tentativa de aproximação dos rivais.
Diferente do ano anterior, onde o sarrafo de pontos foi mais baixo, em 2021 o Flamengo forçou o Atlético ao limite. Para superar o ímpeto carioca, o Galo precisou manter uma regularidade impressionante, transformando o Mineirão em um caldeirão onde quase ninguém conseguia pontuar. A segurança de Everson e a liderança de Junior Alonso na defesa deram a base para que o ataque decidisse os jogos mais complicados.
O roteiro da consagração pareceu testar a fé do atleticano até o último segundo. Em jogo atrasado da 32ª rodada, o Galo enfrentou o Bahia na Fonte Nova precisando da vitória para selar o título. O cenário era catastrófico: o Bahia vencia por 2 a 0 até os 27 minutos do segundo tempo. O que se seguiu foi uma das reações mais fulminantes da história do Brasileirão. Em um intervalo de apenas cinco minutos, Hulk, de pênalti, e Keno, duas vezes viraram o jogo para 3 a 2. Foi o golpe final em um hiato de cinco décadas e o início de uma festa que englobaria ainda a conquista da Copa do Brasil semanas depois.
O Galo encerrou sua campanha histórica com números fortes: 84 pontos e 26 vitórias em 38 partidas. O protagonista do título foi Hulk, que terminou como artilheiro com 19 gols e craque do campeonato, simbolizando o retorno do Atlético-MG ao topo do Brasil após meio século de espera.








