Lanús Campeão da Copa Conmebol 1996

Sem decolar de fato no interesse do torcedor sul-americano, a Copa Conmebol seguiu para sua quinta edição em 1996. Depois de ter enfim conhecido um vendedor que falava espanhol, a competição manteve em vigor todo o conjunto de regras implementado um ano antes. Do Brasil, os quatro representantes da vez foram: Vasco, Fluminense, Palmeiras e Bragantino.

Da Argentina, o campeão Rosario Central trouxe consigo a presença do Lanús, um clube médio localizado na cidade de mesmo nome, na grande Buenos Aires. Na segunda participação (a primeira foi em 1994), tinha como glórias máximas apenas algumas taças da segunda divisão nacional. Mas, apesar da experiência internacional quase zero, o "granate" chegou ao título que mudaria sua história.

A estreia do Lanús foi contra o Bolívar, nas oitavas de final. Perdeu na ida, em La Paz, por 1 a 0 e goleou na volta, em La Fortaleza, por 4 a 1. Nas quartas de final, foi a vez de enfrentar o Guaraní do Paraguai. O primeiro jogo foi em Assunção, com vitória granate por 2 a 0. A segunda partida foi na Argentina, com nova goleada, desta vez por 6 a 2.

A semifinal reuniu os dois clubes argentinos. Lanús e Rosario Central se enfrentaram pela primeira vez em La Fortaleza, a casa granate. Num dia de muita sorte, os mandantes venceram por 3 a 0 - dois deles marcados pelo adversário, contra. No Gigante de Arroyito, o Lanús voltou a vencer, por 3 a 1, e se colocou na decisão.

A final da Copa Conmebol foi disputa contra o Independiente Santa Fe, da Colômbia, que superou Unión Táchira, Bragantino e Vasco no mata-mata. A partida de ida foi realizada em La Fortaleza. O volante Oscar Mena abriu o placar aos 31 minutos do primeiro tempo. E o meia Ariel Ibagaza fechou o placar em 2 a 0 aos 31 do segundo. Uma ótima vantagem para levar à Bogotá, no El Campín.

Na Colômbia, o Lanús conseguiu sustentar o resultado que precisava. Sofreu um gol logo aos quatro minutos do primeiro tempo, mas a solidez da defesa garantiu o título histórico para os granates apesar do 1 a 0 contra. Dali em diante, o clube não recuou mais.

A campanha do Lanús:
8 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 2 derrotas | 20 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Arquivo/Lanús

Rosario Central Campeão da Copa Conmebol 1995

A quarta edição da Copa Conmebol foi disputada em 1995, com a mesma fórmula dos anos anteriores. Só três coisas mudaram. A primeira mudança foi a perda de uma vaga por parte do Brasil, pois a Conmebol deixou de atribuir um lugar extra para o país do campeão anterior.

A segunda foi o impedimento de que clubes disputassem esta competição em paralelo com a Supercopa Libertadores. Portanto, o São Paulo, então detentor do título, ficou impedido de lutar pelo bi por já estar no outro torneio. quem representou o Brasil foram os times do Ceará, Corinthians, Atlético-MG e Guarani. A terceira mudança foi o destronamento do domínio brasileiro nas decisões.

O campeão da quarta Conmebol foi o argentino Rosario Central, que conquistou seu título máximo na história em alto estilo. Nas oitavas de final, os "canallas" (isso mesmo, canalhas) enfrentaram o Defensor, com vitórias por 3 a 1 no Uruguai e por 2 a 1 na Argentina. Nas quartas, foi a vez de passar pelo Cobreloa, com mais duas vitórias: 2 a 0 no Gigante de Arroyito e 3 a 1 no norte do Chile.

A campanha de 100% de aproveitamento continuou na semifinal, contra o paraguaio Colegiales. Na ida, 2 a 0 em Assunção. Na volta, 3 a 1 em Rosario. Na final, o clube amarelo e azul enfrentou o Atlético-MG, que buscava o segundo título depois de passar por Guarani, Mineros de Guayana e América de Cali. A primeira partida foi realizada no Mineirão. Irreconhecíveis no segundo tempo, os canallas sofreram uma dura goleada por 4 a 0 dos brasileiros. Tudo pareceu acabado logo na ida.

Mas restava a volta. O Gigante de Arroyito pulsou com seus 45 mil torcedores. Aos 23 minutos do primeiro tempo, Rubén Da Silva abriu o placar. Aos 39 e aos 40, Horacio Carbonari e Martín Cardetti marcaram gols em sequência. Só faltava um para forçar os pênaltis, e ele veio aos 43 do segundo tempo, outra vez com Carbonari.

Após a remontada histórica por 4 a 0, o Rosario Central conseguiu o título ao vencer por 4 a 3 nas penalidades. Uma batida atleticana foi por cima do gol, outra carimbou a trave esquerda. Da Silva foi responsável pela cobrança derradeira, que deu início à festa rosarina.

A campanha do Rosario Central:
8 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 19 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Arquivo/Rosario Central

São Paulo Campeão da Copa Conmebol 1994

A terceira edição da Copa Conmebol aconteceu em 1994. O Brasil contou mais uma vez com cinco representantes: o então campeão Botafogo mais Grêmio, Vitória, Corinthians e São Paulo. O tricolor paulista, inclusive, conseguiu o feito de jogar todas as quatro competições da Conmebol no mesmo ano. 

O absurdo foi tanto que, após passar por Recopa, Libertadores e Supercopa, o clube optou pelo time reserva na Conmebol. Comandado por Muricy Ramalho (auxiliar-técnico de Telê Santana), o chamado Expressinho foi à campo e, mesmo enfrentando formações titulares, chegou ao título.

Nas oitavas, contra o Grêmio, empates por 0 a 0 tanto em Porto Alegre quanto em São Paulo. Nos pênaltis, o Tricolor Paulista fez 6 a 5 e passou de fase. Nas quartas de final, o adversário foi o Sporting Cristal. A ida no Morumbi acabou com vitória por 3 a 1 sobre os peruanos. Na volta, o tricolor empatou sem gols na volta em Lima e avançou.

A semifinal foi contra o Corinthians, em dois jogos emocionantes. Na ida no Pacaembu, 4 a 3 para os são-paulinos. Na volta no Morumbi, 3 a 2 para os corinthianos. Nos pênaltis, Rogério Ceni defendeu dois, converteu o seu e o São Paulo venceu por 5 a 4.

A final foi contra o Peñarol, que bateu Danubio, Cerro Corá e Universidad de Chile. O primeiro jogo foi disputado no Morumbi. Os titulares uruguaios até abriram o placar, mas os reservas do São Paulo viraram e massacraram fazendo 6 a 1 no placar - três gols de Catê, dois de Caio e um de Toninho.

Com a maior vantagem já registrada em idas de final na América do Sul, o Expressinho foi ao Centenario de Montevidéu para um treino de luxo. Tanto que, a equipe de aspirantes sofreu lá um 3 a 0 insuficiente para perder o título da Copa Conmebol. Assim, a conquista completou um ciclo vitorioso do São Paulo. Ali, Telê saía de cena aos poucos, Muricy deixava as primeiras impressões como técnico (confirmadas 12 anos mais tarde) e Rogério Ceni despontava para se tornar o maior ídolo da história do clube.

A campanha do São Paulo:
8 jogos | 3 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 15 gols marcados | 11 gols sofridos


Foto Arquivo/Conmebol

Botafogo Campeão da Copa Conmebol 1993

A Copa Conmebol já começou trazendo boas novas para o futebol brasileiro. Primeiro campeão, o Atlético-MG ganhou uma vaga automática para 1993. Ele se juntou a Fluminense, Botafogo, Vasco e Bragantino. Mas o alvinegro que brilhou desta vez foi outro. Vice brasileiro de 1992, o Fogão entrou com uma equipe que não tinha lá muito brilho, mas que compensava na garra e na vontade de vencer.

A estreia do Botafogo nas oitavas de final do torneio foi contra o Bragantino. Na ida, no Caio Martins, vitória por 3 a 1. Na volta, em Bragança Paulista, novo triunfo por 3 a 2 classificou o time carioca. O adversário das quartas de final foi o Caracas, e o Fogão avançou mais uma vez vencendo as duas partidas, por 1 a 0 na Venezuela e por 3 a 0 no Rio de Janeiro.

Na semifinal, dois confrontos difíceis contra o Atlético-MG. O primeiro jogo foi no Mineirão, onde o Botafogo não conseguiu se impor e sofreu 3 a 1. O segundo jogo foi no Caio Martins, onde a obrigação de fazer gols era total. Sinval abriu o caminho da virada no fim do primeiro tempo. Na segunda etapa, Rogério Pinheiro e Eliel fizeram o 3 a 0, que reverteu a vantagem a favor do alvinegro carioca.

A decisão foi contra o Peñarol, que passou por Huracán, Colo-Colo e San Lorenzo. A ida foi jogada no Centenario, em Montevidéu. Mesmo com Rogério Pinheiro expulso durante a partida, o Botafogo saiu de lá com empate por 1 a 1 na mão. A volta foi jogada no Maracanã, diante de 45 mil torcedores. Nervoso, o Fogão levou um gol no primeiro tempo. O time melhorou na segunda etapa, e virou com Sinval e Eliel. Mas nos acréscimos, os uruguaios decretaram 2 a 2 no placar e levaram para os pênaltis.

Parecia que não ia dar quando Sinval errou a primeira batida. Mas o Peñarol também errou sua cobrança, e na sequência Suélio, Perivaldo e André Santos marcaram, enquanto os uruguaios só acertaram um chute. E com 3 a 1 no desempate o Botafogo conquistou a Copa Conmebol, sua primeira e única taça internacional oficial. O fato que não aconteceu nem na era Garrincha, veio a acontecer por meio das mãos de outro personagem histórico em campo, desta vez como técnico: Carlos Alberto Torres.

A campanha do Botafogo:
8 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 1 derrotas | 17 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Sérgio Moraes/Placar

Atlético-MG Campeão da Copa Conmebol 1992

Empolgada com o sucesso da Supercopa Libertadores (criada em 1988) e pensando em integrar ainda mais o futebol da América do Sul, a Conmebol resolveu montar um terceiro campeonato em 1992. Desta vez, contemplando os clubes que chegaram próximo, mas que não conseguiram uma vaga na Libertadores pelos torneios nacionais.

Nos moldes da Copa da UEFA, estava criada a Copa Conmebol. Disputada por 16 equipes em mata-mata, o Brasil ficou com quatro postos, inicialmente dedicados aos vice, terceiro e quarto colocados do Brasileiro, além do vice da Copa do Brasil. Os primeiros representantes brasileiros foram: Bragantino, Atlético-MG, Fluminense e Grêmio. E a honra de dar início à tradição tupiniquim na competição coube ao time mineiro.

O primeiro adversário do Galo - nas oitavas de final - foi caseiro, o Fluminense. A partida de ida foi como visitante, porém dentro de Minas Gerais, em Juiz de Fora. Lá, perdeu de virada por 2 a 1. A situação ficou para ser resolvida no Mineirão, e com um acachapante 5 a 1 o Atlético passou de fase. Nas quartas, o alvinegro viajou até a Colômbia para enfrentar o Junior Barranquilla. Voltou de lá com empate por 2 a 2 na bagagem. Assim, mais uma vez foi preciso mostrar a força em Belo Horizonte, e em casa o Galo assinalou 3 a 0 e se classificou mais uma vez.

Na semifinal, o adversário foi o El Nacional. Na ida em Quito, o Atlético não segurou a pressão e foi derrotado por 1 a 0. Na volta no Mineirão, a pressão brasileira foi tão grande quanto, e o Galo reverteu o resultado fazendo 2 a 0. O principal destaque da campanha até aqui foi o atacante Ailton, artilheiro com seis gols.

A primeira final internacional do Atlético-MG foi disputada contra o Olimpia, que chegou lá após eliminar Oriente Petrolero, Deportivo Español e Gimnasia La Plata. O primeiro jogo foi no Mineirão, com mais de 60 mil atleticanos empurrando o time. Buscando abrir uma vantagem folgada o Galo fez 2 a 0, gols de Negrini, e deixou a situação bem encaminhada.

O segundo jogo foi em Assunção, no acanhado estádio do Olimpia, o Manuel Ferreira. Lá, o Galo soube sofrer e segurou o empate por 89 minutos, quando o adversário fez um gol inútil. Mesmo com a derrota por 1 a 0, o Atlético comemorou sua primeira Conmebol, que já de cara estava identificada como a marca do clube e com o carinho da torcida.

A campanha do Atlético-MG:
8 jogos | 4 vitórias | 1 empates | 3 derrotas | 15 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/ABC Color/Placar

Corinthians Campeão da Supercopa do Brasil Feminina 2023

A Supercopa do Brasil abriu a temporada 2023 do futebol feminino. E com o campeão de quase sempre, o Corinthians. O clube chega ao bicampeonato na segunda edição na história da competição, que manteve o mesmo regulamento da primeira: oito participantes, num mata-mata de partidas únicas.

Cada uma das oito melhores federações do país (São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Distrito Federal, Paraná e Ceará) tiveram o direito de indicar uma equipe para o certame. Os mandos de campo dos jogos foram predefinidos conforme a posição no ranking da CBF.

O adversário das alvinegras nas quartas de final foi o Atlético-MG. Na partida disputada em Diadema, no Distriral do Inamar, o Timão conseguiu uma vitória simples, por 1 a 0, e se classificou para a semifinal. O segundo confronto do Corinthians foi contra o Internacional, que havia eliminado o Athletico-PR. Na Neo Química Arena, a equipe bateu as gaúchas tal qual fez na decisão do Brasileirão de 2022, por 2 a 1.

A final foi entre Corinthians e Flamengo. As rubro-negras chegaram lá ao derrotar Ceará (por 10 a 0) e Real Brasília (que passou pelo Avaí/Kindermann nas quartas). Novamente, o jogo foi disputado na casa corinthiana. Com 45 segundos de bola rolando, Tamires já deixava o Timão em vantagem. Depois, Millene marcou outros dois gols. No segundo tempo, Tamires fez outro e o Flamengo ainda chegou a descontar a desvantagem. No fim, 4 a 1 e mais uma taça para a galeria alvinegra. A 14ª em 17 finais e sete anos de comando do técnico Arthur Elias.

A campanha do Corinthians:
3 jogos | 3 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 7 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Real Madrid Campeão Mundial 2022

Por muito pouco, o Mundial de Clubes de 2022 não foi o último de uma era. Dois anos após a pandemia de covid-19 suspender a ideia da competição quadrienal com 24 times, a FIFA retomou o projeto reformulado, agora previsto para 2025 e com 32 equipes. Ainda assim, o formato ficou com os dias contados.

As incertezas eram tantas que nem mesmo a entidade parecia ter clareza sobre o futuro do torneio. Prova disso é que a edição de 2022 foi organizada às pressas: o Marrocos foi confirmado como sede apenas dois meses antes do pontapé inicial, retornando ao papel de anfitrião após oito anos. A instabilidade também ficou evidente no desaparecimento de patrocinadores tradicionais, como a Coca-Cola, que sequer estampou sua marca na publicidade. Não houve logotipo exclusivo e, pela primeira vez, a disputa do quinto lugar foi abolida.

Apesar dos desencontros, a taça não perdeu brilho. O Real Madrid conquistou o oitavo título mundial após quatro anos de ausência, garantindo a vaga ao superar o Liverpool na final da Liga dos Campeões. A expectativa geral era por uma decisão contra o Flamengo, campeão da Libertadores diante do Athletico Paranaense, mas novamente o representante sul-americano caiu na semifinal.

O grande adversário dos espanhóis foi o Al-Hilal, da Arábia Saudita, escolhido pela confederação asiática, já que a liga continental ainda não havia terminado. Os outros participantes foram: Seattle Sounders, primeiro clube dos Estados Unidos a disputar o torneio pela Concacaf; Al-Ahly, tradicional equipe egípcia e vice-campeã africana; Auckland City, representante da Oceania; e Wydad Casablanca, campeão africano que também herdou a condição de anfitrião.

O torneio começou com vitória do Al-Ahly sobre o Auckland por 3 a 0. Nas quartas de final, o Wydad, empurrado pela torcida, acabou eliminado pelo Al-Hilal nos pênaltis (5 a 3), após empate por 1 a 1. Na outra partida, os egípcios venceram o Seattle Sounders por 1 a 0. Nas semifinais, o Flamengo caiu diante dos sauditas por 3 a 2, apesar dos dois gols de Pedro. Já o Real Madrid goleou o Al-Ahly por 4 a 1. Na disputa pelo terceiro lugar, os cariocas superaram os egípcios por 4 a 2.

A final entre Real Madrid e Al-Hilal foi disputada em 11 de fevereiro de 2023, no Estádio Prince Moulay Abdellah, em Rabat. E prevaleceu a lógica: com dois gols de Vinícius Júnior, dois de Federico Valverde e um de Karim Benzema, os merengues venceram por 5 a 3. Mesmo com a boa atuação dos sauditas, que marcaram três vezes, a decisão entrou para a história como uma das mais movimentadas e emocionantes da história do Mundial, com oito gols marcados.


Foto Chema Rey/Marca