O Campeonato Brasileiro da Série C é, provavelmente, a competição mais metamórfica do futebol nacional. Ao longo das décadas, o torneio já experimentou diversos formatos, nomenclaturas e funções. No final dos anos 1970, o Brasileirão, então batizado de Copa Brasil, já havia caído no gosto popular. No entanto, mesmo com suas edições inchadas, muitos clubes tradicionais do interior e dos subúrbios ficavam de fora do cenário nacional, restando-lhes apenas os campeonatos estaduais.
No início da década de 1980, a recém-criada CBF reestruturou o futebol nacional ao dividir o Campeonato Brasileiro em dois níveis principais: as Taças de Ouro e de Prata, que contavam com um sistema de acesso entre si. Pegando carona nessa onda de expansão, a entidade instituiu uma terceira competição nacional, voltada a dar calendário a equipes de menor orçamento. Foi assim que nasceu a Taça de Bronze em 1981, sem conexão de acesso com as taças superiores. A edição de 1981 reuniu 24 equipes de 21 estados. O regulamento regionalizado misturava mata-mata e fase de grupos.
O Olaria carimbou sua vaga como um dos representantes do Rio de Janeiro após não conseguir classificação para as Taças de Ouro e de Prata. Na primeira fase, o Azulão mediu forças com o Colatina. No jogo de ida, em solo capixaba, os cariocas venceram por 3 a 1. Na partida de volta, o time administrou o resultado e empatou em 1 a 1 no Maracanã. No cruzamento seguinte, o adversário foi o Paranavaí. O Olaria foi impecável: venceu a ida no Rio por 2 a 0 e carimbou a vaga ao bater os paranaenses por 1 a 0 na volta, no Estádio Willie Davids, em Maringá.
Na terceira etapa, o time da Rua Bariri foi sorteado no Grupo A, um triangular semifinal ao lado de São Borja e Dom Bosco. A estreia foi dolorosa: uma derrota por 2 a 0 para o São Borja no Rio Grande do Sul, no Estádio Vicente Goulart. Contudo, a reabilitação veio com força jogando em casa: vitórias por 2 a 0 sobre o Dom Bosco e por 1 a 0 contra os gaúchos.
Em seu último compromisso no grupo, o Olaria acabou derrotado pelo Dom Bosco por 1 a 0 em Cuiabá. Com sua participação encerrada, restou ao Azulão secar os rivais e torcer por um empate entre gaúchos e mato-grossenses, o que de fato aconteceu. Todas as três equipes terminaram a fase com quatro pontos, mas o Olaria avançou à final por ter conquistado duas vitórias, contra apenas uma de seus concorrentes.
A decisão colocou frente a frente o Olaria e o Santo Amaro, clube de Pernambuco que eliminou Auto Esporte, Baraúnas, Izabelense e Guarani-MG. O jogo de ida da final foi disputado no antigo estádio de Marechal Hermes. Na Zona Norte do Rio, o Olaria goleou por 4 a 0, encaminhando o troféu. O ato derradeiro aconteceu em Recife, no Arruda. Suportando a pressão pernambucana, o Azulão perdeu por 1 a 0, garantiu a festa carioca em solo nordestino e sacramentou a conquista da Taça de Bronze.

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