De todos os campeonatos regionais disputados entre 1997 e 2002, a Copa do Nordeste consolidou-se como o maior caso de sucesso, gerando expressiva rentabilidade aos clubes e enorme apelo popular entre os torcedores. O ano de 2003 tinha todas as credenciais para manter a fórmula consagrada na temporada anterior, mas a implementação do Campeonato Brasileiro em pontos corridos alterou drasticamente os rumos do futebol nacional.
Com a expansão do calendário da Série A, o período destinado aos estaduais foi reduzido pela CBF de cinco para apenas dois meses, entre janeiro e março. O impacto fez com que as federações estaduais pressionassem a entidade máxima do futebol nacional, que optou por remover os torneios regionais do calendário oficial. A Liga do Nordeste, contudo, bateu o pé e decidiu organizar a competição por conta própria. O projeto sofreu um duro golpe quando Bahia, Fortaleza, Confiança, Sport, Náutico e Santa Cruz desistiram da disputa antes do pontapé inicial.
A solução encontrada pela organização foi convidar duas equipes que não integravam a liga, Corinthians-AL e Palmeiras de Feira, para compor 12 participantes e adotar um regulamento de tiro curto, disputado inteiramente em mata-mata: uma fase preliminar envolvendo oito clubes, seguida de quartas de final, semifinais e final. Nesse cenário de incertezas, a principal força do torneio acabou sendo o Vitória, que caminhou rumo ao tricampeonato regional sem maiores sobressaltos.
Beneficiado pelo regulamento, o Leão da Barra estreou diretamente nas quartas de final, aguardando o vencedor do confronto entre Sergipe e Palmeiras de Feira. A equipe sergipana venceu por 2 a 0 e credenciou-se como a primeira oponente do rubro-negro. Em partida única disputada no Barradão, em Salvador, o Vitória impôs sua superioridade técnica e goleou por 4 a 0.
Na semifinal, o desafio foi diante do América-RN. No confronto de ida, disputado no Machadão, os baianos largaram em vantagem ao vencer por 1 a 0. No reencontro em Salvador, a partida reservou contornos de maior competitividade, mas o Leão assegurou o triunfo por 3 a 2 e avançou para a sua sexta decisão em oito edições da competição.
O adversário do Vitória na decisão foi o Fluminense de Feira, primeira equipe de interior a alcançar a final após desbancar Ceará e ABC. O primeiro jogo ocorreu no Joia da Princesa, em Feira de Santana, e terminou empatado em 1 a 1. A segunda partida foi disputada no Barradão. Apesar da pressão imposta pela equipe feirense, o Vitória fez valer o regulamento, que previa o critério do gol qualificado fora de casa como desempate, e administrou a vantagem. O empate sem gols deu o tricampeonato da Copa do Nordeste ao Leão. O título também representou a única nota de brilho em uma edição marcada pelo prejuízo financeiro, que culminou na descontinuidade do torneio a partir de 2004.

Muito bom seu trabalho de resgate da história, aguardando agora o campeão da Copa do Nordeste de 2010
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