Corinthians Campeão da Copa do Brasil 1995

A Copa do Brasil viveu seu grande ponto de virada em 1995. Após anos à margem do interesse das grandes redes de televisão, o torneio passou por uma negociação que mudou seus rumos definitivamente: o SBT adquiriu a exclusividade das transmissões, prometendo, e entregando, uma exposição massiva aos clubes.

Contudo, a emissora de Silvio Santos impôs suas contrapartidas. Ciente de que o critério exclusivo dos estaduais não garantia a presença dos clubes de maior audiência, o SBT costurou junto à CBF uma mudança no regulamento. Foram criadas quatro vagas para convidados: São Paulo, Flamengo, Grêmio (atual campeão) e o Democrata de Governador Valadares (que ocupou a última vaga por ter sido o terceiro colocado no Mineiro de 1994, após a recusa de outros grandes).

Com 36 participantes, a competição ganhou uma fase preliminar. Outra novidade importante no regulamento foi a regra do visitante: se o time de fora vencesse a ida por três ou mais gols de diferença, eliminava a necessidade do jogo de volta. Essa norma, contudo, valia apenas para a fase preliminar e para a primeira fase.

Em meio a essas transformações, o Corinthians sagrou-se campeão pela primeira vez, e de forma invicta. A campanha começou contra o Operário-MT, com um empate por 1 a 1 em Cuiabá e uma goleada por 4 a 0 no Pacaembu. Nas oitavas de final, o Timão superou o Rio Branco-AC com vitórias por 3 a 0 (fora) e 2 a 0 (casa).

Nas quartas de final, o adversário foi o Paraná Clube. Após um 0 a 0 em Curitiba, o Corinthians venceu por 2 a 1 em São Paulo. Na semifinal, o desafio foi o Vasco. No Maracanã, o Timão embalado venceu por 1 a 0. No jogo de volta, no Pacaembu, os paulistas tiveram uma atuação de gala e golearam por 5 a 0.

A grande final colocou o Corinthians frente a frente com o Grêmio, que chegava à sua quinta final em sete edições após eliminar Desportiva, Palmeiras, São Paulo e Flamengo. No primeiro jogo, no Pacaembu, o Timão venceu por 2 a 1, com gols de Viola e um golaço de falta de Marcelinho Carioca. Na partida decisiva no Olímpico, em Porto Alegre, o time paulista não baixou a guarda e faturou o título com mais um triunfo por 1 a 0. Novamente, Marcelinho brilhou e garantiu a taça inédita.

A campanha do Corinthians:
10 jogos | 8 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 21 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Pisco Del Gaiso/Placar

Grêmio Campeão da Copa do Brasil 1994

No ano do tetracampeonato da Seleção Brasileira, a Copa do Brasil testemunhou, pela primeira vez, um clube já campeão sentir novamente o gosto de erguer a taça. Em sua quarta final em seis participações, o Grêmio conquistou o bicampeonato, e, mais uma vez, de maneira invicta.

Em uma nova tentativa de impulsionar o torneio na televisão, a CBF vendeu os direitos de transmissão com exclusividade para a Rede Manchete. Entretanto, a estratégia ainda não era a ideal, já que a emissora não possuía o mesmo alcance de suas concorrentes diretas. Em 1994, ainda pairavam desconfianças sobre a viabilidade da Copa do Brasil a longo prazo. No campo, a novidade foi a inclusão do campeão de Tocantins, elevando o número para 26 estados representados.

O Imortal iniciou sua jornada rumo ao título contra o Criciúma, seu algoz de 1991. Desta vez, porém, Luiz Felipe Scolari estava do lado azul: o Grêmio eliminou o time catarinense após um empate por 2 a 2 no Heriberto Hülse e uma vitória por 2 a 1 no Olímpico Monumental.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Corinthians. O primeiro jogo, em Porto Alegre, terminou com vitória tricolor por 2 a 0. A segunda partida ocorreu no Pacaembu, onde um novo empate por 2 a 2 garantiu a classificação gaúcha. Nas quartas, o Grêmio superou o Vitória com dois triunfos por 1 a 0, tanto em Porto Alegre quanto em Salvador.

Na semifinal, disputada após a pausa para a Copa do Mundo, o Tricolor enfrentou o Vasco. A partida de ida, no Maracanã, terminou sem gols. No duelo de volta, no Olímpico, o artilheiro Nildo brilhou: com dois gols, ele comandou a vitória por 2 a 1 que carimbou o passaporte gremista para mais uma decisão.

A final foi contra o Ceará, a grande surpresa daquela edição, que eliminou forças tradicionais como Campinense, Palmeiras, Internacional e Linhares. O jogo de ida, no Castelão, terminou em 0 a 0, com o Grêmio segurando a pressão em Fortaleza. A volta aconteceu em um Olímpico lotado. O gol do título saiu cedo, logo aos três minutos: Nildo, de cabeça, marcou o 1 a 0. O placar se sustentou até o apito final, confirmando a mística copeira do Grêmio de Felipão.

A campanha do Grêmio:
10 jogos | 6 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 13 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto José Doval/Agência RBS

Cruzeiro Campeão da Copa do Brasil 1993

Na Copa do Brasil de 1993, nasceu aquela que se tornaria a maior hegemonia da competição. O Cruzeiro, empenhado em recuperar o protagonismo perdido nos anos 1980 (década em que conquistou apenas dois títulos mineiros), entrou no torneio para erguer a primeira das seis taças de sua galeria.

O regulamento e o número de estados participantes não sofreram alterações em relação a 1992. No entanto, houve uma nova mudança no calendário: a competição voltou a ser disputada no primeiro semestre, simultaneamente aos estaduais e à Libertadores, ocupando o período oposto ao do Campeonato Brasileiro.

A campanha da Raposa começou contra a Desportiva, do Espírito Santo. Após um empate por 1 a 1 no jogo de ida, em Cariacica, o time mineiro confirmou a classificação com uma goleada por 5 a 0 no Mineirão.

Nas oitavas de final, o Cruzeiro passou sufoco contra o Náutico. Após perder por 1 a 0 nos Aflitos, conseguiu reverter o confronto em casa ao vencer por 2 a 0. Já nas quartas, a equipe eliminou o temido São Paulo de Telê Santana com uma vitória categórica por 2 a 1 no Morumbi e um empate por 2 a 2 em Belo Horizonte.

O adversário na semifinal foi o Vasco. No primeiro duelo, disputado no Mineirão, a Raposa venceu por 3 a 1, com dois gols de Edenilson e um de Luís Fernando Flores, encaminhando a vaga. O empate por 1 a 1 em São Januário apenas carimbou a passagem para a decisão.

Na grande final, o Cruzeiro encarou o Grêmio, que chegava à sua terceira final em cinco edições após superar Sorriso, União Bandeirante, Palmeiras e Flamengo. O jogo de ida, no Olímpico, foi marcado por uma forte chuva. Em um campo castigado pela lama, o placar não saiu do 0 a 0. A volta ocorreu no Mineirão, sob condições ideais de gramado. Roberto Gaúcho abriu o placar aos 12 minutos, contando com uma falha clamorosa do goleiro gremista Eduardo Heuser. O Grêmio chegou a empatar, mas, logo aos 20 segundos do segundo tempo, Cleisson marcou o gol do 2 a 1, garantindo o título inédito ao Cruzeiro.

A campanha do Cruzeiro:
10 jogos | 5 vitórias | 4 empates | 1 derrota | 18 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Arquivo/EM/D.A Press

Internacional Campeão da Copa do Brasil 1992

Em 1992, a Copa do Brasil completou quatro edições sob o risco real de descontinuidade. A televisão ainda relutava em se interessar pelo torneio e a audiência permanecia baixa. O desfecho de 1991 também não colaborou, com semifinais consideradas de pouco apelo comercial: Criciúma x Remo (ambos na Série B) e Grêmio x Coritiba (um recém-rebaixado e o outro na segunda divisão).

Em uma manobra para tentar impulsionar o torneio, a CBF transferiu a competição para o segundo semestre, invertendo o calendário com o Brasileirão (que ocorria no início do ano) e colocando-a em paralelo aos estaduais. Outras novidades foram as entradas dos campeões do Amapá e de Rondônia, expandindo a lista de participantes para 25 estados.

Dentro de campo, o Internacional sagrou-se campeão com atuações brilhantes, impulsionadas pelo faro de gol de Gérson. O artilheiro, na época, convivia com polêmicas e boatos sobre sua saúde, com suspeitas de que seria portador do vírus HIV (ele viria a falecer em 1994). O Colorado iniciou sua trajetória contra o Muniz Freire, do Espírito Santo, eliminando-o com vitórias por 3 a 1 fora de casa e 5 a 0 no Beira-Rio.

Nas oitavas de final, o Inter enfrentou o Corinthians. Na primeira partida, no Pacaembu, os gaúchos tiveram uma atuação memorável e golearam o Timão em plena São Paulo por 4 a 0, abrindo uma vantagem irreversível. Na volta, em Porto Alegre, o empate sem gols apenas confirmou a classificação.

Nas quartas, ocorreu o clássico Grenal. Ambos os confrontos, primeiro no Olímpico e depois no Beira-Rio, terminaram empatados em 1 a 1. Na decisão por pênaltis, o Inter foi mais eficiente e venceu o arquirrival por 3 a 0. Já na semifinal, o Colorado superou o Palmeiras com duas vitórias: 2 a 0 no Palestra Itália e 2 a 1 no Beira-Rio.

O Internacional enfrentou o Fluminense na grande decisão. Os cariocas chegaram à final após superarem Picos, Sergipe, Criciúma e Sport. No jogo de ida, nas Laranjeiras, o Colorado saiu derrotado por 2 a 1. O gol de Caíco, no entanto, foi vital para amenizar a desvantagem. Na volta, no Beira-Rio, uma vitória simples por 1 a 0 bastava para o título. O gol da conquista veio de forma dramática, aos 43 minutos do segundo tempo, em um pênalti convertido pelo zagueiro Célio Silva.

A campanha do Internacional:
10 jogos | 6 vitórias | 3 empates | 1 derrota | 20 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Adolfo Gerchmann/Placar

Criciúma Campeão da Copa do Brasil 1991

Ainda sem engrenar comercialmente, a Copa do Brasil seguiu para sua terceira edição em 1991. Se nas duas primeiras as zebras apenas flertaram com o título, desta vez ele não escapou: a taça ficou com o Criciúma. O feito foi ainda mais curioso porque, simultaneamente, o clube disputava a Série B do Brasileirão, competição na qual sequer passou da primeira fase naquele ano.

Mas não se pode dizer que a conquista foi um mero acaso. O Tigre já havia sido semifinalista em 1990 e, na época, o acesso dos clubes ditos grandes era restrito, com o limite de apenas duas vagas por estado. A força do Estádio Heriberto Hülse foi um dos pilares da campanha invicta. No comando da equipe estava Luiz Felipe Scolari, em um trabalho que o projetaria definitivamente para o cenário nacional.

Na primeira fase, o Criciúma enfrentou o Ubiratan, do Mato Grosso do Sul. Após um empate por 1 a 1 fora de casa na ida, o time catarinense goleou por 4 a 1 na volta. Nas oitavas de final, o Tigre eliminou o Atlético-MG com autoridade, vencendo tanto o jogo em casa quanto o duelo no Mineirão pelo placar de 1 a 0.

Nas quartas, o Carvoeiro reencontrou o Goiás, em uma revanche da semifinal de 1990. A primeira partida, no Serra Dourada, terminou em 0 a 0. No jogo de volta, o Heriberto Hülse ferveu e o Criciúma garantiu a classificação com uma vitória histórica por 3 a 0.

Na semifinal, o adversário foi o Remo. O jogo de ida, no Baenão, em Belém, terminou com vitória tricolor por 1 a 0, graças ao gol do atacante Soares. Na volta, novamente no Heriberto Hülse, outro tento de Soares e um gol contra dos paraenses selaram o 2 a 0, colocando o Criciúma na grande decisão.

A final foi contra o Grêmio, que vivia o drama do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, mas fazia campanha sólida na Copa, tendo eliminado Auto Esporte-PB, Fluminense de Feira, Corinthians e Coritiba. O primeiro jogo ocorreu no Olímpico, em Porto Alegre, mas o Criciúma não se intimidou: Vilmar marcou no empate por 1 a 1, garantindo a vantagem do empate sem gols para a volta. No Heriberto Hülse, diante de quase 20 mil torcedores, o 0 a 0 persistiu, coroando o título invicto e merecido do Tigre, o primeiro troféu nacional de um clube catarinense.

A campanha do Criciúma:
10 jogos | 6 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 14 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Arquivo/Criciúma

Flamengo Campeão da Copa do Brasil 1990

A primeira Copa do Brasil foi um sucesso em campo, mas um “fracasso” fora dele. A final entre Grêmio e Sport foi considerada de baixo apelo para a televisão. Como consequência, tanto a Globo quanto a Bandeirantes deixaram de transmitir o torneio a partir de 1990. Apenas emissoras públicas ou regionais exibiram os jogos naquele ano, o que prejudicou consideravelmente a visibilidade da competição na época.

Ainda assim, o modelo do torneio era visto com bons olhos, pois atendia aos interesses da CBF e das federações estaduais. O regulamento com 32 participantes foi mantido e, com a profissionalização do futebol no Acre, a divisão de vagas passou a ser de 23 campeões e nove vices estaduais.

O título de 1990 ficou com o Flamengo, que se redimiu do revés sofrido na semifinal de 1989. No primeiro ano após a aposentadoria de Zico, e com o lateral Júnior liderando um elenco de jovens promessas, o Rubro-Negro iniciou sua jornada contra o Capelense, de Alagoas. Na ida, goleou por 5 a 1 na Gávea; na volta, aplicou um 4 a 0 no interior alagoano.

Nas oitavas de final, o Fla enfrentou o Taguatinga, do Distrito Federal. Novamente, a primeira partida ocorreu no Rio de Janeiro, com vitória flamenguista por 2 a 0. O segundo jogo, no Serejão (hoje conhecido como Boca do Jacaré), terminou em empate por 1 a 1. Nas quartas, o Flamengo eliminou o Bahia com outro empate por 1 a 1 na Fonte Nova e uma vitória por 1 a 0 no Estádio Mário Helênio, na mineira Juiz de Fora.

Na semifinal, o Rubro-Negro encarou o Náutico. A primeira partida aconteceu em Juiz de Fora, que se tornou a casa do Flamengo até a final. O time carioca abriu uma vantagem confortável de 3 a 0 logo na ida, tornando o duelo de volta nos Aflitos, em Recife, bem mais tranquilo. O empate por 2 a 2 carimbou o passaporte do Fla para sua primeira final na competição.

A decisão da Copa do Brasil de 1990 foi disputada contra o Goiás, que havia superado Cruzeiro, Operário-MS, Atlético-MG e Criciúma. O primeiro jogo foi realizado novamente no Mário Helênio. Em uma tarde de quinta-feira, apenas 2.437 torcedores testemunharam o zagueiro Fernando marcar, de cabeça, o gol da vitória por 1 a 0. Na segunda partida, no Serra Dourada, em Goiânia, os cariocas seguraram o 0 a 0 e conquistaram o título invicto.

A campanha do Flamengo:
10 jogos | 6 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 20 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Carlos Costa/Placar

Grêmio Campeão da Copa do Brasil 1989

Entre 1973 e 1986, o Campeonato Brasileiro serviu como um verdadeiro instrumento político para as federações estaduais, com edições que superavam facilmente os 40 times e atingiram o ápice de 94 participantes em 1979. A partir de 1987, porém, a Copa União e a fundação do Clube dos 13 surgiram para fechar essa torneira.

Em 1989, as federações passaram a pressionar o então novo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, pela criação de uma competição que voltasse a contemplá-las. Assim, a Copa do Brasil foi introduzida no calendário. Inspirada nos clássicos mata-matas europeus, a primeira edição contou com 32 participantes: os 22 campeões estaduais de 1988, somados a dez vices das federações melhor colocadas no ranking da entidade nacional. Na época, apenas estados com futebol profissional tinham permissão para integrar o torneio.

O primeiro campeão foi o Grêmio, que ali iniciou uma histórica identificação com o estilo da competição, mantendo-se por décadas como seu maior vencedor. A campanha tricolor começou contra o Ibiraçu, do Espírito Santo: vitória por 1 a 0 fora de casa na ida e goleada por 6 a 0 no Estádio Olímpico na volta.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Mixto. Em Cuiabá, o Imortal aplicou um 5 a 0 e liquidou a fatura logo no primeiro jogo. Ainda não existia a regra de eliminação direta no jogo de ida (criada apenas em 1995), mas a desvantagem elástica fez os mato-grossenses desistirem de viajar a Porto Alegre, embora a versão oficial alegue a falta de voos. O Grêmio avançou por W.O. Nas quartas, o Tricolor Gaúcho eliminou o Bahia com vitórias por 2 a 0 na Fonte Nova e 1 a 0 no Olímpico.

A semifinal foi contra o Flamengo. O primeiro jogo, no Maracanã, terminou empatado em 2 a 2. Na volta, no Olímpico, o Grêmio aplicou uma de suas goleadas mais memoráveis: 6 a 1 sobre os cariocas.

A final da primeira Copa do Brasil foi disputada entre Grêmio e Sport. Os pernambucanos chegaram à decisão após eliminarem Fortaleza, Guarani, Vitória e Goiás. O jogo de ida, na Ilha do Retiro, terminou sem gols. No duelo decisivo no Olímpico, Assis abriu o placar aos nove minutos, mas o goleiro Mazaropi acabou empatando com um gol contra aos 31. Aos sete minutos do segundo tempo, Cuca marcou o gol do 2 a 1, consolidando o primeiro título, invicto, da história da Copa do Brasil para o Grêmio.

A campanha do Grêmio:
10 jogos | 8 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 25 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Sérgio Sade/Placar