O ano de 1987 é o marco zero de uma disputa eterna entre Sport e Flamengo. A crise começou no ano anterior, quando a tentativa da CBF de rebaixar 16 dos 48 clubes do Brasileirão naufragou em liminares judiciais de equipes que buscavam a permanência na elite. Desgastada politicamente e alegando insolvência financeira, a entidade declarou-se incapaz de organizar o campeonato nacional de 1987.
Diante do vácuo de poder e do risco de um ano sem futebol, as 13 principais forças do país uniram-se para fundar o Clube dos 13. A entidade assumiu a responsabilidade de organizar a Copa União, convidando outras três equipes para fechar um quórum de 16 clubes de elite.
A exclusão de clubes tradicionais que, pelo regulamento de 1986, deveriam estar na primeira divisão, gerou revolta. Pressionada, a CBF interveio: não reconheceu a seletividade da Copa União e criou um torneio paralelo com as equipes preteridas pelo C13. A solução de conciliação foi dividir o campeonato em Módulo Verde (Copa União/C13) e Módulo Amarelo (CBF). A entidade determinou que os dois finalistas de cada módulo deveriam realizar um quadrangular final para decidir o campeão brasileiro.
Desde o princípio, os clubes do Módulo Verde prometeram boicotar o cruzamento, sustentando que a final da Copa União já representaria a decisão do título nacional. Flamengo e Internacional honraram o pacto e recusaram-se a entrar em campo contra Sport e Guarani, os finalistas do Módulo Amarelo.
O Flamengo iniciou a Copa União sob desconfiança, vindo de um vice-campeonato carioca. Contudo, o elenco era estelar, contando com a experiência de Zico e Leandro, além da explosão de jovens como Bebeto e a força de Renato Gaúcho. Os 16 times foram divididos em dois grupos. No primeiro turno, as equipes de uma chave enfrentaram as da outra. O Fla teve um início irregular no Grupo A: em oito jogos, conquistou apenas duas vitórias, três empates e três derrotas. Com sete pontos, viu o Atlético-MG dominar a chave com o dobro da pontuação e garantir a primeira vaga na semifinal. No outro grupo, o Internacional também assegurou sua classificação antecipada.
O cenário mudou no segundo turno, quando os times jogaram dentro de seus próprios grupos. O Flamengo encontrou seu equilíbrio, somando quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota em sete partidas. Com dez pontos, o rubro-negro ficou na vice-liderança do grupo. Como o Atlético-MG liderou novamente (com 11 pontos), o regulamento previa que a vaga seria repassada ao segundo colocado do turno. Assim, o Flamengo avançou, enquanto o Cruzeiro completava o quadro de semifinalistas na outra chave.
A semifinal reservou o confronto entre Flamengo e Atlético-MG. No Maracanã, o Fla venceu a ida por 1 a 0. No jogo de volta, no Mineirão, o Flamengo protagonizou uma exibição épica: venceu por 3 a 2, manteve a histórica freguesia alvinegra em decisões e carimbou a vaga na final contra o Internacional, que passou pelo Cruzeiro.
A decisão foi o encontro de duas das camisas mais pesadas do país. No Beira-Rio, as equipes empataram em 1 a 1, deixando a decisão aberta para o Rio de Janeiro. Diante de sua torcida no Maracanã, o Flamengo foi cirúrgico. Logo no início, Bebeto marcou o gol da vitória por 1 a 0. O triunfo garantiu ao rubro-negro o troféu da Copa União e, na visão de muitos, o quarto título brasileiro.






