Fluminense Campeão Brasileiro 1984

O Brasileirão de 1984 foi marcado por um tom saudosista e, ao mesmo tempo, politicamente conturbado. A CBF resgatou o nome Copa Brasil para a competição, mas gerou polêmica ao ignorar critérios técnicos de acesso: o Juventus, campeão da Série B de 1983, foi impedido de subir para a elite, enquanto gigantes como Vasco e Grêmio, que haviam falhado em seus estaduais, entraram como convidados. Em meio a esse cenário, o Fluminense construiu a campanha de seu segundo título.

A trajetória tricolor foi um exercício de regularidade e crescimento tático. Na primeira fase, o Fluminense ficou no Grupo C. Com cinco vitórias, dois empates e uma derrota, o time de Assis e Washington garantiu a segunda vaga da chave com 12 pontos, logo atrás do Santos.

Na segunda fase, o nível subiu. O Flu encarou o Grupo I, medindo forças com São Paulo, Goiás e Bahia. Em seis rodadas, o Tricolor das Laranjeiras foi líder com oito pontos, fazendo três vitórias, dois empates e uma derrota. Era uma demonstração que o elenco comandado por Carlos Alberto Parreira estava pronto para os grandes desafios.

Na terceira fase, 16 equipes foram divididas em quatro grupos. O Fluminense encabeçou o Grupo P, superando Santo André, Operário-MS e Portuguesa. Invicto nesta etapa, com quatro vitórias e dois empates, o time somou dez pontos e foi ao mata-mata como um dos grandes favoritos.

O sistema eliminatório revelou a força mental daquela equipe. Nas quartas de final, contra o Coritiba, o Flu buscou um empate em 2 a 2 no Couto Pereira. Na volta, o Maracanã testemunhou um massacre: 5 a 0, sem dar chances aos paranaenses. Na semifinal, o confronto foi contra o Corinthians, na revanche da "Invasão" de 1976. O Fluminense deu o troco com autoridade, vencendo por 2 a 0 em pleno Morumbi e segurando o 0 a 0 no Rio de Janeiro.

O Maracanã foi o palco absoluto para decidir qual vizinho mandaria no Brasil. De um lado, o Vasco, que eliminou Portuguesa e Grêmio. Do outro, o Fluminense do "Casal 20". O destino da taça começou a ser traçado logo no primeiro jogo: o paraguaio Romerito, que se tornaria ídolo, marcou o único gol da partida, selando a vitória tricolor por 1 a 0.

No segundo jogo, o Fluminense fez valer sua solidez defensiva e a vantagem do regulamento. O empate em 0 a 0 foi o suficiente para que o tricolor erguesse o troféu. Após 14 anos de espera, o Flu faturava o seu bicampeonato brasileiro.

A campanha do Fluminense:
26 jogos | 15 vitórias | 9 empates | 2 derrotas | 37 gols marcados | 13 gols sofridos


Foto Ronaldo Kotscho/Placar

Flamengo Campeão Brasileiro 1983

A Taça de Ouro de 1983 representou o ápice do futebol como fenômeno de massa no Brasil. Com uma média de público de 22.953 pagantes por jogo, a competição pulsava. O regulamento parecia ter encontrado um equilíbrio: 40 clubes, reforçados por mais quatro da Taça de Prata que ascendiam no mesmo ano. Nesse cenário, o Flamengo mantinha o foco no tricampeonato nacional.

A campanha rubro-negra começou no Grupo A. Em oito partidas, o Flamengo somou cinco vitórias, dois empates e uma derrota. Terminou na vice-liderança com 12 pontos, apenas um atrás do Santos. Àquela altura, paulistas e cariocas mal sabiam que aquele era apenas o primeiro capítulo de um duelo que decidiria o país meses depois.

Na segunda fase, o Fla foi alocado no Grupo M, enfrentando Palmeiras, Americano e Tiradentes-PI. Com inteligência tática, o time administrou a classificação com três vitórias, dois empates e uma derrota, avançando em segundo lugar com oito pontos, um atrás do alviverde paulista.

A terceira fase elevou a tensão. No Grupo T, o Flamengo encarou o Corinthians da "Democracia", o Goiás e o Guarani. Foi o momento da virada de chave: com mais três vitórias, dois empates e uma derrota, o Fla assumiu a liderança, carimbando o passaporte para o mata-mata com mais oito pontos.

Os confrontos eliminatórios foram testes de nervos. Nas quartas de final, no Clássico dos Milhões contra o Vasco, o Flamengo prevaleceu ao vencer a ida por 2 a 1 e empatar em 1 a 1 na volta, eliminando o arquirrival no Maracanã. Na semifinal, o adversário foi o Athletico-PR. No Rio, o Fla foi implacável e venceu por 3 a 0. A vantagem foi vital, pois no Couto Pereira os paranaenses pressionaram. O Flamengo suportou a derrota por 2 a 0 e garantiu a vaga na final.

A decisão promoveu o reencontro com o Santos, que no mata-mata passou por Goiás e Alético-MG. No jogo de ida, no Morumbi, os alvinegros fizeram valer o mando e venceram por 2 a 1, obrigando o Flamengo a vencer no Rio de Janeiro.

Na segunda partida, o Maracanã recebeu o maior público da história do Brasileirão: 155.523 torcedores espremidos para ver a despedida de Zico, que partiria para a Itália. E o Galinho não decepcionou. Com apenas 40 segundos de jogo, ele marcou o gol mais rápido em finais de Brasileiro. Pelo regulamento, o 1 a 0 já bastava, mas o Flamengo queria o espetáculo. Com gols de Leandro e Adílio, o placar foi esticado para 3 a 0. A vitória categórica selou o terceiro título brasileiro em quatro anos.

A campanha do Flamengo:
26 jogos | 14 vitórias | 7 empates | 5 derrotas | 57 gols marcados | 30 gols sofridos


Foto Arquivo/Flamengo

Flamengo Campeão Brasileiro 1982

Após conquistar a América e o Mundo em 1981, o Flamengo voltou suas atenções para o cenário doméstico em 1982. A Taça de Ouro daquele ano manteve o número de participantes, mas trouxe um regulamento ainda mais dinâmico. Na primeira fase, os clubes foram divididos em oito grupos de cinco. Os três melhores avançavam direto, enquanto os quartos colocados disputavam uma repescagem. O sistema de acesso da Taça de Prata no mesmo ano foi mantido, e o Corinthians, após um estadual ruim, foi o gigante da vez a iniciar a jornada na segunda divisão.

O Flamengo iniciou sua campanha no Grupo C, ao lado de São Paulo, Náutico, Ferroviário e Treze. Sob o comando de Paulo César Carpegiani, o rubro-negro foi implacável: em oito jogos, conquistou sete vitórias e um empate. Com 15 pontos e a liderança, o Fla avançou com a moral elevada.

Na segunda fase, o nível de dificuldade subiu drasticamente. O Flamengo caiu no Grupo K, um verdadeiro "grupo da morte" com Atlético-MG, Internacional e o Corinthians (vindo da Taça de Prata). Em confrontos cascudos, o Mengão sentiu o peso da maratona, mas garantiu a classificação na segunda posição com oito pontos, um atrás do Corinthians, somando três vitórias, dois empates e uma derrota.

O Flamengo demonstrou uma maturidade impressionante no sistema eliminatório, construindo suas classificações quase sempre longe do Rio de Janeiro. Nas oitavas de final, contra o Sport, venceu no Maracanã por 2 a 0 e passou sufoco na Ilha do Retiro ao ser derrotado por 2 a 1. Nas quartas de final, enfrentou o Santos no Rio e em São Paulo. Venceu a ida por 2 a 1 em casa e segurou o empate em 1 a 1 fora. Na semifinal, contra o Guarani, o roteiro se repetiu. Vitória por 2 a 1 no Maracanã e confirmação da vaga com um eletrizante 3 a 2 no Brinco de Ouro, com três gols de Zico.

A decisão de 1982 foi um encontro de luxo entre os dois últimos campeões: Flamengo e Grêmio, que eliminou Vasco, Fluminense e Corinthians. No primeiro jogo, no Maracanã, o Grêmio quase surpreendeu, mas o Flamengo buscou um suado empate em 1 a 1 no fim. No segundo jogo, no Olímpico, as defesas prevaleceram e o 0 a 0 levou a decisão para uma terceira partida, também em Porto Alegre, devido à melhor campanha gremista.

Diante de 63 mil torcedores no Olímpico, o Grêmio jogava pelo empate para ser bicampeão, mas, logo aos dez minutos, Nunes recebeu passe de Zico, invadiu a área e fez 1 a 0. No restante do jogo, o Flamengo suportou heroicamente a pressão do tricolor, com atuações gigantescas de Leandro e Raul. Ao apito final, o rubro-negro celebrava seu segundo título brasileiro.

A campanha do Flamengo:
23 jogos | 15 vitórias | 6 empates | 2 derrotas | 48 gols marcados | 27 gols sofridos


Foto J.B. Scalco/Placar

Grêmio Campeão Brasileiro 1981

Em seu segundo ano sob a organização da CBF, a Taça de Ouro de 1981 trouxe uma rara estabilidade ao calendário, mantendo os 40 participantes iniciais e o sistema de acesso de quatro clubes vindos da Taça de Prata no meio da competição. Contudo, o regulamento ficou mais dinâmico: a fase de grupos que antecedia a semifinal foi substituída por um sistema de mata-mata, começando já nas oitavas de final.

Este ano também marcou o rigor dos critérios técnicos: o Palmeiras, após uma campanha desastrosa no Paulistão de 1980, tornou-se a primeira grande vítima do regulamento, sendo obrigado a disputar a Taça de Prata (a segunda divisão). Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, a gangorra começava a virar: após uma década de domínio colorado, o Grêmio montava um esquadrão para buscar o topo do Brasil.

Na primeira fase, o Grêmio foi inserido no Grupo B. Sem brilhantismo, mas com enorme pragmatismo, o time classificou-se na quarta posição, com dez pontos em quatro vitórias, dois empates e três derrotas.

Na segunda fase, as 28 equipes classificadas uniram-se aos quatro sobreviventes da Taça de Prata, formando oito grupos de quatro. O Grêmio caiu no Grupo E, ao lado de Fortaleza, Inter de Limeira e São Paulo. Este grupo serviu como um ensaio para a final: o São Paulo liderou a chave com nove pontos, deixando o Grêmio em segundo, com oito, acumulando quatro vitórias e duas derrotas.

O mata-mata testou os nervos da torcida gremista. Nas oitavas de Final, contra o Vitória, o Grêmio sofreu na Fonte Nova, perdendo por 2 a 1. Na volta, a força do Estádio Olímpico prevaleceu, e o triunfo por 2 a 0 garantiu a vaga. Nas quartas de final, o adversário foi o Operário-MS. O Tricolor venceu em Porto Alegre por 2 a 0 e carimbou a classificação com uma vitória magra por 1 a 0 em Campo Grande.

Na semifinal, o duelo contra a Ponte Preta foi histórico. Após vencer em Campinas por 3 a 2, o Grêmio recebeu o adversário no Olímpico diante de 98.421 pessoas, o maior público da história do estádio. Apesar da derrota por 1 a 0 em casa, o Grêmio avançou à final por ter tido melhor campanha.

A decisão foi contra o São Paulo, que passou por Santos, Internacional e Botafogo. Na ida, em um Olímpico pulsante, o Grêmio saiu atrás no placar, mas demonstrou a resiliência que viraria sua marca registrada. Com dois gols de Paulo Isidoro, o Tricolor virou para 2 a 1, levando a vantagem para a capital paulista. Na volta, no Morumbi, o São Paulo parou na defesa sólida montada por Ênio Andrade. Aos nove minutos do segundo tempo, Baltazar, dominou no peito e soltou uma bomba para marcar um golaço. O placar de 1 a 0 deu ao Imortal Tricolor o seu primeiro título brasileiro.

A campanha do Grêmio:
23 jogos | 14 vitórias | 2 empates | 7 derrotas | 32 gols marcados | 21 gols sofridos


Foto Ronaldo Kotscho/Placar

Flamengo Campeão Brasileiro 1980

O ano de 1980 marcou uma revolução estrutural no futebol brasileiro. Com o desmembramento da CBD em diversas entidades especializadas, nasceu a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), focada exclusivamente na gestão da modalidade. Sob pressão dos clubes tradicionais para reformar o calendário, o Campeonato Brasileiro caiu de 94 participantes em 1979 para 44 na nova Taça de Ouro.

Simultaneamente, o cenário ganhou hierarquia com a ressurreição da segunda divisão (Taça de Prata) e a criação da terceira divisão (Taça de Bronze), utilizando os campeonatos estaduais como critério técnico de qualificação. Em meio a esse novo ordenamento, consolidou-se a maior força do futebol nacional na década, o Flamengo de Zico, Júnior, Leandro, Adílio e Nunes.

Na primeira fase, 40 clubes foram distribuídos em quatro grupos de dez. O Flamengo, dentro do Grupo C, encerrou a etapa na vice-liderança com cinco vitórias, três empates e apenas uma derrota. Com 13 pontos, o rubro-negro avançou com tranquilidade para a fase seguinte, dois pontos atrás do líder Santos.

A segunda fase trouxe 28 equipes classificadas uniram-se a quatro times oriundos da Taça de Prata (os melhores da segunda divisão que subiam no mesmo ano). O Flamengo dominou o Grupo F com quatro vitórias e dois empates contra Palmeiras, Santa Cruz e Bangu, avançando como líder dez pontos.

Na terceira fase, o cerco fechou com 16 clubes divididos em quatro grupos de quatro, em turno único. O Fla sobrou no Grupo C: venceu Desportiva e Ponte Preta, e segurou um empate com o Santos, garantindo a vaga na semifinal com cinco pontos conquistados.

A semifinal foi o prelúdio do drama. O adversário foi o Coritiba. No jogo de ida, no Couto Pereira, o Flamengo foi cirúrgico e venceu por 2 a 0. No jogo da volta, no Maracanã, o Coritiba endureceu a partida, mas o talento carioca prevaleceu em um movimentado 4 a 3. O passaporte para a final estava carimbado contra o Atlético-MG, que vinha de eliminar o então campeão Internacional.

A decisão de 1980 é muito citada como a maior da história do Brasileirão, entre duas seleções disfarçadas de clubes. No Mineirão, o Atlético-MG impôs seu ritmo e venceu por 1 a 0. O jogo da volta foi no Maracanã. Por ter melhor campanha, o Flamengo jogava por uma vitória simples. Nunes abriu o placar, mas os mineiros empataram. Zico colocou o Fla na frente de novo, e os mineiros empataram novamente. O empate dava o título ao alvinegro, até que, aos 37 minutos do segundo tempo, Nunes fez 3 a 2, coroando o Flamengo como campeão brasileiro pela primeira vez.

A campanha do Flamengo:
22 jogos | 14 vitórias | 6 empates | 2 derrotas | 46 gols marcados | 20 gols sofridos


Foto Aníbal Philot/Agência O Globo

Internacional Campeão Brasileiro 1979

A Copa Brasil de 1979 representou o ápice da desorganização administrativa no futebol brasileiro. Em seu último ano de atividade antes de dar lugar à CBF, a CBD promoveu um torneio com 94 equipes. Tamanho caos no calendário e no regulamento levou à desistência de potências paulistas como Corinthians, São Paulo, Santos e Portuguesa antes mesmo do pontapé inicial. Alheio ao tumulto institucional, o Internacional vivia um momento de renovação técnica, lapidando um esquadrão que unia a experiência de Falcão ao vigor de jovens talentos como Mauro Galvão.

O caminho para a eternidade foi longo. Na primeira fase, 80 clubes foram distribuídos em dez grupos. O Colorado, colocado no Grupo G, demonstrou sua autoridade logo de partida: terminou a fase na liderança isolada, com seis vitórias e três empates em nove jogos. Com 15 pontos conquistados, avançou sem sustos para a etapa seguinte.

Na segunda fase, os 44 classificados somaram-se a 12 clubes de São Paulo e Rio de Janeiro que entraram direto nesta fase, em oito grupos. O Internacional, no Grupo K, manteve a invencibilidade com quatro vitórias e três empates, liderando a chave com 11 pontos, um a mais que o vice Athletico-PR.

A terceira fase reuniu os 14 sobreviventes aos finalistas do ano anterior, Guarani e Palmeiras, divididos em quatro grupos. No Grupo R, o Inter atingiu a maturidade total: venceu o Goiás, o Cruzeiro e obteve os pontos contra o Atlético-MG por W.O., após o clube mineiro retirar-se do torneio em protesto contra a desorganização. O Inter avançou à semifinal ao lado de Coritiba, Palmeiras e Vasco.

A semifinal promoveu o reencontro com o Palmeiras, carrasco do ano anterior. No entanto, desta vez a história foi escrita em vermelho. No Morumbi, o Inter aplicou um eletrizante 3 a 2, com uma atuação magistral de Falcão. No Beira-Rio, a vaga na final foi confirmada com um empate em 1 a 1, mantendo a invencibilidade colorada sob o comando de Ênio Andrade.

A final colocou frente a frente os dois únicos times que ainda não haviam perdido no torneio: Internacional e Vasco, que tirou o Coritiba. No jogo de ida, no Maracanã, o Colorado deu um passo gigante rumo ao título ao vencer por 2 a 0, com dois gols do reserva Chico Spina. Na volta, um Beira-Rio lotado celebrou a coroação definitiva. Com gols de Jair e Falcão, o Internacional venceu por 2 a 1. O apito final imortalizou aquele elenco: o Inter sagrava-se tricampeão brasileiro e, até hoje, permanece como o último clube a ter conquistado o título nacional de forma invicta (16 vitórias e sete empates).

A campanha do Internacional:
23 jogos | 16 vitórias | 7 empates | 0 derrotas | 40 gols marcados | 13 gols sofridos


Foto J.B. Scalco/Placar

Guarani Campeão Brasileiro 1978

A Copa Brasil atingiu níveis hiperbólicos de participação em 1978, contando com 74 equipes. E, em meio a esse mar de clubes e regulamentos complexos, o país testemunhou o surgimento de uma força improvável vinda de Campinas. O Guarani, revelando para o mundo o jovem e atacante Careca, fez história ao tornar-se o primeiro clube do interior de um estado a conquistar o título máximo do futebol brasileiro. Naquele ano, a regra do ponto extra foi endurecida: o bônus de um ponto agora só era concedido para vitórias com diferença de três ou mais gols.

A caminhada bugrina não começou de forma avassaladora, o que torna sua arrancada final ainda mais impressionante. Na primeira fase, o time foi inserido no Grupo D. Com uma campanha sólida, porém discreta, o Guarani terminou na quinta posição entre 12 equipes, somando 16 pontos (dois extras), com cinco vitórias, quatro empates e duas derrotas.

Na segunda fase, 36 times foram divididos em quatro grupos. O rendimento da equipe comandada por Carlos Alberto Silva seguiu equilibrado: avançou na quarta posição do seu grupo, somando 11 pontos em três vitórias, três empates e duas derrotas. Enquanto o Vasco liderava as estatísticas gerais, o Guarani trabalhava silenciosamente, ajustando o entrosamento.

Foi na terceira fase, dividida em quatro grupos de oito equipes, que o Bugre mostrou suas garras. O Guarani dominou o Grupo A de forma invicta, com seis vitórias e um empate. Ao somar 15 pontos e superar o Internacional, o time de Campinas avisou ao Brasil que não era mais apenas um figurante.

O mata-mata foi uma demonstração de força absoluta. Nas quartas de final, o Guarani triturou o Sport Recife com vitórias por 2 a 0 na Ilha do Retiro e por 4 a 0 no Brinco de Ouro. Na semifinal, o reencontro com o Vasco foi o teste definitivo. O Guarani venceu os dois jogos: 2 a 0 em Campinas e um histórico 2 a 1 no Maracanã, silenciando a torcida carioca e garantindo a vaga na final contra o Palmeiras, que eliminou Bahia e Internacional.

A decisão colocou frente a frente Palmeiras e Guarani. No jogo de ida, no Morumbi, o meia Zenon calou a capital ao marcar, de pênalti, o gol da vitória por 1 a 0. Na volta, o Brinco de Ouro viveu sua tarde mais gloriosa. Com o apoio massivo de sua torcida, o Guarani manteve a disciplina tática. O gol do título veio dos pés de Careca, então com apenas 17 anos. Com o placar de 1 a 0, o Guarani sagrou-se campeão brasileiro, um feito que ecoa como o maior símbolo de competência do futebol do interior.

A campanha do Guarani:
32 jogos | 20 vitórias | 8 empates | 4 derrotas | 57 gols marcados | 22 gols sofridos


Foto Arquivo/Folhapress