Fluminense Campeão Brasileiro 1970

O ápice do futebol brasileiro aconteceu em 1970, com a conquista do tricampeonato mundial. No cenário doméstico, o Robertão chegava à sua última edição antes de ser mudar definitivamente para Campeonato Nacional pela CBD, com 17 equipes que duelaram pelo prestígio de ser o melhor clube do país da melhor seleção do mundo. Foi neste cenário que o Fluminense buscou sua primeira taça.

O Tricolor das Laranjeiras foi inserido no Grupo B, uma chave composta por nove equipes e marcada por equilíbrio. Ao longo de 16 rodadas, o Fluminense travou uma disputa ponto a ponto contra potências como Cruzeiro, Flamengo e Internacional.

A classificação veio de forma dramática: o Flu encerrou a fase na segunda posição com 20 pontos, fazendo oito vitórias, quatro empates e quatro derrotas, e ficando um ponto atrás do líder Cruzeiro. Mas a vaga no quadrangular final foi garantida pelo critério de desempate, já que o tricolor ficou empatado com rubro-negros e colorados, superando-os somente no saldo de gols (dez contra nove dos rivais). No Grupo A, classificaram-se Palmeiras e Atlético-MG.

A fase decisiva foi comprimida em apenas uma semana, exigindo fôlego e nervos de aço. Na rodada de abertura, o Fluminense transformou o Maracanã em um caldeirão e venceu o Palmeiras por 1 a 0, gol do artilheiro Mickey. Como Cruzeiro e Atlético-MG empataram em 1 a 1, o Tricolor assumiu a liderança isolada logo de cara.

Na segunda rodada, o desafio foi no Mineirão. Com uma postura tática impecável, o Fluminense calou Belo Horizonte ao vencer o Cruzeiro por 1 a 0, novamente com Mickey balançando as redes. O Palmeiras, ao vencer o Atlético-MG por 3 a 0, manteve-se vivo na briga.

A rodada decisiva do Robertão chegou com Fluminense e Palmeiras ainda matematicamente no páreo. No Pacaembu, o Palmeiras cumpriu seu papel ao derrotar o Cruzeiro por 4 a 2, pressionando os cariocas. No entanto, o destino estava traçado para as cores verde, branco e grená.

Diante de mais de 112 mil pessoas no Maracanã, o Fluminense precisava de apenas um empate contra o Galo. Mickey, o herói do título, abriu o placar de cabeça. O Atlético-MG buscou o empate, mas a defesa tricolor, liderada pelo goleiro Félix, segurou o 1 a 1 até o apito final. Pela primeira vez na história, o Fluminense era campeão brasileiro.

A campanha do Fluminense:
19 jogos | 10 vitórias | 5 empates | 4 derrotas | 29 gols marcados | 16 gols sofridos


Foto Arquivo/Fluminense

Palmeiras Campeão Brasileiro 1969

O ano de 1969 consolidou definitivamente o Robertão como a espinha dorsal do futebol brasileiro. Com a extinção oficial da Taça Brasil, a Taça de Prata, como o torneio era formalmente chamado pela CBD, tornou-se o único caminho para a glória nacional. A competição também passou a carregar o peso de definir os representantes brasileiros na Libertadores. O certame reuniu a nata do esporte, com 17 clubes de sete estados, divididos em dois grupos altamente competitivos.

Campeão da edição de 1967, o Palmeiras iniciou a jornada sob o peso do favoritismo, mas a trajetória no Grupo B foi tudo menos simples. A chave tornou-se um verdadeiro grupo da morte, onde a diferença técnica entre os times era mínima. Ao final das 16 rodadas, o alviverde assegurou a liderança com nove vitórias, um empate e seis derrotas, com 19 pontos somados. O Botafogo garantiu a segunda vaga. No Grupo A, o cenário foi ligeiramente mais folgado, com Corinthians e Cruzeiro desfilando um futebol superior e avançando sem grandes sustos.

Se a primeira fase foi equilibrada, o quadrangular final elevou a tensão a níveis dramáticos. Na rodada de abertura, o Palmeiras travou um clássico truncado contra o Corinthians, terminando em 0 a 0. Simultaneamente, Botafogo e Cruzeiro dividiam pontos em um eletrizante 2 a 2.

A segunda rodada trouxe mais apreensão para a torcida alviverde. No Mineirão, o Palmeiras buscou um empate em 1 a 1 contra o Cruzeiro. O resultado deixou o Verdão em situação delicada, pois o Corinthians, ao vencer o Botafogo por 1 a 0, assumiu a liderança isolada e colocou as mãos na taça.

A rodada final foi um exercício de matemática e fé. Para ser campeão, o Palmeiras precisava vencer o seu jogo a partir de de dois gols de diferença e contar uma vitória cruzeirense por menos tentos. No Morumbi, o Verdão fez a sua parte com autoridade: derrotou o Botafogo por 3 a 1, com gols de Ademir da Guia e César Maluco, e passou a acompanhar as rádios.

No Mineirão, o cenário era complexo: o empate ou a vitória dariam o título ao Corinthians. Uma vitória mineira por dois ou mais gols daria o título ao Cruzeiro. Mas o destino sorriu para o Palmeiras quando o Cruzeiro venceu por exatamente 2 a 1. Esse placar deixou Palmeiras e Cruzeiro empatados em pontos, mas o título ficou com o clube paulista graças ao critério de saldo de gols. Era a consagração da Segunda Academia, com o Verdão erguendo seu segundo Robertão e seu quarto título brasileiro, fechando a década de 1960 como um dos maiores colecionadores de taças nacionais do país.

A campanha do Palmeiras:
19 jogos | 10 vitórias | 3 empates | 6 derrotas | 28 gols marcados | 21 gols sofridos


Foto Arquivo/Estadão Conteúdo

Botafogo Campeão Brasileiro 1968 (Taça Brasil)

A Taça Brasil de 1968 entrou para a história como a última edição do torneio que inaugurou a era das competições nacionais no país. Originalmente, a CBD planejava utilizar o certame para indicar os dois representantes brasileiros na Libertadores de 1969. Contudo, uma série de impasses organizacionais e conflitos de calendário empurraram o término a competição para o ano seguinte. O atraso foi tão severo que a entidade mudou as regras no meio do caminho, retirando as indicações para o torneio continental e deixando a Taça Brasil em um limbo administrativo.

A competição seguiu sua estrutura regionalizada: o Fortaleza dominou a Zona Norte, o Cruzeiro a Zona Central e o Metropol a Zona Sul. Enquanto mineiros e cearenses aguardavam nas quartas de final, o Metropol deveria enfrentar o Botafogo em uma fase eliminatória que se tornaria lendária pelos motivos errados.

Após uma goleada carioca por 6 a 1 e um triunfo catarinense por 1 a 0, o jogo de desempate no Maracanã foi interrompido por um temporal quando o placar marcava 1 a 1. O Metropol, já em viagem de volta, foi convocado a retornar para reiniciar a partida no dia seguinte. Diante da impossibilidade logística e da recusa da CBD em adiar o reencontro, o clube catarinense entrou na justiça. O torneio ficou paralisado por quatro meses até que, exausto das manobras no tapetão, o Metropol desistiu.

A desorganização foi tamanha que times como Santos e Palmeiras, desinteressados por um torneio que já não valia vaga na Libertadores, retiraram-se da competição. Com o caminho livre, o Botafogo avançou para enfrentar o Cruzeiro, enquanto o Fortaleza duelou contra o Náutico. Na semifinal, o Glorioso mostrou sua força técnica contra a Raposa: venceu por 1 a 0 no Maracanã e segurou um empate em 1 a 1 no Mineirão, calando a torcida mineira. Do outro lado, o Fortaleza confirmou sua excelente fase ao despachar o Náutico em uma série decidida apenas no jogo-desempate.

Finalmente, entre setembro e outubro de 1969, nove meses após o cronograma original, a decisão foi realizada. O Fortaleza impôs dificuldades no jogo de ida no Estádio Presidente Vargas, arrancando um empate em 2 a 2 que deixou a decisão aberta.

No entanto, no jogo de volta no Maracanã, o Botafogo de Jairzinho, Gerson e Paulo Cézar Caju não deu chances ao azar. Em ótima exibição, o alvinegro aplicou uma goleada implacável de 4 a 0. O triunfo encerrou a era da Taça Brasil e coroou o primeiro título brasileiro da história do Botafogo.

A campanha do Botafogo:
7 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 15 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Arquivo/Botafogo

Santos Campeão Brasileiro 1968 (Robertão)

Após o sucesso da edição inaugural, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968 passou por mudanças fundamentais. A organização deixou de ser responsabilidade exclusiva das federações paulista e carioca e foi assumida pela CBD, que o rebatizou oficialmente como Taça de Prata. O Robertão consolidou-se como a prioridade absoluta dos grandes clubes, superando a Taça Brasil em prestígio. A competição cresceu para 17 clubes, expandindo suas fronteiras com a inclusão de representantes da Bahia e de Pernambuco.

O Santos, vivendo uma transição de gerações mas ainda regido por um Pelé no auge físico e técnico, foi inserido no Grupo B. O desafio era imenso: 16 rodadas de enfrentamentos intensos contra as maiores potências do país. Ao final da primeira fase, o Alvinegro Praiano demonstrou sua regularidade característica, encerrando na liderança do grupo com uma campanha sólida de nove vitórias, quatro empates e três derrotas, somando 22 pontos. O Vasco garantiu a segunda vaga da chave. No Grupo A, a disputa foi igualmente acirrada, com Palmeiras e Internacional carimbando o passaporte para a fase decisiva.

Devido ao calendário apertado e para evitar que a competição invadisse o ano de 1969, a CBD optou por um quadrangular final disputado em turno único. Cada jogo era, na prática, uma final de campeonato. Na rodada de abertura, o Santos viajou até Porto Alegre e venceu o Internacional por 2 a 1 (curiosamente, a partida ocorreu no Estádio Olímpico, já que o Beira-Rio ainda estava em contrução). Simultaneamente, o Palmeiras atropelava o Vasco por 3 a 0. O confronto direto entre os rivais paulistas na segunda rodada, no Morumbi, serviu como o grande tira-teima do torneio: o Santos aplicou um contundente 3 a 0, assumindo a liderança isolada. Enquanto isso, o Vasco vencia o Inter por 3 a 2.

A última rodada chegou com Santos, Palmeiras e Vasco ainda matematicamente vivos na briga pela taça. No entanto, as esperanças palmeirenses foram dizimadas em Porto Alegre, onde o Internacional deu o troco e venceu por 3 a 0. Logo, o destino do título seria decidido no Maracanã, no embate entre Santos e Vasco. Para o Peixe, um empate bastava para erguer o troféu.

Contudo, a equipe de Vila Belmiro jogou para vencer: com gols de Toninho Guerreiro e Pelé, o Santos derrotou o cruzmaltino por 2 a 1. A vitória selou a conquista do único Robertão da história santista e o seu sexto título brasileiro.

A campanha do Santos:
19 jogos | 12 vitórias | 4 empates | 3 derrotas | 37 gols marcados | 18 gols sofridos


Foto Arquivo/Santos

Palmeiras Campeão Brasileiro 1967 (Taça Brasil)

Após conquistar o Robertão meses antes, o Palmeiras iniciou a disputa da Taça Brasil de 1967 como o time a ser batido. Naquela época, a competição mantinha um enorme prestígio político e técnico, pois era o caminho oficial que garantia as vagas brasileiras para a Libertadores. Por ser o atual campeão paulista, o alviverde teve o privilégio de ingressar diretamente nas semifinal, acompanhado pelo Cruzeiro, que defendia o título conquistado no ano anterior.

Enquanto os favoritos aguardavam, as eliminatórias regionais desenhavam surpresas. No Nordeste, o Treze foi o vencedor, enquanto o América-CE dominou o Grupo Norte. No confronto entre eles, os cearenses levaram a melhor. No Grupo Centro, o Atlético-MG mostrou sua força, sagrando-se campeão da Zona Centro-Leste após superar o Botafogo.

O funil apertou nas fases seguintes: o América-CE não resistiu ao Náutico, que se consolidava como a maior potência do Norte-Nordeste. Na Zona Sul, o Grêmio confirmou seu favoritismo e garantiu sua vaga entre os quatro melhores do país. Já nas quartas de final, em uma série dramática de três jogos, o Náutico eliminou o Atlético-MG, carimbando sua ida para a semifinal contra o atual campeão.

As semifinais reservaram emoções distintas. Na primeira chave, o Náutico chocou o país ao encerrar o favoritismo do Cruzeiro, avançando para a final após uma vitória e um empate na série de três confrontos. Do outro lado, o Palmeiras enfrentou uma verdadeira guerra contra o Grêmio. No jogo de ida, no Olímpico, os gaúchos venceram por 2 a 1. Precisando da reviravolta, a Academia de Futebol mostrou seu repertório no Pacaembu, vencendo a segunda partida por 3 a 1 e, no desempate, por 2 a 1.

A final contra o Náutico, foi disputada em três partidas tensas. No primeiro duelo, na Ilha do Retiro, o Palmeiras deu um passo gigante ao vencer por 3 a 1. Contudo, quando o alviverde esperava confirmar o título em São Paulo, os alvirrubros surpreenderam e venceram por 2 a 1 no Pacaembu, forçando um terceiro jogo em campo neutro.

O palco do desempate foi o Maracanã, e o Palmeiras entrou em campo decidido a não permitir que a zebra passeasse. Com uma atuação segura e cirúrgica, o Verdão venceu por 2 a 0, com gols de seus dois maiores pilares: o artilheiro César Maluco e o "Divino" Ademir da Guia. A conquista selou o tricampeonato brasileiro e um ano perfeitos, com duas taças nacionais.

A campanha do Palmeiras:
6 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 2 derrotas | 12 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/Gazeta Press

Palmeiras Campeão Brasileiro 1967 (Robertão)

O Torneio Roberto Gomes Pedrosa surgiu em 1967 como uma resposta à necessidade de um calendário nacional mais robusto e rentável. Ao ampliar o antigo Torneio Rio-São Paulo com a inclusão das potências de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, o certame, apelidado de Robertão, tornou-se a primeira competição a englobar, a elite do futebol brasileiro em um formato de liga. Também foi o pioneiro em alcançar uma fórmula lucrativa para os clubes participantes. Embora as federações Paulista e Carioca tenham capitaneado a edição inaugural, o sucesso foi tão retumbante que, a partir de 1968, a CBD assumiu a organização, rebatizando-o oficialmente como Taça de Prata.

Na edição de estreia, em 1967, o torneio reuniu 15 grandes do futebol nacional. O regulamento era inovador: as equipes foram divididas em dois grupos, mas todos se enfrentavam em turno único. Os dois melhores de cada chave garantiam vaga no quadrangular final.

O Palmeiras foi inserido no Grupo B. Após 14 rodadas de um futebol sólido, o Verdão liderou o grupo com uma campanha de sete vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas, somando 19 pontos. Ao seu lado, o Grêmio garantiu a segunda vaga. No Grupo A, a rivalidade foi intensa, culminando com as classificações de Corinthians e Internacional, deixando para trás equipes como Santos e Botafogo.

A fase decisiva transformou-se em um duelo geográfico entre o futebol paulista e o gaúcho. O Palmeiras iniciou sua caminhada com o pé direito, batendo o Internacional em pleno Beira-Rio por 2 a 1. Na sequência, o alviverde demonstrou resiliência ao segurar dois empates fundamentais: 2 a 2 no Derby contra o Corinthians e 1 a 1 em solo gaúcho contra o Grêmio.

Na abertura do returno, o terceiro empate consecutivo veio diante do Inter, sem gols no Pacaembu. A pressão aumentava, mas a estrela da Academia de Futebol brilhou na penúltima rodada: uma vitória sobre o Corinthians por 1 a 0, no Morumbi, colocou o Palmeiras em uma posição privilegiada para a rodada final. Como líder isolado do quadrangular, com sete pontos, o Verdão chegou à última partida dependendo apenas de si contra o Grêmio.

No Pacaembu, enquanto Internacional e Corinthians duelavam no Sul sonhando com um tropeço alviverde, o Palmeiras impôs sua hierarquia. Com dois gols do artilheiro César Maluco, o Palmeiras derrotou o Grêmio por 2 a 1 e selou a conquista do segundo título brasileiro, consolidando a Primeira Academia como uma das maiores forças da história do nosso futebol.

A campanha do Palmeiras:
20 jogos | 10 vitórias | 8 empates | 2 derrotas | 39 gols marcados | 26 gols sofridos


Foto Arquivo/Gazeta Press

Cruzeiro Campeão Brasileiro 1966

O desfecho da Taça Brasil de 1966 é um dos marcos mais profundos da cronologia do futebol brasileiro. Até aquele momento, com a exceção pontual do Bahia em 1959, pairava a crença de que apenas os clubes do eixo Rio-São Paulo possuíam o nível técnico necessário para dominar o país. A ascensão meteórica e o título do Cruzeiro foi o estopim para a integração nacional definitiva do esporte, provando que grandes potências brotavam fora dos gramados cariocas e paulistas.

Essa demonstração de força mineira foi o catalisador para que, já em 1967, as federações paulista e carioca aceitassem ampliar o prestigiado Torneio Rio-São Paulo. Com a inclusão de gigantes de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, nascia o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o popular Robertão, precursor direto do formato moderno do Brasileirão.

Diferente do Santos, que aguardava a semifinal, o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes precisou trilhar um caminho mais longo. A equipe ingressou em uma fase intermediária, no Grupo Centro, aguardando a definição entre Anápolis, Rabello (Distrito Federal), Desportiva e Americano. Quando entrou em campo contra o Americano, a Raposa deu um cartão de visitas assustador, com duas goleadas por 4 a 0 e 6 a 1.

Na final da Zona Sul, o desafio subiu de nível contra o Grêmio. Após um empate sem gols sob a pressão do Estádio Olímpico, a Raposa impôs seu ritmo no Mineirão, vencendo por 2 a 1.

Já na semifinal nacional, o Cruzeiro despachou o Fluminense com autoridade, vencendo no Rio de Janeiro por 1 a 0 e em Belo Horizonte por 3 a 1, carimbando o passaporte para desafiar Pelé e o Santos, que buscavam o hexacampeonato.

A final de 1966 é cercada de mística. O Santos era o favorito, considerado por muitos a melhor equipe do mundo. No entanto, o que se viu na ida no Mineirão foi um dos maiores choques da história do esporte. O Cruzeiro destruiu qualquer prognóstico ao aplicar um sonoro 6 a 2, que deixou o Brasil atônito diante da velocidade e do refinamento técnico dos mineiros.

Com a vantagem no placar, a Raposa viajou ao Pacaembu para o jogo de volta. O Santos chegou a abrir 2 a 0 no primeiro tempo, parecendo que forçaria o terceiro jogo. Contudo, em uma demonstração de categoria, o Cruzeiro buscou uma virada histórica na etapa final, vencendo por 3 a 2. Ao apito final, a soberania santista estava encerrada e uma nova era começava, com o Cruzeiro campeão.

A campanha do Cruzeiro:
8 jogos | 7 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 25 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/EM/D.A Press

Santos Campeão Brasileiro 1965

O ano de 1965 marcou o auge técnico da maior dinastia que o futebol brasileiro já testemunhou. O Santos partiu em busca de um feito sem precedentes: o quinto título nacional consecutivo. A Taça Brasil manteve o formato com 22 participantes, reunindo 21 campeões estaduais. Curiosamente, como o Peixe detinha o título paulista e o nacional, a vaga regional de São Paulo foi herdada pelo vice-campeão estadual, o Palmeiras. Na condição de campeão vigente, o Alvinegro Praiano garantiu seu lugar diretamente nas semifinal, ao lado do Vasco.

Enquanto o Santos aguardava no topo da pirâmide, as fases eliminatórias foram marcadas por disputas acirradas que revelaram a força do futebol nordestino e sulista. Na Zona Norte, o Vitória dominou o Grupo Nordeste, enquanto o Náutico sobrou no Grupo Norte. No duelo regional, os pernambucanos superaram os baianos. Na Zona Sul, o Grêmio faturou o Grupo Sul, enquanto o Siderúrgica, de Minas Gerais, venceu o Grupo Leste. Na final, os gaúchos prevaleceram sobre os mineiros.

Nas quartas de final, o Náutico avançou após superar o Fortaleza (que havia entrado em uma fase intermediária), enquanto o Grêmio teve a ingrata tarefa de enfrentar o poderoso Palmeiras, que acabou avançando para o clássico paulista na semifinal.

A semifinal reservou mais um Clássico da Saudade. Santos e Palmeiras protagonizaram duelos de altíssimo nível técnico. No primeiro jogo, o Santos venceu por 4 a 2, abrindo uma vantagem crucial. No jogo de volta, um empate estratégico em 1 a 1 garantiu o Peixe em sua quinta final consecutiva. Na outra chave, o Vasco confirmou seu favoritismo ao eliminar o Náutico, preparando o cenário para um clássico Rio-São Paulo na decisão.

A final da Taça Brasil de 1965 foi um testemunho da superioridade absoluta do esquadrão de Vila Belmiro. No jogo de ida, realizado no Pacaembu, o Santos não deu chances ao Vasco. Letal, o alvinegro aplicou uma goleada de 5 a 1, com gols de Dorval (dois), Toninho Guerreiro (dois) e Pepe. O resultado praticamente selou o destino do campeonato antes mesmo da viagem ao Rio de Janeiro.

No jogo de volta, no Maracanã, o Santos jogou com a inteligência de um veterano das grandes decisões. Uma vitória magra por 1 a 0 foi o suficiente para coroar a campanha invicta. Ao apito final, o veredito histórico estava escrito: o Santos era pentacampeão brasileiro, estabelecendo um recorde de títulos consecutivos que, até hoje, nenhum outro clube conseguiu igualar.

A campanha do Santos:
4 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 11 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Arquivo/Agência O Globo

Santos Campeão Brasileiro 1964

Dando continuidade à sua hegemonia absoluta na década de 1960, o Santos partiu em busca do tetracampeonato na Taça Brasil de 1964. Consolidada como a joia da coroa do futebol nacional, a competição expandiu-se para 22 participantes, reunindo 21 campeões estaduais e o Santos, na condição de atual detentor do troféu.

Diferente das edições anteriores, o regulamento impôs um desafio adicional ao Alvinegro Praiano. Como o Palmeiras era o campeão paulista, a vaga direta na semifinal coube aos alviverdes, ao lado do Flamengo (campeão carioca). O Santos, portanto, precisou iniciar sua jornada um pouco antes, nas quartas de final.

Enquanto o Sudeste aguardava, o Brasil disputava as etapas regionalizadas. Na Zona Norte, o Ceará dominou o Grupo Nordeste e o Náutico venceu o Grupo Norte. Na decisão regional, os cearenses superaram os pernambucanos, garantindo uma vaga histórica nas semifinais nacionais. Na Zona Sul, o Metropol, de Santa Catarina, surpreendeu ao vencer o Grupo Sul, enquanto o Atlético-MG faturou o Grupo Leste. Na final, os mineiros eliminaram os catarinenses e avançaram para encarar o Santos.

A entrada do Santos no torneio foi um verdadeiro atropelo. Nas quartas de final, diante do Atlético-MG, o Peixe não tomou conhecimento do adversário: goleou por 4 a 1 no Independência e aplicou um sonoro 5 a 1 na Vila Belmiro. 

Na semifinal, o Clássico da Saudade contra o Palmeiras. O primeiro embate foi uma guerra técnica, decidida nos detalhes com vitória santista por 3 a 2. No jogo de volta, contudo, a superioridade técnica do Santos aflorou de forma devastadora, com um 4 a 0 categórico que eliminou o rival e carimbou o passaporte para a final contra o Flamengo, que havia despachado o Ceará na outra chave.

A final colocou frente a frente Santos e Flamengo. No jogo de ida, realizado no Pacaembu, o Santos praticamente selou o destino da taça. Com uma atuação de gala de Pelé, autor de três gols, o Peixe venceu por 4 a 1, deixando o rubro-negro carioca em situação desesperadora.

No jogo de volta, no Maracanã, o Santos atuou com o regulamento debaixo do braço. Com uma defesa sólida, o Alvinegro Praiano segurou um empate em 0 a 0 e confirmou o que todos já esperavam: o Santos era tetracampeão brasileiro.

A campanha do Santos:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 20 gols marcados | 5 gols sofridos

 

Foto Arquivo/Gazeta Press

Santos Campeão Brasileiro 1963

Em 1963, o futebol brasileiro vivia uma era de ouro, e a Taça Brasil refletia esse prestígio. O regulamento manteve-se fiel à estrutura de sucesso dos anos anteriores, mas o certame expandiu-se para 20 participantes, reforçando seu caráter nacional. O Santos, que naquele ano ostentava os títulos de campeão Mundial, da Libertadores e Paulista, entrou na competição não apenas como favorito, mas como a equipe a ser batida por todo o planeta.

Como detentor do título e representante do estado de São Paulo, o Santos iniciou sua jornada diretamente nas semifinais, acompanhado pelo Botafogo (campeão da Guanabara). Enquanto as potências aguardavam, as eliminatórias regionais pegavam fogo. Na Zona Norte, o Sport dominou o Grupo Norte e o Bahia sobrou no Grupo Nordeste. No duelo decisivo da região, os baianos despacharam os pernambucanos. Na Zona Sul, o Grêmio faturou o Grupo Sul, enquanto o Atlético-MG conquistou o Grupo Leste. No embate entre gaúchos e mineiros, os tricolores levaram a melhor, garantindo o direito de enfrentar o Peixe.

A estreia do Santos ocorreu contra o Grêmio. Tanto no Estádio Olímpico quanto no Pacaembu, o Peixe não deu margem para tropeços, vencendo em Porto Alegre por 3 a 1 e em São Paulo por 4 a 3. O time carimbou sua vaga na decisão após um confronto que teve até mesmo Pelé atuando como goleiro, na partida de volta, após a expulsão de Gilmar. Do outro lado, o Botafogo era favorito contra o Bahia. Contudo, os tricolores seguraram o ímpeto carioca: ganhou por 1 a 0 em Salvador e empatou sem gols Maracanã. Pela terceira vez em cinco anos, Santos e Bahia decidiriam quem mandava no futebol brasileiro.

Diferente dos equilíbrios de 1959 e 1961, onde foram necessários três jogos para definir o campeão, a decisão de 1963, disputada já no início de 1964, foi um monólogo santista. No jogo de ida, no Pacaembu, o Santos aplicou um implacável 6 a 0. Pelé, Pepe, Coutinho e Mengálvio destruíram a defesa baiana em uma exibição que beirou a perfeição técnica.

Com o título virtualmente garantido, o Alvinegro Praiano viajou até a Fonte Nova apenas para completar o serviço. Com uma vitória serena por 2 a 0 em Salvador, o Santos de Pelé erguia o troféu pela terceira vez consecutiva, consolidando um tricampeonato inédito que colocava o clube em um patamar de hegemonia jamais visto na história do esporte nacional.

A campanha do Santos:
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Arquivo/Gazeta Press

Santos Campeão Brasileiro 1962

Em 1962, a Taça Brasil consolidou-se como o torneio de elite do país, mantendo a estrutura competitiva do ano anterior. O certame reuniu 18 campeões estaduais, divididos em eliminatórias regionais que serviam de funil para a fase decisiva. Os representantes de São Paulo e da Guanabara (Rio de Janeiro) tiveram o privilégio de ingressar diretamente nas semifinais. Assim, o Santos (campeão vigente) e o Botafogo aguardavam seus desafiantes no topo da pirâmide.

Enquanto as potências do Sudeste aguardavam, o restante do Brasil duelava por uma vaga entre os quatro melhores. Na Zona Norte, o Sport dominou o Grupo Norte, enquanto o Campinense surpreendeu no Grupo Nordeste. Na decisão, os pernambucanos confirmaram o favoritismo, eliminando os paraibanos com um empate e uma vitória. Na Zona Sul, o Cruzeiro mostrou sua força crescente no Grupo Leste, enquanto o Internacional sobrou no Grupo Sul. Na final, os gaúchos superaram os mineiros.

O Brasil, ainda em êxtase com a conquista do bicampeonato mundial no Chile, viu as semifinais serem disputadas apenas no início de 1963 devido ao calendário apertado. O Santos viajou até Recife e segurou um empate em 1 a 1 com o Sport na Ilha do Retiro, sob forte pressão. No jogo de volta, na Vila Belmiro, o Peixe aplicou um contundente 4 a 0. Na outra chave, Botafogo e Internacional protagonizaram um duelo equilibrado, terminando com a classificação carioca.

A decisão de 1962 colocou frente a frente as duas maiores esquadras do planeta na época. De um lado, o Santos de Pelé, Coutinho e Pepe. Do outro, o Botafogo de Garrincha, Nilton Santos, Quarentinha e Amarildo. Era, essencialmente, a Seleção Brasileira dividida em dois clubes. Os dois primeiros jogos foram batalhas épicas e equilibradas. No Pacaembu, o Santos venceu por 4 a 3. Na volta, em um Maracanã lotado, o Botafogo deu o troco e venceu por 3 a 1, forçando a partida de desempate.

Contudo, no terceiro e decisivo jogo, realizado no Rio de Janeiro, o Santos de Pelé atingiu o estado de perfeição. Em uma exibição de gala que entrou para a mitologia do futebol, o Alvinegro Praiano aplicou um acachapante 5 a 0 em pleno Maracanã. Pelé marcou duas vezes, enquanto Coutinho e Pepe completaram o marcador. Com o resultado, o Santos sagrava-se bicampeão brasileiro consecutivo, reafirmando sua soberania em um ano onde também conquistaria sua primeira Libertadores e o Mundial Interclubes.

A campanha do Santos:
5 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 15 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/Agência JB

Santos Campeão Brasileiro 1961

A Taça Brasil de 1961 marcou o início de uma das maiores dinastias da história do futebol mundial. Esta quarta edição do Campeonato Brasileiro contou com 18 equipes (os 17 campeões estaduais de 1960 e o Palmeiras, defensor do título nacional). Mantendo o privilégio das federações mais regulares, os representantes de São Paulo e Pernambuco (Santos e Náutico, respectivamente) garantiram entrada direta nas semifinais.

Enquanto o Peixe aguardava seus adversários, o torneio fervia nas fases regionais. Na divisão clássica dos quatro grupos, o cenário foi o seguinte: na Zona Norte, o Bahia dominou o Grupo Nordeste e o Fortaleza venceu o Grupo Norte. No confronto direto, os baianos levaram a melhor e avançaram. Na Zona Sul, o America-RJ faturou o Grupo Leste e o Palmeiras ganhou o Grupo Sul. Nas quartas de final, os cariocas desbancaram o atual campeão e avançaram para a fase final.

O Santos estreou na semifinal contra o America, então campeão carioca (na época, ainda existia o Estado da Guanabara). No jogo de ida, no Pacaembu, o Alvinegro Praiano aplicou um sonoro 6 a 2, exibindo um futebol ofensivo irresistível. Na volta, no Maracanã, o Santos utilizou o regulamento a seu favor: mesmo perdendo por 1 a 0, garantiu a vaga na final. Do outro lado da chave, o Bahia confirmava sua força ao eliminar o Náutico.

A final de 1961 foi cercada de expectativa, pois promovia a reedição da decisão de 1959. Para o Santos, era a chance da revanche contra o Bahia. Para o futebol brasileiro, era a confirmação de que o time da Vila Belmiro era, de fato, imbatível. No primeiro jogo, na Fonte Nova, o equilíbrio prevaleceu com um empate em 1 a 1.

Contudo, a partida de volta, na Vila Belmiro em 27 de dezembro de 1961, tornou-se um massacre histórico. O Santos goleou o Bahia por 5 a 1, com atuações magistrais da dupla Pelé e Coutinho, que marcaram três gols cada ao longo das duas finais. Este troféu foi o primeiro dos seis títulos brasileiros conquistados pelo Santos na década de 60 (sendo cinco deles consecutivos pela Taça Brasil, entre 1961 e 1965, e o Roberto Gomes Pedrosa de 1968). O clube também garantiu sua vaga na Taça Libertadores de 1962, onde viria a conquistar a América pela primeira vez, seguido pelo título mundial contra o Benfica.

A campanha do Santos:
5 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 18 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Arquivo/Santos

Palmeiras Campeão Brasileiro 1960

A Taça Brasil de 1960 consolidou o torneio como o principal palco do futebol nacional. Em comparação ao ano de estreia, a competição ganhou um novo integrante, totalizando 17 campeões estaduais. Seguindo a lógica de regularidade da época, as equipes de São Paulo e Pernambuco foram beneficiadas pelo regulamento, garantindo entrada direta nas semifinais. Com esse privilégio e um elenco estelar, o Palmeiras trilhou um caminho curto e avassalador para faturar seu primeiro títulos brasileiro.

Enquanto o Verdão aguardava os confrontos decisivos, o restante do país duelava em eliminatórias regionais intensas. O cenário viu o Bahia (então atual campeão) dominar o Grupo Nordeste, o Fortaleza vencer o Grupo Norte, o Grêmio triunfar no Grupo Sul e o Fluminense levar o Grupo Leste.

Nas fases seguintes, o funil apertou: o Fortaleza surpreendeu ao eliminar o Bahia na final da Zona Norte, enquanto o Fluminense despachou o Grêmio na Zona Sul. Já nas semifinais nacionais, o Fortaleza assegurou sua vaga na decisão ao superar o Santa Cruz com uma vitória e um empate, confirmando a força do futebol cearense naquele ano.

Na outra chave, o Palmeiras finalmente estreou na competição diante de um adversário de peso: o Fluminense. O duelo foi marcado pelo equilíbrio tático. No primeiro jogo, um Pacaembu lotado presenciou um empate sem gols que deixou a decisão aberta para o Rio de Janeiro. No Maracanã, o alviverde mostrou sua maturidade e venceu por 1 a 0, carimbando o passaporte para a final contra o Fortaleza.

O favoritismo do Palmeiras era incontestável. Sob o comando do técnico Oswaldo Brandão, o time escalava lendas como Valdir de Moraes, Djalma Santos, Zequinha, Chinesinho e Julinho Botelho. No jogo de ida, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, o Palmeiras não se intimidou com a pressão da torcida local e aplicou um convincente 3 a 1, deixando o título praticamente encaminhado.

A partida de volta, realizada no Pacaembu em 28 de dezembro de 1960, entrou para os livros de recordes. O que se viu foi um verdadeiro baile alviverde: uma vitória por 8 a 2, que permanece até hoje como a maior goleada da história em finais de Campeonato Brasileiro. Com gols de Zequinha, Chinesinho (2), Romeiro, Julinho Botelho, Cruz (2) e Humberto Tozzi, o Palmeiras erguia o troféu pela primeira vez, oficializando o nascimento de uma era de ouro para o clube.

A campanha do Palmeiras:
4 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 12 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Arquivo/Gazeta Press

Bahia Campeão Brasileiro 1959

A Taça Brasil foi a segunda competição nacional entre clubes a conferir ao seu vencedor o título de campeão brasileiro. Embora o certame tenha sido instituído em 1954 pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF) e seu regulamento definido em 1955, a edição inaugural não pôde ser disputada conforme o planejado. Isso ocorreu porque o calendário do futebol brasileiro até 1958 já estava aprovado e não poderia sofrer alterações devido à preparação para a Copa do Mundo.

Dessa forma, ficou definido que a Taça Brasil começaria apenas em 1959. Contudo, como ainda havia restrições econômicas e dificuldades para viagens longas, a competição foi estruturada com os campeões estaduais enfrentando-se em um sistema de mata-mata regionalizado.

O Brasileirão de 1959 contou com a participação de 16 campeões estaduais do ano anterior. Com os clubes divididos por regiões, paulistas e cariocas entravam apenas nas semifinais. O Bahia, inserido no Grupo Nordeste, iniciou sua jornada contra o CSA: um triunfo por 5 a 0 em Maceió e outro por 2 a 0 em Salvador garantiram a classificação do Tricolor de Aço.

Na fase seguinte, a equipe enfrentou o Ceará, resultando em empates em Fortaleza e na Bahia. Foi necessário um jogo-desempate, no qual o Bahia ganhou por 2 a 1 na Fonte Nova. Como campeão do grupo, encarou o Sport (vencedor do Grupo Norte) nas quartas de final. Após triunfar por 3 a 2 em Salvador, o Bahia sofreu um revés por 6 a 0 em Recife. Como ainda não existia a regra do saldo de gols, um novo desempate foi forçado, e o Bahia não deu sorte ao azar, ganhando por 3 a 2.

Já como campeão da Zona Norte, o time avançou à semifinal contra o Vasco. No Maracanã, o tricolor triunfou por 1 a 0, mas sofreu um 2 a 1 na Fonte Nova. Em mais um jogo extra em Salvador, o Bahia fez 1 a 0 e garantiu a vaga na final contra o Santos, que eliminou o Grêmio na fase anterior.

Àquela altura, o Santos já era considerado o melhor time do Brasil, tendo Pelé como protagonista. No entanto, o Bahia contava com Alencar e Biriba, autores dos gols no triunfo por 3 a 2 em pleno Pacaembu. Na partida de volta, na Fonte Nova, o Santos devolveu o placar com um 2 a 0. Foi preciso um terceiro confronto e, já no início de 1960, o Bahia ganhou por 3 a 1 no Rio de Janeiro. Com esse resultado, sagrou-se o primeiro campeão brasileiro da história e tornou-se o primeiro clube do país a disputar a Copa Libertadores da América.

A campanha do Bahia:
14 jogos | 9 triunfos | 2 empates | 3 derrotas | 25 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/Agência O Globo

Atlético-MG Campeão Brasileiro 1937

No dia 25 de agosto de 2023, a CBF reconheceu o Torneio dos Campeões de 1937 como a primeira edição do Campeonato Brasileiro. Com a decisão, o Atlético-MG retomou o posto de primeiro campeão da história, título que havia passado ao Bahia em 2010, após a unificação da Taça Brasil e do Robertão.

O Torneio dos Campeões ocorreu em um contexto histórico complexo. O profissionalismo no futebol brasileiro completava apenas quatro anos e o esporte estava dividido entre duas entidades: a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que defendia o amadorismo e controlava a Seleção Brasileira, e a Federação Brasileira de Futebol (FBF), composta por clubes profissionais. Vale lembrar que a CBD já organizava o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais desde 1922.

Em 1933, a FBF iniciou seu próprio torneio, originalmente também com seleções. Contudo, o objetivo era criar uma competição de clubes para rivalizar com a CBD. Assim, em 1937, surgiu o Torneio dos Campeões, reunindo vencedores estaduais de 1936 e convidados: Atlético-MG, Fluminense, Portuguesa, Rio Branco-ES, Aliança-RJ e a Liga da Marinha.

O regulamento era de tiro curto. Uma fase preliminar entre a Liga da Marinha e o Aliança (campeão fluminense) definiria o adversário do Rio Branco (campeão capixaba) em um segundo mata-mata. O vencedor avançaria para o quadrangular final, disputado em dois turnos. O Rio Branco superou essa etapa inicial e se juntou aos demais.

O Atlético-MG garantiu o título em seis jogos, mas a estreia foi desastrosa: uma goleada de 6 a 0 sofrida para o Fluminense, nas Laranjeiras. Na sequência, o Galo empatou em 1 a 1 com o Rio Branco, em Vitória. A arrancada começou na terceira rodada, no antigo Estádio de Lourdes, em Belo Horizonte. Contra a Portuguesa, vitória por 5 a 0. Contra o Fluminense, a revanche veio com um expressivo 4 a 1.

Àquela altura, o clube carioca já havia encerrado suas seis partidas, somando seis pontos. Os demais times tinham quatro jogos: os mineiros lideravam com sete pontos, seguidos pelos capixabas com cinco e pelos paulistas com dois. No penúltimo compromisso, a Portuguesa derrotou o Rio Branco, resultado que favoreceu o Galo.

A partida contra o Rio Branco em Belo Horizonte tornou-se, então, a decisão antecipada. Com gols de Paulista (dois), Guará, Nicola e Bazzoni, o Atlético goleou por 5 a 1 e sagrou-se "campeão dos campeões", título hoje equivalente ao Brasileirão. Para fechar a campanha, o Galo ainda venceu a Portuguesa por 3 a 2 em São Paulo, chegando aos nove pontos. O Fluminense terminou como vice.

O Torneio dos Campeões não voltou a ser realizado, pois a FBF e a CBD iniciaram um processo de unificação, concluído em 1941, e que durou até 1979, ano da fundação da CBF.

A campanha do Atlético-MG:
6 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 18 gols marcados | 11 gols sofridos


Foto Arquivo/Atlético-MG

Cruzeiro Campeão da Copa do Brasil 2017

A Copa do Brasil passou por novas transformações em 2017. A CBF aumentou o número de participantes para 91 e implementou alterações cruciais no regulamento, como a extinção dos jogos de ida e volta nas duas primeiras fases. Estas passaram a ser decididas em partida única: na primeira etapa, os visitantes tinham a vantagem do empate. Na segunda, a igualdade levava a decisão para os pênaltis. Para completar, foi adicionada uma quarta fase antes do afunilamento nas oitavas de final.

Das 91 vagas, 70 foram destinadas às federações estaduais, dez ao Ranking da CBF e 11 aos clubes pré-classificados (os oito melhores do Brasileirão anterior e os campeões da Série B, Copa do Nordeste e Copa Verde). Em meio a essa estrutura, sobressaiu-se um mestre na arte de vencer copas: o Cruzeiro, treinado por Mano Menezes. Após 14 anos de espera, a Raposa enfim alcançou o seu pentacampeonato.

Presente desde a primeira fase, o Cruzeiro estreou contra o Volta Redonda, vencendo no Raulino de Oliveira por 2 a 1. Na segunda fase, o time não tomou conhecimento do São Francisco-PA e goleou por 6 a 0 no Mineirão. Na terceira fase, foi a vez de encarar o Murici, de Alagoas, e a Raposa garantiu a vaga com duas vitórias: 2 a 0 no interior alagoano e 3 a 0 em Belo Horizonte.

Na quarta fase, veio um confronto cascudo contra o São Paulo. O Cruzeiro não se intimidou com a pressão do Morumbi na ida e venceu por 2 a 0. No Mineirão, apesar da derrota por 2 a 1, a classificação para as oitavas foi assegurada.

Nas oitavas de final, o adversário foi a Chapecoense. Uma vitória por 1 a 0 em Minas permitiu ao Cruzeiro avançar após um empate sem gols em Chapecó. Nas quartas, o time protagonizou dois jogos emocionantes contra o Palmeiras. O empate em 3 a 3 em São Paulo deu à Raposa a vantagem do critério do gol fora de casa, o que tornou o empate por 1 a 1 no Mineirão suficiente para a classificação.

A semifinal marcou o reencontro com o Grêmio, que havia eliminado os mineiros na mesma fase no ano anterior. Após perder a ida em Porto Alegre por 1 a 0, o Cruzeiro devolveu o placar no Mineirão e, nos pênaltis, venceu por 3 a 2, garantindo a revanche e a vaga na final.

A decisão foi contra o Flamengo, que chegava após superar Atlético-GO, Santos e Botafogo. Diferentemente do passeio de 2003, a reedição da final foi extremamente tensa. No Maracanã, o Cruzeiro buscou o empate em 1 a 1 com gol do uruguaio De Arrascaeta. No Mineirão, após um novo empate em 0 a 0, a decisão foi para as penalidades. Nas cobranças, a Raposa foi impecável, venceu por 5 a 3 e celebrou o seu quinto título da Copa do Brasil.

A campanha do Cruzeiro:
14 jogos | 7 vitórias | 5 empates | 2 derrotas | 23 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Pedro Vilela/Getty Images

Grêmio Campeão da Copa do Brasil 2016

Um dos maiores vencedores da história da Copa do Brasil desde a sua criação, o Grêmio amargava, em 2016, um jejum de 15 anos sem erguer a taça, sem sequer ter chegado a uma decisão nesse intervalo. O hiato era impactante para um clube que esteve em sete finais nas primeiras 13 edições do torneio. Já passava da hora de buscar o pentacampeonato, e ele veio de maneira categórica.

A conquista tricolor iniciou-se pelo caminho dos clubes que disputavam a Libertadores, com a entrada direta nas oitavas de final. O primeiro adversário foi o Athletico-PR. Na ida, na Arena da Baixada, o Grêmio venceu por 1 a 0 sob o comando de Roger Machado. Contudo, devido aos maus resultados no Brasileirão, Roger foi demitido antes do jogo de volta, dando lugar ao ídolo Renato Portaluppi. A estreia do técnico foi carregada de drama: o Tricolor perdeu por 1 a 0 na Arena e só garantiu a vaga nos pênaltis, com uma vitória por 4 a 3.

Nas quartas de final, o desafio foi contra o Palmeiras. Na primeira partida, em Porto Alegre, Ramiro e Pedro Rocha marcaram na vitória por 2 a 1. No segundo jogo, no Allianz Parque, o Imortal precisou de resiliência. Os paulistas abriram o placar no segundo tempo, resultado que eliminaria os gaúchos pelo critério do gol fora. Foi então que Everton Cebolinha, vindo do banco de reservas, marcou o gol do empate por 1 a 1 aos 30 minutos, carimbando o passaporte gremista para a semifinal.

A semifinal reservou um duelo de tetracampeões entre Grêmio e Cruzeiro. No Mineirão, o Tricolor não se intimidou: Luan abriu o placar na etapa inicial e Douglas ampliou para 2 a 0 no segundo tempo. Com a excelente vantagem construída em Belo Horizonte, o Grêmio apenas administrou o empate sem gols na Arena para voltar a uma final nacional.

Na grande decisão, o Grêmio enfrentou o Atlético-MG, que chegava após superar Ponte Preta, Juventude e Internacional. Mais uma vez, o jogo de ida foi no Mineirão, e o Imortal deu um show: com dois gols de Pedro Rocha e um de Everton, venceu por 3 a 1. A partida de volta, na Arena, ocorreu em um clima de profunda comoção devido ao acidente aéreo da Chapecoense, ocorrido na semana anterior. Em meio às homenagens, Miller Bolaños abriu o placar aos 43 minutos do segundo tempo. O Atlético ainda empatou nos acréscimos, mas o 1 a 1 final confirmou o pentacampeonato isolado do Grêmio.

A campanha do Grêmio:
8 jogos | 4 vitórias | 3 empates | 1 derrota | 10 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Jeferson Guareze/AGIF

Palmeiras Campeão da Copa do Brasil 2015

Em 2015, após atravessar um período turbulento com o rebaixamento em 2012, o retorno à elite em 2013 e a luta contra nova queda em 2014, o Palmeiras precisava de um reencontro com sua grandeza. Naquela temporada de recomeço, o clube alcançaria o tricampeonato da Copa do Brasil, selando a primeira conquista de uma nova era. O palco foi o recém-inaugurado Allianz Parque, erguido sobre o solo do antigo Palestra Itália, em um título que abriria caminho para uma sequência de glórias nos anos seguintes.

A campanha do Verdão começou contra o Vitória da Conquista, da Bahia. No jogo de ida, a goleada por 4 a 1 fora de casa garantiu a classificação direta. Na segunda fase, o time superou o Sampaio Corrêa após um empate por 1 a 1 em São Luís e uma goleada por 5 a 1 em São Paulo.

Na terceira fase, o Palmeiras reencontrou o ASA, seu carrasco de 2002. Treze anos depois, o confronto foi igualmente difícil, mas a revanche aconteceu: após um empate sem gols no Allianz Parque, o Verdão venceu por 1 a 0 no jogo de volta, disputado em Londrina após a venda do mando de campo pelos alagoanos, com gol do jovem Gabriel Jesus.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Cruzeiro. O Palmeiras venceu ambas as partidas: 2 a 1 em casa e 3 a 2 no Mineirão. Nas quartas, o rival foi o Internacional, e o Alviverde avançou após empatar por 1 a 1 em Porto Alegre e vencer por 3 a 2 em um duelo eletrizante em São Paulo.

A semifinal contra o Fluminense reservou muito drama. No Maracanã, o Palmeiras foi derrotado por 2 a 1, com Zé Roberto marcando um gol vital que diminuiu o prejuízo. Na volta, Lucas Barrios anotou duas vezes e o Verdão devolveu o placar de 2 a 1. A vaga foi decidida nos pênaltis, com vitória palmeirense por 4 a 1.

A decisão de 2015 protagonizou o Clássico da Saudade entre Palmeiras e Santos, que chegava à final após eliminar Londrina, Maringá, Sport, Corinthians, Figueirense e São Paulo. Uma novidade importante: a partir daquela edição, a regra do gol fora de casa deixou de valer para a final. Na ida, na Vila Belmiro, o Santos venceu por 1 a 0 com um gol nos minutos finais. A volta, no Allianz Parque, foi épica. Dudu marcou duas vezes no segundo tempo, aos 11 e aos 39 minutos, mas o Santos descontou para 2 a 1 aos 42. Pela primeira vez, o campeão da Copa do Brasil seria definido nos pênaltis. Por 4 a 3, o Palmeiras ficou com a taça, e a histórica cobrança final foi convertida pelo goleiro Fernando Prass.

A campanha do Palmeiras:
13 jogos | 8 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 25 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto Miguel Schincariol/AFP/Getty Images

Atlético-MG Campeão da Copa do Brasil 2014

Em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, o Mineirão foi o centro das atenções. Primeiro, por ter sido o palco do 7 a 1, o maior vexame da história da Seleção. Depois, por se tornar o cenário de viradas épicas que pavimentaram a campanha do Atlético-MG rumo ao seu primeiro título da Copa do Brasil, uma conquista histórica obtida sobre seu maior rival.

O Galo inaugurou a era dos campeões que entravam diretamente nas oitavas de final. Como vencedor da Libertadores de 2013, o time iniciou sua jornada no torneio nacional apenas em agosto, após cair precocemente na edição da Libertadores de 2014. A estreia foi contra o Palmeiras: vitória por 1 a 0 no Pacaembu e novo triunfo por 2 a 0 no Independência.

Nas quartas de final, o adversário foi o Corinthians. No jogo de ida, em São Paulo, o Atlético foi derrotado por 2 a 0. A mística das viradas começou a ser escrita na partida de volta: no Mineirão, o time de Levir Culpi saiu atrás logo aos quatro minutos de jogo. Luan empatou aos 23 e Guilherme virou aos 31. No segundo tempo, Guilherme marcou mais um aos 29 minutos, mas o placar de 3 a 1 ainda eliminava os mineiros. O êxtase veio aos 41 minutos, quando o zagueiro Edcarlos cabeceou para as redes, selando o 4 a 1 e a classificação heroica.

Na semifinal, o desafio foi contra o Flamengo. Mais uma vez, a ida fora de casa terminou em derrota por 2 a 0, no Maracanã. Na volta, o roteiro de drama se repetiu: o Galo começou perdendo aos 34 minutos do primeiro tempo. Carlos empatou aos 41 e Maicosuel virou aos 11 da etapa final. Dátolo anotou o terceiro aos 35. Faltava apenas um gol para a glória, e ele veio aos 39 minutos, quando Luan aproveitou um cruzamento para marcar. Com outro 4 a 1 épico, o Atlético carimbou o passaporte para a decisão.

A cereja no bolo de uma Copa do Brasil frenética foi a final entre Atlético-MG e Cruzeiro, outro egresso da Libertadores que superou Santa Rita-AL, ABC e Santos. Com o mando da ida, o Galo levou o jogo para o Independência. Luan e Dátolo marcaram os gols da vitória por 2 a 0. Na volta, no Mineirão, o Cruzeiro não demonstrou a força que o levaria ao título brasileiro daquele ano. Com um gol de Diego Tardelli nos acréscimos do primeiro tempo, o Atlético venceu por 1 a 0 e faturou seu título inédito em cima do maior rival.

A campanha do Atlético-MG:
8 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 2 derrotas | 14 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Buda Mendes/Getty Images

Flamengo Campeão da Copa do Brasil 2013

Mudanças à vista! A Copa do Brasil passou por uma transformação radical a partir de 2013. Para começar, o número de participantes saltou de 64 para 87. Mas a alteração mais significativa foi o fim da restrição que durava desde 2001: os clubes que disputavam a Libertadores voltaram a integrar o torneio, entrando diretamente nas oitavas de final.

Com o aumento de equipes e a criação de mais uma fase, o calendário foi esticado para durar quase o ano todo, de fevereiro a novembro. E, apesar do caminho teoricamente facilitado para os times que vinham da Libertadores, o título de 2013 ficou com quem jogou desde o início. O Flamengo alcançou o tricampeonato com um futebol que, se não era brilhante, sobrava em eficiência e entrega.

Na primeira fase, o Fla superou o Remo com duas vitórias: 1 a 0 em Belém e 3 a 0 em Volta Redonda, já que o Maracanã estava fechado para as reformas finais da Copa do Mundo de 2014. Na segunda fase, a vítima foi o Campinense, também com dois triunfos por 2 a 1, na Paraíba e em Juiz de Fora. Na terceira etapa, o Rubro-Negro somou mais duas vitórias sobre o ASA: 2 a 0 em Arapiraca e 2 a 1 em Volta Redonda.

Nas oitavas, os confrontos foram definidos por sorteio, e o Flamengo encarou o fortíssimo Cruzeiro. Na ida, derrota por 2 a 1 no Mineirão, com Carlos Eduardo marcando um gol vital no fim do jogo. Na volta, com o Maracanã enfim reaberto, a classificação veio de forma heroica: vitória por 1 a 0 com gol de Elias, a apenas dois minutos do apito final.

Nas quartas de final, ocorreram dois clássicos contra o Botafogo no Maracanã. Após um empate por 1 a 1 na ida, o segundo jogo foi um verdadeiro massacre: 4 a 0 com um show da torcida nas arquibancadas. Na semifinal, o Fla passou pelo Goiás com autoridade, vencendo por 2 a 1 tanto no Serra Dourada quanto no Rio de Janeiro.

Na grande decisão, o Flamengo enfrentou o Athletico-PR, que chegava à final após eliminar Brasil de Pelotas, América-RN, Paysandu, Palmeiras, Internacional e Grêmio. A primeira partida ocorreu na Vila Capanema, em Curitiba, pois a Arena da Baixada também estava em obras para o Mundial. O Fla saiu atrás, mas buscou o empate em 1 a 1 com um chute potente de Amaral. O jogo da volta, no Maracanã, foi puro nervosismo até os 43 minutos do segundo tempo, quando Elias abriu o placar. Com a festa já iniciada, Hernane ainda marcou o 2 a 0 aos 49, sacramentando o título.

A campanha do Flamengo:
14 jogos | 11 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 26 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Alexandre Loureiro/Placar

Palmeiras Campeão da Copa do Brasil 2012

O regulamento mais duradouro da história da Copa do Brasil teve sua última aparição em 2012. Foram 12 edições sob a fórmula que excluía os clubes participantes da Libertadores. Naquele ano, quem aproveitou a oportunidade para erguer a taça foi o Palmeiras, em uma temporada de sentimentos opostos: o êxtase do bicampeonato da Copa do Brasil e a amargura do rebaixamento para a Série B.

Novamente sob o comando de Luiz Felipe Scolari, que retornaria à Seleção Brasileira antes do desfecho do Brasileirão, o Verdão iniciou sua campanha diante do Coruripe, de Alagoas. Na ida, vitória por 1 a 0 no Rei Pelé, em Maceió. A volta ocorreu no Jayme Cintra, em Jundiaí, já que o antigo Palestra Itália havia sido demolido e a nova arena ainda estava em construção. Na casa improvisada, o Palmeiras venceu por 3 a 0.

Na segunda fase, o Alviverde derrotou o Horizonte, do Ceará, fora de casa por 3 a 1, eliminando a necessidade do segundo jogo. Nas oitavas de final, o adversário foi o Paraná: vitória por 2 a 1 na Vila Capanema e goleada por 4 a 0 na Arena Barueri, garantindo a vaga nas quartas.

Na fase seguinte, foi a vez de encarar o Athletico-PR. A primeira partida, em Curitiba, terminou empatada em 2 a 2. No jogo de volta, o Palmeiras venceu por 2 a 0 e confirmou sua classificação novamente na Arena Barueri, que se consolidava como a casa palmeirense naquele ano.

O rival na semifinal foi o Grêmio, que despontava como favorito no confronto. No jogo de ida, no Olímpico, o Verdão foi resiliente e soube esperar o momento certo para golpear: com gols de Mazinho e Barcos, aos 41 e 46 minutos do segundo tempo, o Alviverde venceu por 2 a 0. Na volta, em Barueri, o empate por 1 a 1 foi o suficiente para carimbar o passaporte para a final.

O Palmeiras chegou à decisão para enfrentar o Coritiba, que vinha de superar Nacional-AM, ASA, Paysandu, Vitória e São Paulo. Na ida, na Arena Barueri, o Verdão construiu uma ótima vantagem ao vencer por 2 a 0, com gols de Valdivia e Thiago Heleno. A volta ocorreu no Couto Pereira. Após sair atrás no placar, o time paulista manteve a calma. Aos 20 minutos do segundo tempo, Marcos Assunção cobrou falta com precisão e Betinho desviou de cabeça para empatar em 1 a 1. O placar garantiu o bicampeonato da Copa do Brasil ao Palmeiras.

A campanha do Palmeiras:
11 jogos | 8 vitórias | 3 empates | 0 derrotas | 23 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Miguel Schincariol/Placar

Vasco Campeão da Copa do Brasil 2011

Mais um clube alcançou o título inédito da Copa do Brasil em 2011. O Vasco, que vivia um período de reconstrução após retornar à elite do futebol brasileiro, encontrou uma conexão rara entre time e torcida. Sob uma atmosfera de esperança, o Cruzmaltino superou seus adversários de maneira verdadeiramente copeira.

A campanha iniciou contra o Comercial-MS. No Estádio Morenão, em Campo Grande, o Vasco goleou por 6 a 1, eliminando a necessidade do jogo de volta no Rio de Janeiro. O próximo oponente foi o ABC: após um empate sem gols em Natal, o Vasco avançou ao vencer por 2 a 1, de virada, em São Januário.

Nas oitavas de final, o desafio foi contra o Náutico. O Gigante da Colina praticamente selou a classificação logo na ida, nos Aflitos, ao vencer por 3 a 0. No jogo de volta, no Rio de Janeiro, bastou administrar a vantagem com um empate sem gols para seguir adiante.

Nas quartas de final, o adversário foi o Athletico-PR, o desafio mais árduo até então. Na Arena da Baixada, as equipes empataram em 2 a 2, com o Vasco cedendo a igualdade no fim da partida. No segundo jogo, em São Januário, os paranaenses saíram na frente, mas Elton buscou o empate por 1 a 1, garantindo a vaga pelo critério do gol fora de casa.

Na semifinal, o Vasco enfrentou o Avaí. O jogo de ida, em São Januário, quase se transformou em desastre: os catarinenses venciam até os 49 minutos do segundo tempo, quando um pênalti salvador foi assinalado. Diego Souza converteu e segurou o empate por 1 a 1. Na volta, na Ressacada, o Vasco mostrou sua força e venceu por 2 a 0, carimbando o passaporte para sua segunda decisão na história do torneio.

A grande final foi contra o Coritiba, que vivia um momento histórico com o recorde mundial de 24 vitórias consecutivas e vinha de eliminar Ypiranga, Atlético-GO, Caxias, Palmeiras e Ceará. A ida ocorreu em São Januário, onde o Cruzmaltino venceu por 1 a 0, com gol de Alecsandro. A decisão no Couto Pereira foi um teste para cardíacos. Alecsandro abriu o placar cedo, mas o Coritiba virou ainda no primeiro tempo. Na etapa final, Eder Luís empatou em um chute de longe, e os paranaenses ainda marcaram o 3 a 2. A tensão perdurou até o último segundo, mas, no apito final, o Trem Bala da Colina celebrou a conquista nacional.

A campanha do Vasco:
11 jogos | 5 vitórias | 5 empates | 1 derrota | 20 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Heuler Andrey/LatinContent/Getty Images

Santos Campeão da Copa do Brasil 2010

A Copa do Brasil de 2010 testemunhou o surgimento de um craque. O título inédito do Santos na competição foi conquistado sob a batuta de Neymar, então com apenas 18 anos. Ao lado de Paulo Henrique Ganso, ele liderou o início de um ciclo vitorioso que culminaria no tricampeonato da Libertadores no ano seguinte.

O Peixe iniciou sua campanha contra o Naviraiense, do Mato Grosso do Sul. O primeiro jogo, disputado em Campo Grande, terminou com vitória santista por 1 a 0. A partida de volta, na Vila Belmiro, foi um verdadeiro massacre: 10 a 0, com seis gols marcados apenas no primeiro tempo. Na segunda fase, o time manteve o ritmo e goleou o Remo em Belém por 4 a 0, eliminando o jogo de volta.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Guarani. Sem piedade, o Peixe voltou a aplicar uma goleada assombrosa na Vila Belmiro: 8 a 1 na partida de ida, com Neymar anotando cinco gols em uma única noite. Na volta, no Brinco de Ouro, o Santos sofreu sua primeira derrota, 3 a 2 de virada, mas avançou sem sustos.

Nas quartas de final, o desafio foi contra o Atlético-MG. No Mineirão, o Alvinegro Praiano voltou a ser derrotado por 3 a 2, sofrendo o gol decisivo aos 37 minutos da etapa final. No entanto, a força da Vila Belmiro prevaleceu na segunda partida: o Santos reverteu a desvantagem com uma vitória categórica por 3 a 1.

A semifinal contra o Grêmio reservou dois jogos memoráveis. No Olímpico, o Peixe abriu 2 a 0 na etapa inicial, mas os gaúchos reagiram com quatro gols no segundo tempo. No apagar das luzes, o Santos descontou para 4 a 3, um placar vital devido aos gols fora de casa. No jogo de volta, o Alvinegro só furou a defesa gremista aos seis minutos do segundo tempo, mas deslanchou em seguida, vencendo por 3 a 1 e garantindo a vaga na final.

A decisão foi contra o Vitória, que chegava à final após superar Corinthians-AL, Náutico, Goiás, Vasco e Atlético-GO. Na ida, na Vila Belmiro, o Peixe confirmou o favoritismo ao vencer por 2 a 0, com gols de Neymar e Marquinhos. A volta aconteceu no Barradão, em Salvador. Edu Dracena deixou o Santos ainda mais perto da taça ao abrir o placar no primeiro tempo. Os baianos lutaram e viraram para 2 a 1 na etapa final, mas o resultado foi insuficiente para tirar o título inédito da Vila Belmiro.

A campanha do Santos:
11 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 4 derrotas | 39 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Marco Sacco/Placar

Corinthians Campeão da Copa do Brasil 2009

Em 2009, o Corinthians viveu o início de um dos maiores arcos de redenção do futebol brasileiro. Após o rebaixamento no Brasileirão de 2007 e a reconstrução na Série B em 2008, ano em que também amargou o vice da Copa do Brasil para o Sport, o clube retornou à elite. Sob o comando de Mano Menezes, o elenco recebeu o reforço de um dos maiores jogadores da história: Ronaldo Fenômeno.

O resultado dessa parceria foi o tricampeonato da Copa do Brasil, conquistado de maneira incontestável. Na primeira fase, o Timão superou o Itumbiara com uma vitória por 2 a 0 no interior de Goiás, eliminando a necessidade da partida de volta. O roteiro se repetiu na segunda fase contra o Misto, do Mato Grosso do Sul: nova vitória por 2 a 0 fora de casa e mais uma folga garantida no calendário.

O nível de dificuldade subiu nas oitavas de final contra o Athletico-PR. No jogo de ida, na Arena da Baixada, o Furacão chegou a abrir 3 a 0. No entanto, a reação corintiana veio nos minutos finais: com gols de Cristian e Dentinho aos 41 e 44 do segundo tempo, a derrota por 3 a 2 tornou-se reversível. Na volta, no Pacaembu, Ronaldo brilhou, anotou duas vezes e garantiu a vitória por 2 a 0 e a classificação.

Nas quartas de final, o Corinthians enfrentou o Fluminense. A ida, em São Paulo, terminou com vitória alvinegra por 1 a 0, gol de Dentinho. No Maracanã, Chicão e Jorge Henrique abriram vantagem para o Timão, encaminhando a vaga. Os cariocas ainda buscaram o empate por 2 a 2 no fim, mas o resultado não ameaçou a classificação paulista.

Na semifinal, o Alvinegro encarou o Vasco, que na época disputava a Série B. O primeiro duelo, no Maracanã, terminou empatado em 1 a 1. O jogo de volta, no Pacaembu, foi marcado pela tensão: um empate sem gols que, pelo critério do gol fora de casa, carimbou o passaporte corintiano para a final.

A decisão colocou frente a frente Corinthians e Internacional, que chegava à final após eliminar União Rondonópolis, Guarani, Náutico, Flamengo e Coritiba. No jogo de ida, no Pacaembu, Jorge Henrique abriu o placar aos 26 minutos. No segundo tempo, Ronaldo ampliou para 2 a 0, após um drible desconcertante no zagueiro Índio, deixando o título muito próximo. No Beira-Rio, Jorge Henrique e André Santos marcaram ainda na etapa inicial, praticamente liquidando a fatura. O Inter buscou o empate por 2 a 2 no segundo tempo, mas a festa no apito final foi dos visitantes paulistas.

A campanha do Corinthians:
10 jogos | 5 vitórias | 4 empates | 1 derrota | 16 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Jefferson Bernardes/AFP

Sport Campeão da Copa do Brasil 2008

Na vigésima edição da Copa do Brasil, em 2008, o grito de campeão veio do Nordeste. O Sport, protagonizando uma das campanhas mais épicas da história da competição, conquistou o título batendo com autoridade gigantes do Sul e do Sudeste, transformando a Ilha do Retiro em um verdadeiro caldeirão.

O Rubro-Negro pernambucano iniciou sua caminhada diante do Imperatriz, do Maranhão. Na ida, empate por 2 a 2 no interior maranhense. Na volta, goleada por 4 a 1 em Recife. Na segunda fase, o adversário foi o Brasiliense. O Leão da Ilha venceu o primeiro jogo no Distrito Federal por 2 a 1 e confirmou a vaga com novo triunfo por 4 a 1 em casa.

Nas oitavas de final, o Sport encarou o Palmeiras, e foi aqui que a campanha ganhou contornos históricos. Na ida, o Rubro-Negro segurou um empate sem gols no Palestra Itália. Na volta, pela terceira vez consecutiva no torneio, aplicou uma goleada por 4 a 1 na Ilha do Retiro, com três gols do meia Romerito.

O adversário nas quartas foi o Internacional. No Beira-Rio, o Leão sofreu sua primeira derrota, por 1 a 0. A partida de volta, em Recife, foi emocionante: o Sport garantiu a classificação com uma vitória por 3 a 1. O gol salvador foi marcado pelo zagueiro e capitão Durval, em uma cobrança de falta certeira aos 33 minutos do segundo tempo.

Na semifinal, o desafio foi contra o Vasco. Diferentemente das fases anteriores, o Sport fez a primeira partida em casa e venceu por 2 a 0, com gols de Durval e Daniel Paulista. No segundo jogo, em São Januário, os cariocas devolveram o placar. A vaga foi decidida nos pênaltis, com vitória do Leão por 5 a 4. Apesar da classificação, o time sofreu um baque: o artilheiro Romerito não teve seu empréstimo renovado junto ao Goiás e precisou deixar o clube antes da final.

Na decisão, o Sport enfrentou o Corinthians, que na época disputava a Série B e chegava à final após superar Barras, Fortaleza, Goiás, São Caetano e Botafogo. O jogo de ida, no Morumbi, começou desastroso para o Leão, que chegou a estar perdendo por 3 a 0. Contudo, aos 46 minutos do segundo tempo, Enilton marcou o gol de honra, selando o placar em 3 a 1, um gol vital para as pretensões pernambucanas. Na volta, em uma Ilha do Retiro pulsante, Carlinhos Bala e Luciano Henrique marcaram aos 34 e 37 minutos do primeiro tempo. A vitória por 2 a 0 reverteu a vantagem paulista e sacramentou o título histórico do Sport.

A campanha do Sport:
12 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 3 derrotas | 24 gols marcados | 13 gols sofridos


Foto Léo Caldas/Placar